Tenho somente meus sonhos

Equilibrium

Equilibrium

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with the golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and half-light,
I would spread the cloths under your feet
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams beneath your feet;
Tread softly because you tread on my dreams…

Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos

William Butler Yeats
Poema “He Wishes for the Cloths of Heaven”

**************************************************

Equilibrium é um filme que pesa (com trocadilho mesmo) dois elementos. Um de natureza profunda e bela sobre uma sociedade futurista condenada à privação dos sentimentos através de uma droga, o Prozium… Sem as emoções, a humanidade alcançaria um estado de grandeza civilizada, justa, harmoniosa, sem dor. Sem dor, daí… sem poesia, sem perfume, sem música, sem arte, sem paixão. O que restou, mesmo?

O outro lado de Equilibrium é interessante, mas me interessou menos. É um filme de ação, com um estilo de luta chamado Gun Kata e uma óbvia referência estética a Matrix.

Chistian Bale é John Preston, um “sacerdote” (cleric), espécie de agente  policial que persegue e reprime atividades subversivas como possuir livros, obras de arte, maquiagem ou não tomar a droga supressora dos sentimentos. Tem também o bonitão Sean Bean como Errol Patridge, sacerdote como Preston, mas que descobre o outro lado da vida através da poesia. Taye Diggs é o parceiro de Preston, Andrew Brandt. E Emily Watson é Mary O’Brien, amante de Patridge, também convertida pelas emoções, e que vai contribuir para abalar o frágil equilibrium de Preston.

Christian Bale e Emily Watson

Christian Bale e Emily Watson: desequilíbrio emocional

Se tivesse que eleger uma sequência que representasse todo o filme, minha escolha seria a cena de Bale numa batida para apreender material proibido. Numa casa ficava escondida uma coleção de relíquias que incluíam quadros, roupas, livros, discos e um gramofone. O miserável agente da polícia anti-emoçoes é devastado por uma overdose. A Nona Sinfonia de Beethoven – mas podia ser também a bateria furiosa do Mestre Marcão do Salgueiro – explode da corneta do gramofone como uma bala de canhão gigante e certeira. Christian Bale se dobra, vencido por uma força que nunca experimentou.

Desequilíbrio Emocional

Miséria dos sonhos. Pobreza dos sentidos.

A vida pelos sentidos

Sean Bean: despertando os sentidos

Equilibrium teve uma distribuição e divulgação totalmente modestas. Mas acabou virando o que minha geração chamava de filme “cult”. No boca-a-boca, formou uma legião de fãs que alugou o DVD ou baixou nos “baía do pirata” da vida. Passa no Telecine e no Max. Este site de fãs tem bastante informação. O diretor Kurt Wimmer escreveu e dirigiu o filme. Criou também o Gun Kata, estilo de luta explorado em Equilibrium e em Ultra Violet (também escrito e dirigido por ele).

Gun Kata

Gun Kata

Terminator: Salvation

Terminator salvation

Terminator salvation

Enfim, mais um bom Exterminador. Desde a sequência em que acompanhamos John Connor dentro do helicóptero, perdendo altitude, caindo e rodopiando, percebi que ia ser um daqueles filmes que não brincam com adrenalina em serviço.

Terminator: Salvation é o quarto filme da série e traz o Christian Bale no papel do, agora adulto e enfrentando a barra pesada total do futuro, John Connor. Não sei explicar, mas gosto muuuito do Christian Bale. E acho que se saiu muito bem como o protagonista. Mesmo, eu sei, dividindo o foco da história com o tal do Sam Worthington, que faz um personagem-chave da nova história, o ambíguo Marcus Wright.

De novo, nada de James Cameron. Mas e daí? Depois do xaroposo Titanic, não faz mais falta. Se bem que esse diretor McG… sei não… O cara fez os filmes das Panteras… e produziu programas de TV como o das Pussy Cat Dolls… Estranho né? Mas, eis que em Terminator: Salvation ele não deu mole. Dá umas recaídas como o penteado e figurino da personagem Blair. Ela é a hot chick da história, vivida pela índia bonitona Moon Bloodgood (que fez Pathfinders) . E ficou meio chata aquela pieguice do final. Mas… passou raspando e o resultado geral foi bem satisfatório. Fiquei até meio triste quando acabou a sessão numa noite de domingo no cine Roxy. Podia ficar a semana toda combatendo robôs exterminadores de gente numa terra devastada.

Escapismos à parte, é um ótimo sci-fi, melhor que o T3. Faz referências boas ao T1 e T2. Tem a voz original da Sarah Connor (Linda Hamilton) nas gravações que ela deixa para o filho. Mostra o jovem Kyle Reese e até o Governator Schwarzeneger dá o ar digital da graça.

E  o cara meio humano meio exterminador, heim? Legal ele… Não me conformo. Ele bem que podia voltar, né? Com um cyberheart, quem sabe? Bom! Bom! Bom! 🙂