Não há flores nesta casa vazia

À parte os fantasmas, nada vive aqui por muito tempo. Nem gatos, nem ratos, nem moscas, nem sonhos, nem morcegos. Dois dias atrás vi uma borboleta,

uma monarca, acho, que dançava de quarto em quarto

e pousava nas paredes e esperava perto de mim.

Não há flores nesta casa vazia,

e, temendo que a borboleta morresse de fome,

forcei uma janela até escancará-la,

fiz minhas duas mãos em copas em torno de seu ser farfalhante,

e, sentindo suas asas beijando-me as palmas tão suavemente,

a pus para fora, e a vi voar para longe.

— Neil Gaiman: A Câmara Secreta, conto do livro Coisas Frágeis Vol. 2

ser farfalhante

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Delicadas e sombrias narrativas