Era uma gargalhada curiosa, distinta, formal, melancólica

Permaneci certo tempo no corredor comprido que separava os quartos da frente do terceiro andar dos que ficavam atrás. Era uma passagem de teto baixo, escura, com uma única janela na extremidade, e com suas duas fileiras de portas pretas de tamanho muito menor que o normal. Todas fechadas. Parecia mais um corredor do castelo do Barba Azul.

Enquanto eu caminhava com passos delicados, chegou aos meus ouvidos o último som que se esperava ouvir naquele lugar tão quieto – uma gargalhada. Era uma gargalhada curiosa, distinta, formal, melancólica. Parei. Apenas por um instante, o som cessou. Começou outra vez, mais alto, pois da primeira vez, embora audível, tinha sido baixo. Transformou-se num clamor estrondoso que pareceu despertar um eco em cada quarto solitário, embora saísse apenas de um, cuja porta eu podia identificar.

— Charlotte Brontë: Jane Eyre

o último som que se esperava ouvir naquele lugar tão quieto

 

e não é que não tem pieguice?

e não é que não tem pieguice?