I dream of Alice

Depp, o chapeleiro pancada

Depp, o chapeleiro pancada

As pessoas malucas são as melhores.

As melhores pessoas são as malucas.

Os caras que fazem filmes são loucos.

Dormir dormir…

Sonhar sonhar sonhar sonhar…

As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos em 3 dimensões.

A-ANTE-APÓS-ATÉ-COM-CONTRA-DESDE-EM-ENTRE-PARA-PER-PERANTE-POR-SEM-SOB-SOBRE-TRAS

Todo dia é dia de desaniversário menos um.

Li Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho quando era pequena, do tipo menor que 10. Era uma adaptação do Monteiro Lobato. Achei um saco. Como a Alice é chata. Reclama da fumaça da lagarta. Reclama do coelho. Chaaaaaaaata. Mas depois de velha, comecei a reconsiderar. Um dia tento de novo. Quem sabe, a tradução do Augusto de Campos.

Quando soube que o Tim Burton ia fazer o Alice in Wonderland, e que o Johnny Depp ia ser o chapeleiro, pensei: caraca… vai ser tipo the ultimate-madafaca-total-super maior maluquice do mundo. E ainda tem o gato sorridente (sinistro é pouco para qualificar aquele sorriso em 3d) com a voz do Stephen Fry e a lagarta, por Alan Rickman. Tudo Ótemo!

Chá das maravilhas

Chá de cogumelo das cinco

Algumas civilizações antigas respeitavam e até veneravam os loucos. Tem a ver com algo da coragem e visão dos malucos. Alguns eram pajés ou xamãs ou oráculos. Lewis Carroll era matemático… Muitas idéias caretas hoje foram totalmente malucas antes. Portanto, a loucura pode ser ruptura e transformação. Assim como a lagarta fumante vira borboleta, Alice nem é louca nem nada de trocar uma vida plena de maluquices e aventuras pela vida chata de senhora casada na Inglaterra vitoriana. Acorda, Alice. Viva a maluquice.

Ai, esses dentes em 3D...

Eu me diverti tanto tanto e tive sonhos tão bons e malucos! O uso do 3D torna a viagem mais doida ainda e não fiquei com dor de cabeça.

Mas pode ser que você ache a maior palhaçada.

Detalhitos:

  • A árvore de Sleepy Holow em Wonderland.
  • E aquela dancinha futterwacking do chapeleiro? Totalmente Beetle Juice. Maluco. Maluco.

Revendo esse poema maluco do Jaguadarte, lembrei das aulas do professor Sérgio Sant’Anna na ECO. Numa mesma aula, mixava Lewis Carroll, Guimarães Rosa, James Joyce e outros pirados neologistas essenciais. Nunca esqueci.

Jabberwocky by English illustrator Sir John Tenniel (1820-1914)
Jabberwocky by English illustrator Sir John Tenniel (1820-1914).

First published in Carroll, Lewis. 1871. Through the Looking-Glass, and What Alice Found There.

O Jaguadarte

(Lewis Carroll)
Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
“Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu. Era briluz.
As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
(Tradução do “Jabberwacky” por Augusto de Campos)