Lost – Season Finale 2010

The End... at Lost

The End... at Lost

Um dia, quando você estiver entediado, esperando o médico te atender, não pegue o celular. Não leia nada. Feche os olhos, finja que está dormindo e imagine uma história. Com gente que você nunca viu. Invente pessoas com nacionalidades, cores e passados diferentes. Até da sua cabeça podem vir boas histórias.

As imagens da lágrima caindo do olho do Jack e do Vincent, o labrador perdido, ao lado dele, vão ficar pra sempre na memória. Lost foi uma coisa inesperada para os padrões televisivos. Toda aquela história de cair de avião numa ilha misteriosa era só uma desculpa para as outras histórias paralelas. Essas, sim, importavam. E eram contadas de um jeito muito diferente, com um elenco multinacional e elementos narrativos bem longe de clichês da cultura de entretenimento norte-americana. Bom era sentar na segunda-feira à noite perto da fogueira e ver as histórias nascerem.

É fácil perceber como Lost influenciou outras séries de TV e talvez tenha mesmo sacudido um pouco a mesmice dos roteiristas. Mas não tem nada igual ao Lost. Mesmo com a vertiginosa corrida para elucidar mistérios na temporada final, que, ainda bem, não se deu ao trabalho de explicar tudo, gostei da forma como terminou. É como os engenheiros costumam dizer de uma obra. Não se termina. Se abandona. Jack e companhia abandonaram a viagem. Só resta acenar.

Lost Goodbye

Lost Goodbye

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A ficção fantástica e o panda vermelho

Coisas que foram sem nunca ter sido

Coisas que foram sem nunca ter sido

Gosto muito do que se costuma chamar ficção científica. Já disse aqui que coisas como Guerra nas Estrelas e Arquivo X estão no meu DNA. Na verdade, prefiro atribuir o selo ficção fantástica para diferenciar de outras coisas como biografias e obras de ficção digamos, realistas, e para poder incluir no bolo coisas como O Senhor dos Anéis (que não é lá muito científico). Portanto, robôs, hobbits, feiticeiros, vampiros, naves espaciais, viagens no tempo, elfos, super-heróis e extra-terrestres estão, para minha alegria, num mesmo caldeirão da ficção.

Assim como os fãs de vampiros, que se interessam por tudo o que se relaciona a Dráculas e Lestats da vida, tenho uma natural curiosidade por tudo o que cheira a ficção fantástica. E como outros fãs do gênero, levo isso a sério. Até um certo ponto, claro, porque a idéia é também se divertir. Jornada nas Estrelas, por exemplo. Me incomoda um pouco certos adereços de personagens de outras civilizações, que parecem ter cabeça de peixe ou a cara igual à do Ralph Finnes tostado em O Paciente Inglês. É muito exagerado. Só que os roteiros são tão livres e criativos, que compensam de longe a palhaçada visual. Deep Space Nine e Voyager tem várias histórias sensacionais. Enfim, é pura fantasia e diversão. Mas como toda diversão, tem uma dose de seriedade. Quando jogamos, seja cartas ou videogame, faz parte do barato seguir regras, talvez manipulá-las a seu favor também, mas sempre tem uma combinação entre os jogadores.

Esse FlashForward tem muitos elementos que tornam o seriado interessante. Um black-out ocorre em 2009. Nesse evento, toda população mundial fica inconsciente por 2 minutos e 17 segundos. Muitos morrem nessa ocasião, porque estavam dirigindo, sendo operados num hospital ou nadando na praia. Muitos outros sobrevivem e podem testemunhar que, durante o tal apagão, tiveram uma visão de suas vidas 6 meses no futuro. E a motivação principal da série é o que as pessoas farão a respeito de suas visões. Se um vai morrer, será que consegue impedir os acontecimentos que o levarão à morte? Quais as implicações de tentar impedir ou afetar hoje os acontecimentos de amanhã? É o velho tema da viagem no tempo. Presente em H.G. Wells, Jornada nas Estrelas e O Efeito Borboleta.

OK. E tem a face científica da parada. Quem ou o que provocou o black-out? Na trama complicada, ficamos sabendo de uma conspiração envolvendo cientistas que realizam experiências secretas, em que sujeitos não viajam no tempo, mas têm visões do futuro. E essa descoberta pode, claro, conferir um super poder para quem controla os processos de ligar e desligar os flashforwards, ou utilizar as informações do futuro a seu favor. Já tem, portanto, as bases para a criação de uma nova ordem mundial e de uma sociedade totalitarista tipo 1984, Farenheit 451 ou Minority Report. Mas, o FBI, a CIA, a Segurança Nacional, o Pentágono e o próprio presidente americano também estão de olho nesse poder secreto, então tudo pode acontecer.

Mosaico de visões do futuro

Mosaico de visões do futuro

A série tem uma correspondência com Lost. Cada personagem tem suas histórias particulares contadas nos episódios, e todos têm que lidar com suas visões do futuro. Há muitos mistérios que vão se revelando aos poucos, num pouco mais rápido que Lost, na verdade. Teve até um easter egg no primeiro episódio. Os agentes do FBI Mark Benford (Joseph Finnes, mais um inglês na TV americana) e Demetri Noh (John Cho) estão num carro parado num sinal em Los Angeles, e nessa cena podemos ver ao fundo um outdoor da Oceanic Airlines (aquela do avião do Lost).  Participei até de uma brincadeira com uma amiga que criou o conceito FROST, que mistura Fringe + Lost, por causa das viagens no tempo, conspirações etc. E porque são seriados do J.J.Abrams. Daí contribuí com a evolução do conceito para FROSTFORWARD, acrescentando as visões de futuro e mais conspirações no balaio. Foi uma outra amiga fã de Lost que me recomendou o FlashFoward. Só que ela descurtiu e parou de ver logo nos primeiros episódios. Eu segui em frente, porque, apesar de não ter uma trama em forma de quebra-cabeças tão bem escrita como o Lost, e ter algumas idiotices aqui e ali, mantive o interesse pela ficção fantástica.

A idiotice é o seguinte. Lembra que falei de levarmos a sério a diversão com a ficção científica ou fantástica? Pois é… Vou citar só um exemplo de esculhambação da série. Talvez seja falta de humor da minha parte,  mas inventaram uma organização humanitária chamada Red Panda! Uma organização fake, que serviria de disfarce aos agentes do FBI para abordarem um grupo terrorista africano. Mixaram Red Cross com WWF? É isso mesmo? E tanto o FBI quanto os terroristas deveriam ser tão zé ruelas para engolir isso? Tá. Era para ser uma pequena graçola em meio à ficção séria? Não saber jogar, tudo bem. Mas não precisa cagar no tabuleiro.

PS: Pior é que existe uma organização Red Panda(!) Mas é uma ong que promove a preservação da espécie (nunca tinha ouvido falar).

Loosing track

Agora o Lost está se explicando. Se revelando e se complicando ao mesmo tempo. Onde vamos parar?

O negócio é que, no fundo, nunca me importei com a falta de explicação. Gosto das historietas paralelas, que funcionam independente dos motivos por que os personagens foram parar na ilha. A ilha é só uma desculpa fajuta ou não.

Lógico que dá curiosidade de saber como serão amarradas as pontas da tapeçaria. Mas acho difícil que cheguem a um final tão satisfatório quanto as histórias periféricas, que são boas mesmo que abertas. Lamento pensar que vão secar a fonte das aventuras do Hurley, Sawyer, Kate, Sun e Jin, Locke, Jack, Saiyd…  Bom… vou aproveitando até o fim.

A última ceia dos perdidos

A última ceia dos perdidos

Season’s Finale – Parte 1: Lost

Sou mega-atrasada nos posts, mas fazer o que? Tanto que daqui a pouco algumas dessas séries vão voltar para novas temporadas. Outras vão demorar ou não voltar mais. Mas demorar a escrever tem algumas vantagens. As impressões ficam cozinhando em fogo baixo se misturando com outras idéias e experiências.

Histórias perdidas

Histórias perdidas

Mas, vamos ao Lost!

O sorriso de caneca da Julliet finalmente serviu para alguma coisa…

Quem diria que era possível sentir compaixão pelo Sawyer…

Dadas as circunstâncias, posso ter esperanças de o Daniel Faraday voltar? Ele é um dos personagens mais interessantes da série.

Agora, só lá pra janeiro ou fevereiro, né?

Comecei a ver Lost no meio da primeira temporada, motivada pelas recomendações de amigos. Considero um grande feito dramático da TV. Não pelo circo de mistérios, enigmas, pegadinhas, easter eggs e outras bossas. Mas pelas histórias e os personagens mesmo.

É complicado, mas simples ao mesmo tempo. Todos são apresentados aos poucos. Peça após peça de vários quebra-cabeças. Todos são bons e maus. Dá vontade de matar, mas depois você conhece uma outra faceta e entende porque o personagem é assim e passa a gostar dele ou a odiá-lo um pouco menos.

O negócio é que costumo gostar de séries por causa de um ou outro personagem (não necessariamente me identifico com ele, simplesmente gosto muito). Mas Lost não segue exatamente esse padrão de fixar uma impressão sólida sobre o personagem e dar aquele tempinho de 2 ou 3 episódios até fisgar o espectador. Não dá para gostar do Saiyd ou da Kate da mesma forma que se gosta da Abby do E.R. ou do Charlie do Life. Todos na ilha são duvidosos e incertos. Mas no contexto de suas histórias é que são personagens apaixonantes.

A chegada de Lost mexeu com os padrões das séries. Mas poucas são tão originais e positivamente surpreendentes como ela.

lost5temporada1

existências zeradas

Próximos capítulos…

  • E.R.
  • Fringe
  • Bones
  • Grey’s Anatomy
  • Life
  • The Mentalist