Para dentro do tempo

“Em seu delírio, Shadow transformou-se na árvore. As raízes afundavam-se na argila da terra, para dentro do tempo, para as fontes escondidas. Ele sentiu a fonte da mulher chamada Urd, que quer dizer Passado. Ela era enorme, uma giganta, uma montanha subterrânea de mulher, e as águas que guardava eram as águas do tempo.” – Neil Gaiman: Deuses Americanos.

as águas que guardava eram as águas do tempo

as águas que guardava eram as águas do tempo

revisitando a jornada de shadow

revisitando a jornada de shadow

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A Dama de Cinza

Nin jamais havia visto um cavalo de verdade, só nas páginas dos livros de figuras, mas o cavalo branco que bateu os cascos pela rua até eles não era nada parecido com os cavalos que imaginava. Era maior, muito maior, com uma cara comprida e séria. Havia uma mulher montada no dorso em pelo do animal, usando um vestido cinza e longo que pendia e cintilava sob a lua de dezembro como teias de aranha no orvalho.

Ela chegou à praça, o cavalo parou e a mulher de cinza deslizou facilmente dele, colocando-se de pé na terra, de frente para todos, os vivos e os mortos.

Ela fez uma reverência.

E, como um só, eles se curvaram ou retribuíram a reverência, e a dança recomeçou.

“A Dama de Cinza agora irá

Pela Dança Macabra a todos levar.”

— Neil Gaiman: O Livro do Cemitério

 

A Dança da Morte - xilogravura de Alfred Rethel

A Dança da Morte – xilogravura de Alfred Rethel

Danse Macabre

Ghosts High

Ghosts High

Ideias emprestadas dos livros

Desde pequeno eu sempre pegava várias ideias emprestadas dos livros. Eles me ensinaram quase tudo que eu sabia sobre o que as pessoas faziam, sobre como me comportar. Eram meus professores e meus conselheiros.

— Neil Gaiman: O Oceano no Fim do Caminho

professores e conselheiros

professores e conselheiros

Memórias de sombras e afetos

Memórias de sombras e afetos

O Verde

“Ele adentra minha mente como uma traça; percebe minha similitude e se alegra…
Estamos juntos num novo mundo. Não tenho palavras para descrever…
O verde, diz ele. Ele chama de verde.
Sinto-o lendo os rastros que outras vidas deixaram em minhas espirais celulares.
E, no reflexo do espelho verde, vejo-o a examinar antigas memórias…
… emprestadas e há muito abandonadas…

— Neil Gaiman e Dave McKean: Orquídea Negra

legenda 2

antigas memórias… emprestadas e há muito abandonadas…

legenda 3

no reflexo do espelho verde

legenda 1

Ele chama de verde

arte serial

A arte serial

 

 

Não há flores nesta casa vazia

À parte os fantasmas, nada vive aqui por muito tempo. Nem gatos, nem ratos, nem moscas, nem sonhos, nem morcegos. Dois dias atrás vi uma borboleta,

uma monarca, acho, que dançava de quarto em quarto

e pousava nas paredes e esperava perto de mim.

Não há flores nesta casa vazia,

e, temendo que a borboleta morresse de fome,

forcei uma janela até escancará-la,

fiz minhas duas mãos em copas em torno de seu ser farfalhante,

e, sentindo suas asas beijando-me as palmas tão suavemente,

a pus para fora, e a vi voar para longe.

— Neil Gaiman: A Câmara Secreta, conto do livro Coisas Frágeis Vol. 2

ser farfalhante

ser farfalhante

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Delicadas e sombrias narrativas

A fábula tão verdadeira quanto pode ser

Ah, era sim. A fábula de Mister Punch não é só um show de fantoches, sabe. Há quem diga que foi o velho Porsini que levou Punch para a Inglaterra há duzentos, trezentos anos. E é tão verdadeira quanto pode ser. Foi aí que Mister Punch recebeu seu nome. Ele troca de nome conforme os tempos mudam. Ah, mas eu o seguia lá nos tempos antigos, no inverno.

Ele fazia suas travessura e, na época, como hoje, enganava o Diabo e lutava contra o dragão.

– Neil Gaiman & Dave McKean: A Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch

A fábula tão verdadeira

Ele troca de nome conforme os tempos mudam

Mr. Punch

Não é só um show de fantoches