Orgulho e preconceito na era vitoriana

Da série TV, livros, chá e broa de milho

Episódio 1 – North and South, de Elizabeth Gaskell

North and South

BBC North and South

Uma recomendação aqui e outra ali em blogs sobre séries e livros me levaram a North and South. A série de 2004 da BBC é uma adaptação em 4 partes do romance de Elizabeth Gaskell. Nunca tinha ouvido falar da autora… Enfim, pode-se gostar tanto de livros e continuar ignorante para sempre. Mas isso é até bom. Depois de já ter visto a série, não resisti e procurei numa livraria de onde saí sem desgrudar os olhos do livro.

Gaskell foi contemporânea e do mesmo círculo literário de Charles Dickens. Ela escreveu uma biografia de Charlotte Brontë. A admiração pela autora de Jane Eyre motivou homenagens como o nome Thornton (personagem masculino principal de North and South) que também nomeia a localidade em que Charlotte nasceu, em Yorkshire.

Há elementos evidentes de Orgulho e Preconceito em Norte e Sul. A sociedade inglesa mudara bastante desde os tempos de Jane Austen até a era vitoriana de Gaskell. Mas a dinâmica do romance de Austen marcado pelas primeiras impressões negativas entre uma dama e um cavalheiro, e que vão se resolver com o tempo, se renova em Gaskell. Dinâmica essa, aliás, eterna e recorrente na literaruta. A ascenção de uma nova classe de ricos industriais na região norte da Inglaterra modificou o cenário social do país e novas modalidades de orgulho e preconceito surgiram.

Tanto Austen quanto as irmãs Brontë e Gaskell foram filhas de párocos e refletiram em suas obras sobre questões de suas épocas, como a condição feminina e as distinções de classe. Mas Gaskell vivenciou em especial uma nova realidade inglesa. A autora viveu em Manchester para onde mudou-se depois do casamento com William Gaskell. A próspera metrópole industrial do norte da Inglaterra é retratada em Norte e Sul sob o nome fictício de Milton. O conflito cultural entre os ingleses do sul e do norte tempera a trama do livro, em que a heroína Margareth Hale muda-se com sua família da idílica aldeia Helstone para a cinzenta Milton. O pai, um ex-pároco da igreja anglicana renuncia ao cargo confortável para tentar a vida, em condições bem mais modestas, como tutor em Milton. Nesse cenário, os valores tradicionais da família Hale contrastam com os novos modos da ascendente classe de industriais ingleses. Para Margareth, criada entre a agrária Helstone e a aristocrática Londres, um industrial não passa de um novo comerciante.

North and South

Elizabeth Gaskell: Norte e Sul

Margareth é apresentada a John Thornton, aluno de seu pai e proprietário do moinho de algodão Marlborough. John é um empreendedor orgulhoso e agressivo, que construiu sua fábrica do zero e tornou-se um dos cidadãos mais ricos e respeitados de Milton. Além de ser um partidão. Mas sua mãe, a senhora Hannah Thornton (vivida na série pela ma-ra-vi-lho-sa Sinèad Cusak), não vai facilitar para qualquer sulista esnobe se tornar sua nora.

A outra face de Milton, que se opõe à da prosperidade de seus industriais, é a da miséria de seus operários (outra nova classe social). Gaskell transporta para o romance sua experiência como esposa de um pastor em Manchester, onde conviveu com membros de todas as classes da congregação local. As condições insalubres das fábricas e das habitações dos operários, as greves, a fome e as doenças. Tudo faz parte da nova vida de Margareth em Milton. E esse lado sombrio do norte alimenta a péssima impressão de Margareth em relação a Thornton. Como um cavalheiro pode aceitar esse estado de coisas?

Após uma vida tranquila em uma paróquia do campo por mais de vinte anos, Mr. Hale via algo de fascinante naquela energia que vencia dificuldades enormes com facilidade. O poder das máquinas de Milton, o poder dos homens de Milton, impressionavam-no  por sua grandeza, à qual ele se rendia, sem ter a preocupação de inquirir sobre os detalhes do seu funcionamento. Mas Margareth saía menos, não conhecia tanto sobre as máquinas e os homens, via menos daquele poder de uso público. Quando isso aconteceu, ficou impressionada com um ou dois que, além de atingirem multidões de pessoas, podiam sofrer intensamente pelo bem de muitos. A questão sempre é: será que fora feito todo o possível para minorar os sofrimentos daqueles poucos? Ou, no triunfo da multidão, seriam os fracos pisoteados , ao invés de serem gentilmente afastados do caminho do vencedor, a quem não tinham condições de acompanhar na sua marcha? Elizabeth Gaskell: Norte e Sul, capítulo 8, Saudade de Casa, página 56, edição bilíngue da Landmark.

Elizabeth Gaskell

Elizabeth Gaskell retratada por George Richmond (1851)

Além do diferente contexto histórico, as tendências artísticas de época também distanciam as obras de Jane Austen e Elizabeth Gaskell. Norte e Sul tem a marca do romantismo, tão forte nas décadas centrais do século 19. A experiência do leitor é um mergulho nas  emoções  mais íntimas e intensas dos personagens. Os sonhos delirantes de John Thornton com Margareth e quando ele observa fascinado a pulseira da moça escorregando do braço para o punho são leves sopros de erotismo entre as asperezas da história. E a rendenção do humano através das dores, renúncias, sacrifícios e atitudes heróicas expandem os ideais românticos da escritora. O tempo de Gaskell era um pouco mais favorável que o de Austen para uma mulher se revelar como escritora, apesar de Elizabeth ter assinado por muito tempo seus livros como “da Sra. Gaskell” (sempre é necessária a identidade de casada, ou seja, ser respaldada por um Sr. alguma coisa). Mas seu texto, assim como o de Austen, possui uma fluência muito livre e inteligente. Me deixou muito curiosa para algum dia ler George Ellliot (Middlemarch) e Charlotte Brontë (Jane Eyre).

E agora ouso expor uma idéia que alimento desde quando terminei de ler Norte e Sul. Não resisti ao projeto de construir esse quadro comparativo entre esses dois grandes romances. Desculpe a minha pretensão. Então, lá vai. Mas cuidado, pois tem spoilers!

Quadro comparativo de Orgulho e Preconceito X Norte e Sul

A série de TV faz uma reconstituição caprichada da época. As sequências no moinho de Malrborough foram filmadas em um museu da indústria textil. São belas imagens de teares e operários trabalhando envolvidos pelos flocos flutuantes de algodão. Numa cena em que Margareth escreve uma carta para a prima Edith, vemos o interior da fábrica e ouvimos a personagem confessar que tinha visto o inferno e ele era branco como a neve. As ruas de Milton são cenários, se não me engano, e reconstroem em detalhes o mobiliário urbano, becos, sujeira e barulhos de uma metrópole industrial vitoriana.

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BBC North and South 2004

O roteiro é de Sandy Welch, que também escreveu as adaptações de Jane Eyre (2006) e Emma (2009) para a BBC. Sandy inventa algumas situações que não constam no romance, mas são eficientes para condensar a trama em 4 partes de uma hora. A sequência em que Margareth conhece Thornton, quando este repreende violentamente um empregado do moinho, não existe na obra original, mas funciona como um choque fulminante de culturas. As liberdades da roteirista não ferem a bela história de Gaskell. E até contribuem com ornamentos sutis como a cena do adeus de Thornton na janela. A neve cai e ele mormura: “look back at me…”

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BBC North and South 2004

O elenco é excelente, com destaque para os belíssimos Daniela Denby-Ashe (Margareth) e Richard Armitage (John Thornton) – os dois protagonizam o que para mim é um dos beijos mais bonitos da história do audiovisual – , Sinèad Cusak (Sra. Thornton) e Brendan Coyle (Nicholas Higgins, o operário grevista). Existe uma edição em DVD lançada no Brasil pela LogOn e que pode ser encontrada no site da Livraria Cultura. Mas já vi em algumas livrarias no Rio.

Richard Armitage, que vive John Thornton, tornou-se um novo mito da TV inglesa desde Colin Firth (este, para muitos, o Mr. Darcy definitivo). Quando North and South estreou, os acessos ao message board da série derrubaram o site da BBC. Uma multidão queria saber quem era aquele homem. Existe até um termo para a legião de fãs de do ator:  Armitage Army. Bom… se você aprecia belos seres humanos do gênero masculino e ainda não sabe quem é ele, poderá entender quando assistir North and South. Ou as temporadas 7, 8 e 9 de Spooks. Mas depois não diga que não te avisaram: vai se perder para sempre…

Outras séries da BBC sobre obras de Elizabeth Gaskell são “Wives and Daughters” (de 1999), com Keeley Hawes (a Zoe da série Spooks) e “Cranford” (de 2007 e 2009) com Judi Dench. Um dia, quem sabe, também aparecem por aqui dentro da série TV, livros, chá e broa de milho.

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+ Referências

Site da série na BBC.

Para saber mais sobre a autora e o romance.

Para ler North and South no Project Gutemberg

Site da Gaskell Society.

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Adendo 2012-12-14

Fico imaginando o que Lizzie Bennet responderia se estivesse à mesa do jantar da família Thorton (aquele da série de TV). Acho que se sairia melhor ao defender os menos afortunados. É mais ponderada do que indignada e daria o fora mais elegante do mundo. Ainda assim, acho que Margareth é daquelas criaturas que podem fazer as perguntas certas, sem medo. Franca e direta, mesmo sabendo do risco da humilhação.

lizzie e margareth e os jantares humilhantes

lizzie e margareth e os jantares humilhantes

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O delicioso cérebro de Mr. Darcy

Orgulho e Preconceito e Zumbis

Orgulho e Preconceito e Zumbis

Orgulho e Preconceito e Zumbis

Sou uma cretina que não devia ficar lendo essas coisas divertidas, e, sim, estudar o PMBOK e outras literaturas sérias para a monografia. Mas, num surto de escapismo, não resisti e devorei essa breve bobagem. Com algum sentimento de culpa. Culpa pela fuga literária proibida e pela Jane Austen, que deve ter virado um zumbi, se arrancado do túmulo e a agora anda vagando por aí até encontrar o “co-autor” do livro para morder a cabeça do cara.

Imagine se o Robert Rodriguez resolvesse ler Orgulho e Preconceito para as filhas antes de dormir?

Então o diretor de El Mariachi, Planeta Terror e Sin City não resistiria e acrescentaria zumbis e artes marciais na trama só pras filhas não crescerem muito bocós sonhando com mr. darcies encantados…

Orgulho e Preconceito é um dos romances que mais adoro. Já li umas 3 ou 4 vezes. E agora, li mais uma vez. Só que os zumbis estavam lá. Mas não atrapalharam. Não exatamente… Até ajudaram a imaginar outras possibilidades da narrativa. Tipo: não seria bom (para você que já leu o romance ou viu um dos filmes) se o Darcy desse uma lição de verdade ao Wickham? E se ao invés de passarem os dias entediadas contando nuvens que passam, as irmãs Bennet treinassem kung-fu shaolin para combater zumbis? E que tal um destino mais cruel para o Mr. Collins? Hua Hua Hua Hua. É uma forma de redenção dos personagens e/ou do leitor. Mas totalmente maluca, é verdade.

O co-autor, Seth Grahame-Smith, mantém o argumento quase intocado. O básico está lá. Os personagens, o baile de Netherfield, a viagem a Pemberley, as meninas malucas por oficiais da milícia, cartas, pedidos de casamento recusados, a mãe histérica que quer casar as filhas, o orgulho, o preconceito etc. Só que zumbis invadem os bailes, assombram as estradas e um deles sonha com o sabor e a textura de couve-flor do cérebro do senhor Darcy em sua bela e grande cabeça. E Lady Catherine é uma exímia guerreira protegida por um exército de ninjas. Mas não perde a pose, pois é treinada por mestres do Japão, que, nesse contexto pirado, é muito mais chique que a China, onde as pobres Bennet foram instruídas…. mó viagem. Já soube de um papo de que a Natalie Portman viverá a Lizzie Bennet na versão cinematográfica.

Como afirma Jane ‘infectada pelo zumbi Grahame-Smith’ Austen no início do livro, “É uma verdade universalmente conhecida que um zumbi, possuidor de cérebros, deve estar necessitando de mais cérebros.”

E, por falar em estragar Orgulho e Preconceito, outro dia assisti à série Lost in Austen. Algum canal desses tipo Liv ou GNT tem que passar. É muito bom. Comentarei em breve.

As irmãs Bennet formam a estrela de 5 pontas em uma manobra para exterminar os zumbis que invadem o baile

As irmãs Bennet formam a estrela de 5 pontas em uma manobra para exterminar os zumbis que invadem o baile

Em 2008 – parte 3 – filmes – the end

 

BEOWULF

Beowulf - lenda em 3D

Beowulf - lenda em 3D

Já faz um ano que esse entrou em cartaz nos cinemas daqui. Ontem estreou na HBO.  Na época da estréia, eu estava um pouco desconfiada de um filme feito nessa técnica de computação gráfica modelada nos corpos dos atores, se posso definir assim. Mas, juntando a lenda, que é muito interessante, os atores e o Neil Gaiman (roteirista), não dava pra resistir.

E acabei achando muito acertada a opção por essa técnica. Podia ser mais um filme com fotografia estilizada, com efeito meio onírico, tipo O Senhor dos Anéis. Mas os realizadores escolheram dar um passo adiante nessa técnica de animação, e acabaram criando uma impressionante dramatização da lenda com tudo o que ela merece em termos de qualidade artística.

O filme é dirigido pelo Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro e Forrest Gump). O que para mim também era estranho. Mas depois lembrei que ele fez aquele Expresso Polar, que também emprega a mesma técnica. E já está preparando outro (A Christmas Carol) para o natal deste ano.

E o que essa técnica oferece de bom? Para começar, como se trata de um tema de fantasia de reis, heróis, dragões e tesouros, já permite uma viagem na empada sem limites para os realizadores. E podem se apoiar na expressão autêntica dos atores (Anthony Hopkins, Angelina Jolie, John Malkovich e outros) para garantir um tanto mais de realismo e emoção.

Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli

Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli

 

Lembro como fiquei impressionada com o primeiro Final Fantasy, em que tinha uma equipe gigante só para criar o movimento dos cabelos do personagens. Nesse filme, a técnica era de animação 3D pura, sem captar imagem de atores. E já representava um grande avanço nos movimentos, expressão facial, textura dos cabelos e pele.

Mas, voltando ao Beowulf, gosto demais da iara-dragão da Angelina Jolie. Adoro as canções obcenas que perturbam Grendel, o terrível monstro do ouvido absoluto, vivido por Crispin Glover, que também é impressionante. E o que dizer da mágica que transforma o Ray Winstone em Beowulf? A voz é perfeita para o guerreiro lendário. Mas o corpitcho, com certeza foi modelado em alguém tipo o Sean Bean em seus melhores anos… Acho que foi isso que fizeram, mas não contaram nada para o Ray. He-he-he-he!

 

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA – PRÍNCIPE CASPIAN

Eu gostei mais do outro. Aquele do guada-roupa, feiticeira, blablabla. Acho que pela fofice comovente da Lucy, que no outro filme está mais crescidinha. E por resgatar uma lembrança muito frágil da infância. Vi alguma versão para TV, talvez a da BBC ou algum desenho animado que passou na Globo ou SBT. Só me veio esse estalo na cena do Leão sacrificado na mesa de pedra. E depois, quando os quatro irmãos estão crescidos e reencontram o caminho do guardaroupa.

E principe Caspian é a cara do rodrigo santoro

E príncipe Caspian é a cara do rodrigo santoro

Eram alguns detalhes que compensavam a coisa bastante açucarada do primeiro filme. Esse novo é mais sombrio, triste e violento. Mas tudo isso não ajudou a fazer uma sequência melhor para a série. Não que seja de todo ruim. Diverte num sábado à tarde. Por outro lado, 2008 teve muitos filmes de fantasia e aventura concorrendo. O suficiente para embolar uma história na outra e um filme obscurecer o outro. 

Agora, um pouco depois de ver o filme, li o Coisas Frágeis, do Neil Gaiman, que dedicou um conto ao exorcismo de um problema que ele sempre teve com As Crônicas de Nárnia. É uma questão difícil, porque, não querendo desmercer o valor literário da obra de C. S. Lewis, até porque nunca li, fazer alegorias religiosas em histórias de fantasia pode ser um tiro no pé. Tem metáforas óbvias do cristianismo no filme. Como o Leão que se sacrifica, e ressussita, sendo testemunhado por duas irmãs (Marta e Maria ou Susan e Lucy).  Mas, sinceramente, não acho que isso tenha comprometido muito o filme.

Dizem que os colegas Lewis e Tolkien, ambos cristãos (o primeiro, anglicano e o outro católico), discordavam sobre envolver a religião em suas obras. Apesar de existirem autores que decifram signos cristãos em O Senhor dos Anéis, Tolkien parece evitar isso ao máximo. Acho que o único termo que remetia ao universo judaico-cristão-muçulmano ocorre em alguma passagem em que se refere a anjos. Mas pode ser viagem minha. E não sei se era em O Senhor dos Anéis ou no O Hobbit (ainda não li o Simarillion).

O que me encomoda é quando o autor usa esses conceitos e mata o efeito de transportar completamente o leitor para o outro universo. Com Tolkien, isso não acontece. E é um dos grandes méritos do SDA. No máximo, perturba um pouco a semelhança com textos do Antigo Testamento (fulano é filho de fulano que é filho de fulano X 1000). Mas até nisso ele se safa, porque as sagas escandinavas também usam esse recurso repetitivo, por ser uma tradição oral das histórias. E o fato dele manter o calendário da Terra Média com os meses de janeiro a dezembro também podia ser diferente. Podia ter inventado um calendário totalmente fictício e cortar mais ainda a conexão com o tempo presente. Mesmo assim, a Terra Média é um universo totalmente além da imaginação.

Mas o tal conto do Gaiman meio que tenta resgatar a personagem Susan de um karma triste e injusto. Papo de não ir pro céu porque pecou. Bom… eu tenho uma edição completa das Crônicas, que ainda não li, e emprestei para minha irmã adolescente. Ela destestou e me devolveu antes de terminar de ler. Estranhei porque ela pediu emprestado com tanta curiosidade e entusiasmo, mas se decepcionou totalmente. Falou que é muito cheio de conceitos cristãos, ao ponto de não ser divertido. 

Li em algum lugar que a Disney abriu mão dos direitos da obra, porque o desempenho nas telas foi fraco. E parece que ninguém está interessado em dar sequência à série. 

 

HELLBOY 2: THE GOLDEN ARMY

 

vermelho e bizarro como nunca

vermelho e bizarro como nunca

O diabão vermelho voltou. Que bom! Não consegui ver no cinema, porque saiu de cartaz em 2 semanas (!). Mais uma vítima da enxurrada de filmes de ficção fantástica de 2008. 

Ele voltou e com a acidez e esquisitice de sempre. Aliás esse Ron Perlman, que faz o Hellboy, é um dos exemplos mais incríveis de ator perfeito para o personagem. Lembra dele na Guerra do Fogo e em O Nome da Rosa? Ele podia gritar feito o Beowulf e o rei Leônidas: “I Am Hellboy!”

A trama te uma coisa meio role playing games. Segredos que vão despertar um exército dourado do passado. Traquitanas e armadilhas complicadas.

Tem sempre gosmas, maquiagens bizarras e tramas malucas. E eu gosto pra caramba.

 

 

CASSANDRA’S DREAM

crimes e castigos de woody allen

crimes e castigos de woody allen

 

 

Gosto dessa onda Crime e Castigo do Woody Allen. São filmes sérios. Sobre medo, ganância e assassinato.  

Dois irmãos aceitam entrar num esquema para tentar uma grana alta que vai resolver seus problemas e de um tio rico, porém encrencado.
A ambição e a culpa empurra os dois para um poço de pesadelo sem fim.
E ver Ewan McGreggor e Colin Farrell é sempre bom.

Eu “recomeindo”.

 

 

CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO

o pintor e o jardineiro

o pintor e o jardineiro

Essa é uma daquelas histórias que nem sei como verbalizar os motivos porque gostei. É simples e profundamente belo. 

Daniel Auteil é um pintor que resolve voltar à casa de campo de sua infância e reencontra um velho amigo, que agora, trabalho como jardineiro.

As diferenças dos dois vão sendo vencidas por uma amizade regada pelas conversas no jardim. E suas vidas florescem e espelham o curso da natureza.

 

 

 

 

ATONEMENT (DESEJO E REPARAÇÃO) 

Escrever é um ato de transformação. Pode transformar intimamente quem escreve, mas também transfigurar a realidade à sua volta.

Em Desejo e Reparação, o som metálico da máquina de escrever quase se camufla na trilha sonora e serve de marcação das cenas em que a realidade da trama começa a se fragmentar no delírio de uma pequena escritora. Sua imaginação e seu forte desejo de encontrar um lugar no que acontece ao seu redor, empurram a personagem para o redemoinho do dilema entre culpa e honestidade.

A propósito da honestidade e da realidade

A propósito da honestidade e da realidade

O romance de Ian McEwan está na minha lista de pendências literárias. O filme do Joe Wright é um dos melhores do ano passado. Parecia um novo épico romântico passado na segunda grande guerra. Porém, é muito mais do que isso. Há uma forma de contar a história totalmente original e intrigante.

O diretor repete um exercício que adora: filmar um longo plano-sequência. Em seu filme anterior, Orgulho e Preconceito (acho que é por isso que o título original Atonement, que significa reparação ou expiação, virou Desejo e Reparação, como se fosse uma tendência do cineasta por títulos com 2 palavras…), Joe mostra a personagem Elizabeth Bennett (Keira Knightly, que também faz Atonement) passando em frente à casa da família e a câmara adentra a sala, passeia por vários cômodos, rodopia e reencontra Lizzie passando por outra porta. O efeito é muito bonito e retrata o clima bucólico da vida na Inglaterra campestre do final do século 18. 

Em Atonement, ele repete a dose numa sequência em que soldados ingleses se encontram numa praia onde aguardam resgate em meio a um teatro de barbaridades.  A câmara passeia em tomada ininterrupta por mutilados que gemem, loucos que gritam, bêbados que jogam e riem.

Mas todas  as situações delirantes ou não das belas imagens de Atonement se confundem, entram e saem continuamente da imaginação de uma personagem. É ela quem manipula a trama em seu contexto real e imaginário. É muito doido.

No mais, o filme tem atores ótimos, como a Keira Knightly, James McAvoy (gosto cada vez mais dele) e a lendária Vanessa Redgrave.

 

THERE WILL BE BLOOD (SANGUE NEGRO)

Esse  concorreu ao Oscar do ano passado e conquistou o de melhor ator para Daniel Day-Lewis. Não consegui ver no cinema (difícil dar conta de tudo em 2008…). 

day-lewis dá o sangue por plainview

day-lewis dá o sangue por plainview

O filme narra a saga de Daniel Plainview (Day-Lewis, cada vez mais raro nas tela, mas não menos extraordinário). Apesar do nome, Plainview tem uma visão bastante arrojada da vida e dos negócios e, após anos de ralação e trabalho braçal, ergue uma enorme corporação de exploração do petróleo. A ascensão de Plainview, sua conturbada relação com o filho adotivo e os conflitos com a comunidade onde explora o “sangue negro” são os principais elementos da trama de There will be blood (Sangue Negro). 

E puxa vida… que filmaço. Diferente de tudo que eu tinha imaginado. Econômico nos diálogos. Com saltos e cortes abruptos, que parecem querer puxar o expectador por uma janela de distanciamento crítico. 

O diretor Paul Thomas Anderson tem projetos bem diversificados no currículo como os filmes Boogie Nights e Magnólia, episódios de Saturday Night Live e comerciais de TV. Mas nesse There will be blood (Sangue Negro), Anderson cria algo realmente diferente para o cinema.

E a trilha sonora é outra surpresa, com tema orquetral de Jonny Greenwood (guitarrista do Radiohead) e obras de Brahms e Arvo Pärt.

 

O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN

Fiquei meio decepcionada com esse, que aguardei sair nos cinemas, mas foi direto para DVD. Adoraria fazer parte de um clube de leitura de Jane Austen ou de leitura em geral. Mas não gostaria de formar clube com as personagens desse filme. Talvez com a Bernadette (Kathy Baker), que parece a única que gosta mesmo dos livros. O resto é um bando de chatas, que, apesar de estarem no século 21, têm vidas mais tediosas que as pobres heroínas de Austen.

não convidem Jane Austen para esse clube

não convidem Jane Austen para esse clube

Mesmo sendo uma fonte de inspiração para as tramas de confusão e desencontros amorosos, típicos das comédias românticas mais batidas, a obra de Jane Austen não foi bem aproveitada nesse filme. Pena… O argumento é parecia bom. 

A única coisa realmente legal foi descobrir a música do Paolo Nutini (“New Shoes”) que toca na abertura do filme.

Para quem gosta da autora, recomendo o blog Jane Austen em Português

 

 

BECOMING JANE

Outro que foi direto para o DVD e HBO ao mesmo tempo. Tem fãs de Jane Austen que não gostam dessa cinebio imaginária da escritora. Os créditos do filme afirmam se basear em cartas e outros escritos de Jane. Anne Hathaway (de O Diabo Veste Prada) interpreta a jovem Jane, que ainda não publicara seus romances, apresentando-os apenas para sua família.
Nasce uma escritora.

Nasce uma escritora.

Filha de um pároco do interior da Inglaterra, Jane não tem grandes perspectivas de casamanto. As poucas que tem, recusa por julgar que merece se casar por amor. Mas tem um romance proibido com um jovem advogado, Sr. Tom Lefroy (o meu novo queridinho James McAvoy). 

O tal Lefroy realmente existiu, mas seu romance ardente com Jane é uma opção fictícia do filme, que é bastante focado nesse aspecto da vida da autora de Orgulho e Preconceito.
Mas gostei do filme. Embora derrape historicamente, mostrando um comportamento íntimo dos casais muito pouco comedido para o século 18,o filme  retrata um cenário social bem no clima das obra de Jane. Todas as regras de comportamento, discurso moral e hipocrisia da sociedade inglesa observados por Austen de forma tão esmerada em seus livros, estão presentes na trama do filme. E heroínas como Elizabeth e Jane Bennet, Elinor e Marianne Dashwood ou Anne Elliot estão diluídas nas personalidades e nos destinos de Jane e sua irmã Cassandra Austen. 

No Brasil,  o filme ganhou o título ralo de Amor e Inocência (só pra ajudar a achar em DVD e na programação de TV).

 

MARGOT AT THE WEDDING

Desse só quero comentar que gosto muito dos atores Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh e Jack Black. Mas apesar deles, e da história ser diferente do usual, achei meio chato.

palavras em ação

palavras em ação

Nicole e Jennifer são duas irmãs com questões mal resolvidas. Nicole (Margot) vai ao casamento de Jennifer (Pauline) com Jack Black (que até em filmes sérios e densos é bom, sem deixar de ser engraçado). Os dias de véspera do casamento são um desenrolar de brigas, choros, reencontros dolorosos. Tudo muito centrado nos diálogos, embora as pessoas quebrem o pau se deslocando bastante, mudando de cenário (ora dentro de casa, ora caminhando num bosque ou dirigindo um carro), o que confere alguma ação ao filme.

É cheio de frustrações e problemas não resolvidos. Parece com a vida. E bem chato como ela muitas vezes é.

 

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Fecho com esse sensacional longa-metragem que só consegui ver em DVD. Na verdade, é um filme de 2007, mas, se não me engano, chegou ao Brasil no ano passado. Assisti depois de Ensaio sobre a Cegueira, com quem tem lá alguns laços simbólicos. Mas o Escafandro e a Borboleta é uma experiência bem diferente.

vida dentro do escafandro

vida dentro do escafandro

Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric, o vilão do último 007) é o poderoso editor da revista Elle, que sofre um derrame e perde os movimentos quase totais de seu corpo. Depende de aparelhos para manter seus pulmões, coração e outros órgãos funcionando, e se comunica com o piscar de um dos olhos, único movimento que consegue controlar.

Duas mulheres (lindas como anjos) ajudam Bauby  a dominar a linguagem do olho e a tentar recuperar o movimento da boca para talvez voltar a falar. E tudo é mostrado pelo olho de Bauby. A câmera fica “oculta” por trás de seu olho e acompanha toda a angústia e frustração do personagem. Ouvimos tudo que ele queria ter dito de verdade e que não transmitiu com as piscadas. Aliás, este é um método super complicado, em que seu interlocutor encadeia as letras do alfabeto na ordem em que estas são mais utilizadas na língua francesa. E, O, L, R, M (algo assim). E, conforme se diz a letra da palavra que quer formar, o paciente pisca indicando para parar naquela letra. Lentamente, as palavras vão se formando. Bauby e seus anjos avançam na liguagem do “pisca-letras” e o ex-editor, consegue um arremedo de vida para o corpo aprisionado.

E é isso que gostaria de contar. No mais é um dos filmes mais bonitos e emocionante que já assisti. Difícil de descrever com justiça.

 

Repescagens….

Esses são anteriores, mas só consegui ver em 2008.

 

 

SURF’S UP (TÁ DANDO ONDA)

 

pinguim é a maior onda

pinguim é a maior onda

Pinguins surfistas num filme de animação com uma dinâmica meio de ficção, meio de documentário. E tem vozes de surfistas de verdade.

 

É sensacional! O melhor de tudo é o velho surfista solitário com voz do Jeff Bridges. Tipo um Big Lebowski das ondas. E tem o frango surfista perdido entre os pinguins… Já tou com vontade de ver de novo.

A trilha sonora é maravilhosa, com direito a uma inédita da Lauryn Hill.

 

 

 

ZODIACO

assassino de aries a peixes

assassino de aries a peixes

 

 

Muito bom filme, baseado em história real do chamado assassino do Zodiaco, que mandava cartas à redação de um jornal de San Francisco, enlouquecendo as vidas de jornalistas e policiais nos anos 70.

Tem ótimos atores: Jake Gyllenhaal, Mark Rufallo e Robert Downey Jr. (por favor, continua assim que tá ótimo, bicho! ). 

Podia realmente ser menos longo (concordo com minha amiga Julie).

 

 

A PELE, BIOGRAFIA IMAGINÁRIA DE DIANE ARBUS

sob a pele de uma fotógrafa

sob a pele de uma fotógrafa

Há muitos anos li um livro da Susan Sontag sobre fotografia. Entre vários aristas das lentes, ela se detem sobre a obra de Diane Arbus. Lembro do texto de Sontag descrevendo as pessoas clicadas por Diane. Os mais diversos tipos marginalizados de Nova York, como anões, mulheres barbadas e outros freaks.

 

Esse filme com Nicole Kidman e Robert Downey Jr. é um belo e carinhoso retrato fictício da fotógrafa tão incompreendida em sua época. O título original em inglês, “Fur” (que quer dizer pele, mas do tipo peluda como de mink, chinchila ou qualquer outra que serve para casacos de pele), remete ao ramo da família de Diane, que comercializava casacos de pele.

Pele também  é o objeto imediato da curiosidade da fotógrafa, que conhece e se envolve com o vizinho, vivido por Robert Downey Jr., que sofre de hipertricose. Tem o corpo inteiramente coberto de pelos como um urso. 

O filme constrói um possível universo interior de Diane Arbus, dividida entre sua família conservadora, e a irresistível atração pelo exótico mundo dos outsiders.

 

ACROSS THE UNIVERSE

Beatles. Há quem não goste dos Beatles. O que acho estranho, pois eles são tão desiguais. Ao longo de 8 anos de existência, a banda fez cada álbum tão diferente do anterior. São várias facetas dos Beatles. Revolver está bem distante de A Hard Days Night, que não tem nada a ver com o White Album.

beatles, amor e revolução

beatles, amor e revolução

E que tal um filme que atravessa os anos 60 ao som dos Beatles? Era uma vez um cara chamado Jude, que se apaixona por Lucy. Eles vão para Nova York e moram na república da sexy Sadie, onde também vive a querida Prudence. 

E por aí segue o filme da ótima Julie Taymor (Titus e Frida). Uma explosão extasiante de cores, música, paz e amor ao som de Hey Jude, Lucy in The Sky with Diamonds, Dear Prudence, Helter Skelter, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e muitas outras, com direito a Bono cantando The Walrus. Mas nada remete a uma coleção de videoclipes. É muito mais que isso. Destaque para a cena mais bonita e impactante do filme, quando ouvimos Strawberry Fields Forever. 

 

TRILOGIA JASON BOURNE 

A Identidade Bourne

A Identidade Bourne

Esses filmes são o exemplo do gênero tiros, socos e correrias mais legais de assistir. Me rendi desde o primeiro, A Identidade Bourne. Apesar do Matt Damon, que não considero grandes coisas, é uma excelente aventura de espiões com roteiro sempre inteligente.

Os filmes mais populares de ação sempre me intrigaram, pois tenho dificuldade de acompanhar as cenas de batalhas, tiroteios, perseguições, aviões se bombardeando etc. Acho tudo muito rápido e acabo me intediando. Acho que foi o 300 que conseguiu me fazer acompanhar uma cena de batalha realmente maravilhada com toda a ação.

A Supremacia Bourne

A Supremacia Bourne

 

Mas nos filmes do Bourne, sei lá, não tem nem importância ficar sem entender totalmente a trama. A história funciona de qualquer jeito. E os dois últimos filmes, A Supremacia Bourne  e O Ultimato Bourne, são ainda melhor nesse aspecto. Foram dirigidos pelo Paul Greengrass (um dos cineastas mais interessantes do momento, ele fez também aquele Vôo não sei que lá da United), e têm o ritmo mais alucinado e vertiginoso ainda.

 

O Ultimato Bourne

O Ultimato Bourne

Coloquei a trilogia na lista porque foi apresentada em maratona no Telecine há uns meses atrás. E é incrível como a gente assiste um seguido do outro e fica com vontade de voltar a ver o primeiro, assim que o último acaba.

 

Além disso, o tema do Moby, Extreme Ways, é uma das minhas músicas favoritas do careca descendente de Herman Melville.

 

 

APOCALYPTO

Antes de mais nada, devo dizer que tenho uma bronca violenta do Mel Gibson como diretor. Tipo, eu nunca vou ver aquele do cristo, nem o da guerra de independência (apesar de ter o Heith Ledger, que Deus o tenha), nem aquele outro da guerra do Vietnã. Não me interessam as idéias revisionistas e reacionárias do cara. Prefiro ele como ator.  Pode ser canastrão, mas é lindo de morrer e carismático.

As exceções são o Brave Heart (apesar dele demonstrar uma homofobia descarada quando o rei defenestra o namorado do principe), o Homem sem face (ótimo) e esse mais recente, Apocalypto.

 

uma boa aventura do Gibson

uma boa aventura do Gibson

Gibson faz questão de tornar autêntica a reconstituição de época de seus filmes. Isso se vê em Brave Heart e, pelo que li, também naquele das guerras de independência (que conta com consultoria do Smithsonian Institution) e no do cristo ensanguentado feito uma picanha na cruz (falado em aramaico e o caramba). Esse rigor não garante bons filmes, mas é levado adiante com o Apocalypto, onde os atores falam uma língua que a divulgação do filme informava ser muito próxima da que os antigos astecas ou maias, sei lá, falavam. E ainda tem toda a parte de maquiagem, figurino (mínimo, pra falar a verdade) e adereços.

Mas o que importa dizer é que é um ótimo filme de ação, com tudo que uma narrativa clássica da jornada do herói tem direito. Nem precisava de tanta preocupação com a língua da época. Li uma resenha, acho que do NY Times, na época que estreou nos EUA, criticando o filme pela correria ininterrupta do personagem principal. Realmente, ele corre em boa parte do filme, mas acontecem taaaaaantas coisas. É bem bacana e passa no Telecine.

 

Lacunas …

Esses ainda não consegui ver. Ficaram para 2009, quem sabe?

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

A CULPA É DO FIDEL

PERSÉPOLIS

I’M NOT THERE

AGENTE 86

ANTES DE PARTIR

DAN IN REAL LIFE (A NAMORADA DO MEU IRMÃO?)

THE HAPPENING (M. NIGHT SHYAMALAN)

MADAGASCAR 2

HORTON E O MUNDO DOS QUEM

ROLLING STONES – SHINE A LIGHT

FAVOR REBOBINAR

BODY OF LIES (RIDDLEY SCOTT)