Doente de amor imaginário

amor narcisístico e imaginário

a velha neurose da mulher ideal

Às vezes, parece mais fácil imaginar as coisas. Inventar uma vida com amigos (ou namorados)  fantasiosos. Pensa só. Você pode inventar um novo marido a cada noite. Falar de mentirinha no telefone com um amante francês fake na frente de pessoas invejosas. Ler em voz alta seu livro favorito para uma platéia fictícia de admiradores. Será que é algo tão maluco assim? Será que dá pra fazer isso só um pouquinho, de vez em quando, para suprir um certo vazio, sem prejuízo para a sanidade mental?

Sei lá. Acho que foi uma meia catarse assistir a esse A Mulher Invisível. A história em si poderia surpreender um pouco mais e criar uma nova receita de comédia romântica. Em alguns momentos, pensei que ia seguir por uma alternativa diferente, mas não rolou. Todo aquele jogo sobre a neurose do amor romântico podia gerar, sem cinismo, um novo modelo de happy ending.

Adoro o Chicó, de O Alto da Compadecida. Gosto também de um curta com o Seu Jorge em que o personagem dele discute teorias sobre os filmes do Tarantino. Tem também uma atuação forte no difícil Lavoura Arcaica. Esses são alguns méritos da carreira do Selton Mello. Não acompanhei mais o que veio depois (Cheiro do ralo etc.). E ele está passando o rodo no cinema nacional.  Vai estrear em breve uma produção em que interpreta o trágico Jean Charles, brasileiro que foi morto pela policia de Londres, ao ser confundido com um terrorista. Mas ele tá ótimo nessa comédia divertida sobre a neurose de um homem que é largado pela esposa e inventa uma amante imaginária. Além da atuação do Selton, aplausos para a Fernanda de Torres, que levanta e muito a onda do filme.

Detalhe desagradável: alguns filmes nacionais têm essa coisa chata dos créditos iniciais cheios de logos de empresas e menções repetitivas das produtoras. Esse passou dos limites.