A eternidade no sangue

Ninguém mais se lembra de The Hunger e Near Dark? Só querem saber dos “crepúsculos”?

Pô, eu bem me lembro!

Nunca li Bram Stoker, nem Anne Rice, nem Stephenie Meyer. Mas já tive minha onda de paixão por vampiros. Esse post é para resgatar dois favoritos do gênero, que estão muito esquecidos. Ou seja, não passam no Telecine Cult ou no Cinemax, tipo nem uma vez por ano, saca? Nem isso. Pelo menos, nunca vi. Até The Lost Boys andou passando. Mas esses abaixo, necas!

Total Cubatão Twilight

Total Cubatão Twilight

The Hunger (Fome de Viver)

Com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Surandon

Direção do Tony Scott

Dark, erótico-lesbian-chic, com muitos pombos voando e muito contra-luz.

Catherine Deneuve é a sedutora Miram Blaylock, que sai, junto com David Bowie, à caça de suas vítimas pelas noites de… Nova York (eu acho).  Miriam começou sua existência em algum momento no Egito antigo. Através dos séculos, vai transformando vítimas em vampiros como ela. Bowie é seu parceiro desde o século 18.  Só que os transformados não duram para sempre e Susan Surandon (Sarah Roberts) é uma candidata para substituir Bowie.

A trilha sonora é um dos grandes trunfos do filme. Acho até uma boa arma de conversão de ouvintes para a música clássica. Foi com essa trilha que me apaixonei pelo Trio Op. 100 de Schubert (o mesmo tema aparece em Barry Lyndon, do Stanley Kubrick), pelo Dueto da Flor da ópera Lakmé, de Leo Delibes, e pela suíte nº 1 para violoncelo de J.S. Bach. E ainda tem o Bauhaus, com “Bela Lugosi is Dead”, que abre o filme.

O diretor, Tony Scott, é irmão do Ridley (Blade Runner, Os Duelistas, Gladiador). Não sei se fez comerciais de TV que nem o bro, mas adora abusar do clichê de pombos voando e contra-luz ad nauseum.

O livro (The Hunger – Whitley Strieber na Amazon) também é bom. Conta a história da Miriam desde a Roma Antiga, quando salva um condenado à cruz e “transforma” ele em seu companheiro de eternidade. Pelo menos, enquanto a eternidade durou pra ele, coitado…

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Clã dos Caninos Sugadores

Clã dos Caninos Sugadores

Near Dark (Quando Chega a Escuridão)

Direção da poderosa Kathryn Bigelow.

Com Adrian Pasdar (o mutante voador Nathan Petrelli de Heroes) e Lance Heriksen (o Frank Black, da série Millenium).

Caleb (Pasdar) é um bobão que vai parar numa gangue de vampiros e é “convertido” por uma lourinha. Só que ele é tão bobão que ela tem que alimentar o cara, tipo: ela morde o próprio braço e deixa ele chupar. Mas a gangue não tem os mesmos planos para Calebobão.

O filme é cheio de homenagens aos filmes do ex-maridão, James Cameron, e aos clássicos faroestes e road movies. Assisti quando era estudante de Comunicação e via filmes sem parar, numa ambição bocó para saber de tudo sobre cinema. Quando lembro que não perdia uma edição do Cahier du Cinema, que chegava todo mês na biblioteca da ECO, penso: pô, que mala, aí…  🙂

Play Station 1:  Lembrei de mais uma coisa… O Historiador. É um romance mais recente. Beeeem interessante. Ficou ofuscado pelo Código Davinci.

Play Station 2:  Ih, também tem aquele filme A Hora do Espanto, com o Chris Sarandon. Na época em que estreou nos cinemas, foi o maior su. Só gostei do primeiro filme. A sequência foi bem fraca.

Visão além da visibilidade: U2 – No line on the horizon

Tem disco que se ouve e que se repete logo em seguida. Isso me aconteceu quando ouvi The Joshua Tree e All That You Can’t Leave Behind. Mas com No Line On The Horizon, foi diferente. Ouvi no dia seguinte ao da compra, mas não repeti. Depois, voltei a ouvir enquanto trabalhava. Daí, li uma matéria na Rolling Stone. A banda decidiu lapidar exaustivamente o novo álbum. Adiou o lançamento que seria em novembro do ano passado.  E fez uma jóia luminosa.

I know a girl / Who’s like the sea / I watch her changing / Every day for me 

One day she’s still / The next she swells / I can hear the universe / In her seashells 

U2 – No Line on The Horizon

 

U2 - No Line On The Horizon. Álbum tem o projeto gráfico mais bonito de todos.

U2 - No Line On The Horizon. Álbum tem o projeto gráfico mais bonito de todos.

 

Curioso como eles se renovam mas, ao mesmo tempo, soam como eles mesmos sempre. Tem até faixa meio instrumental, como nos tempos de October. Depois de uma certa indiferença com a primeira audição, ficaram ecoando uns sons meio Led, meio Hendrix na cabeça. Até a ficha aterrissar suavemente e colar definitivamente no cérebro.

I know a girl 
Whos like the sea 
I watch her changing 
Every day for me 
One day shes still 
The next she swells 
I can hear the universe 
In her seashells 

I was born / I was born to sing for you 

I didn’t have a choice but to lift you up / And sing whatever song you wanted me to 

I give you back my voice / From the womb my first cry, it was a joyful noise… 

Only love, only love can leave such a mark / But only love, only love can heal such a scar 

U2 – Magnificent

O álbum é coeso, coerente, cíclico. Perco a noção do início e do fim. O trabalho de escolha da ordem das faixas foi compensador. Eles não só melhoraram com o tempo. São melhores músicos, criadores. Acrescentam coisas novas. Se reinventam. E se sintetizam, se cristalizam.

I was right there at the top of the bottom / On the edge of the known universe where I wanted to be 

I had driven to the scene of the accident / And I sat there waiting for me 

Restart and re-boot yourself / Youre free to go / Oh, oh / Shout for joy if you get the chance / Password, you, enter here, right now 

U2 – Unknown Caller

O ATYCLB já era uma síntese da música feita pelo U2. NLOTH é mais um exemplo de síntese. Só que eles não se desgastaram, não soam cansados. Tem sempre frescor e um olhar que parece vir de fora. A banda de nome reduzido está na fase dos álbuns de nome comprido. All That You Can’t Leave Behind, How To Dismantle Un Atomic Bomb, No Line On The Horizon.  Em oposição a Boy, Ocober, War e Pop. 

There’s a part of me in chaos that’s quiet / And there’s a part of you that wants me to riot  / But change of heart comes slow… 

It’s not a hill it’s a mountain / As you start out the climb

U2 – I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight

1980 foi uma ano estranho. Quero dizer, deve ter sido. O que uns caras na Irlanda ouviam nos anos  70? Punk, Hard Rock, Rock Progressivo? U2 foi um dos construtores do som feito nos anos 80. Seguindo as pegadas fortes deixadas pelo punk, vieram eles, o Echo, a Susie, os Smiths. Como explicar a simplicidade e a beleza do som que The Edge tira da guitarra? Um som que contaminou o mar musical daquela década e ecoa até hoje. Me lembro de sair correndo de onde estivesse para aumentar o rádio quando tocava os primeiros segundos de I Will Follow na Fluminense FM (ai! os bons tempos da Maldita).

As boys we would go hunting in the wood / To sleep, the night shun out the stars 

Now the wolves are every passing stranger / Every face we cannot know 

For only a heart could be as white as snow 

U2 – White As Snow

As letras são indissociáveis da música. O Bono é um incrível poeta que honra a ilha dos artistas da palavra: a Irlanda. No álbum ATYCLB tem aquela faixa Wild Honey em que ele solta sutilmente “Is there any sweetness at all?”  São esses pequenos fragmentos, aparentemente aleatórios, que entram e saem do contexto da canção, que me capturam irremediavelmente. E esse novo álbum esconde várias dessas gemas. Vale a pena procurar.

The roar that lies on the other side of silence / The forest fire that is fear so deny it 

U2 – Breath

Brian Eno, que, junto com Daniel Lanois, produz os álbuns da banda desde The Unforgettable Fire, é meio que uma lenda viva da música. E sua mão é sentida nitidamente no som do U2. Até hoje. São os mesmos elementos combinados com um mistério surpreendente de novidade. Mas ouvindo o disco novo, para o qual Eno contribuiu também como compositor, percebi um diálogo bem claro entre ele e a banda. Um diálogo com as colocações bem delimitadas Eno X U2. Muitos arranjos, loops e outras interferências do produtor são inalienáveis da voz e dos intrumentos da banda. Mas tem uma coisa misteriosa. A linha sonora formada pelos quatro elementos voz, guitarra, baixo e bateria são o coração do álbum. E o que Eno derrama é um bálsamo de luminosidade. Fica evidente que produtor se enche de amor pela música. A “visão além da visibilidade”, cantada na faixa Moment of Surrender, está preservada.

At the moment of surrender / Of vision over visibility 

U2 – Moment of Surrender

Essa nuvem sonora do U2 é maior que tudo na banda. Maior que o cenário high tech dos shows, o apelo visual dos discos ou o engajamento político-social do grupo. É a música que conta. E é muito bom quando, simplesmente, quatro caras pegam os instrumentos e o microfone e mandam ver, silenciando tudo à volta. Sou fã deles por isso. Mas, só por isso já é muito.

Choose your enemies carefully ‘cause they’ll define you / Make them interesting cause in some ways they will mind you

They’re not there in the begining / But when the story ends / Gonna last with you longer than your friends

U2 – Cedars of Lebanon

Em 2008 – parte 3 – filmes – the end

 

BEOWULF

Beowulf - lenda em 3D

Beowulf - lenda em 3D

Já faz um ano que esse entrou em cartaz nos cinemas daqui. Ontem estreou na HBO.  Na época da estréia, eu estava um pouco desconfiada de um filme feito nessa técnica de computação gráfica modelada nos corpos dos atores, se posso definir assim. Mas, juntando a lenda, que é muito interessante, os atores e o Neil Gaiman (roteirista), não dava pra resistir.

E acabei achando muito acertada a opção por essa técnica. Podia ser mais um filme com fotografia estilizada, com efeito meio onírico, tipo O Senhor dos Anéis. Mas os realizadores escolheram dar um passo adiante nessa técnica de animação, e acabaram criando uma impressionante dramatização da lenda com tudo o que ela merece em termos de qualidade artística.

O filme é dirigido pelo Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro e Forrest Gump). O que para mim também era estranho. Mas depois lembrei que ele fez aquele Expresso Polar, que também emprega a mesma técnica. E já está preparando outro (A Christmas Carol) para o natal deste ano.

E o que essa técnica oferece de bom? Para começar, como se trata de um tema de fantasia de reis, heróis, dragões e tesouros, já permite uma viagem na empada sem limites para os realizadores. E podem se apoiar na expressão autêntica dos atores (Anthony Hopkins, Angelina Jolie, John Malkovich e outros) para garantir um tanto mais de realismo e emoção.

Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli

Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli

 

Lembro como fiquei impressionada com o primeiro Final Fantasy, em que tinha uma equipe gigante só para criar o movimento dos cabelos do personagens. Nesse filme, a técnica era de animação 3D pura, sem captar imagem de atores. E já representava um grande avanço nos movimentos, expressão facial, textura dos cabelos e pele.

Mas, voltando ao Beowulf, gosto demais da iara-dragão da Angelina Jolie. Adoro as canções obcenas que perturbam Grendel, o terrível monstro do ouvido absoluto, vivido por Crispin Glover, que também é impressionante. E o que dizer da mágica que transforma o Ray Winstone em Beowulf? A voz é perfeita para o guerreiro lendário. Mas o corpitcho, com certeza foi modelado em alguém tipo o Sean Bean em seus melhores anos… Acho que foi isso que fizeram, mas não contaram nada para o Ray. He-he-he-he!

 

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA – PRÍNCIPE CASPIAN

Eu gostei mais do outro. Aquele do guada-roupa, feiticeira, blablabla. Acho que pela fofice comovente da Lucy, que no outro filme está mais crescidinha. E por resgatar uma lembrança muito frágil da infância. Vi alguma versão para TV, talvez a da BBC ou algum desenho animado que passou na Globo ou SBT. Só me veio esse estalo na cena do Leão sacrificado na mesa de pedra. E depois, quando os quatro irmãos estão crescidos e reencontram o caminho do guardaroupa.

E principe Caspian é a cara do rodrigo santoro

E príncipe Caspian é a cara do rodrigo santoro

Eram alguns detalhes que compensavam a coisa bastante açucarada do primeiro filme. Esse novo é mais sombrio, triste e violento. Mas tudo isso não ajudou a fazer uma sequência melhor para a série. Não que seja de todo ruim. Diverte num sábado à tarde. Por outro lado, 2008 teve muitos filmes de fantasia e aventura concorrendo. O suficiente para embolar uma história na outra e um filme obscurecer o outro. 

Agora, um pouco depois de ver o filme, li o Coisas Frágeis, do Neil Gaiman, que dedicou um conto ao exorcismo de um problema que ele sempre teve com As Crônicas de Nárnia. É uma questão difícil, porque, não querendo desmercer o valor literário da obra de C. S. Lewis, até porque nunca li, fazer alegorias religiosas em histórias de fantasia pode ser um tiro no pé. Tem metáforas óbvias do cristianismo no filme. Como o Leão que se sacrifica, e ressussita, sendo testemunhado por duas irmãs (Marta e Maria ou Susan e Lucy).  Mas, sinceramente, não acho que isso tenha comprometido muito o filme.

Dizem que os colegas Lewis e Tolkien, ambos cristãos (o primeiro, anglicano e o outro católico), discordavam sobre envolver a religião em suas obras. Apesar de existirem autores que decifram signos cristãos em O Senhor dos Anéis, Tolkien parece evitar isso ao máximo. Acho que o único termo que remetia ao universo judaico-cristão-muçulmano ocorre em alguma passagem em que se refere a anjos. Mas pode ser viagem minha. E não sei se era em O Senhor dos Anéis ou no O Hobbit (ainda não li o Simarillion).

O que me encomoda é quando o autor usa esses conceitos e mata o efeito de transportar completamente o leitor para o outro universo. Com Tolkien, isso não acontece. E é um dos grandes méritos do SDA. No máximo, perturba um pouco a semelhança com textos do Antigo Testamento (fulano é filho de fulano que é filho de fulano X 1000). Mas até nisso ele se safa, porque as sagas escandinavas também usam esse recurso repetitivo, por ser uma tradição oral das histórias. E o fato dele manter o calendário da Terra Média com os meses de janeiro a dezembro também podia ser diferente. Podia ter inventado um calendário totalmente fictício e cortar mais ainda a conexão com o tempo presente. Mesmo assim, a Terra Média é um universo totalmente além da imaginação.

Mas o tal conto do Gaiman meio que tenta resgatar a personagem Susan de um karma triste e injusto. Papo de não ir pro céu porque pecou. Bom… eu tenho uma edição completa das Crônicas, que ainda não li, e emprestei para minha irmã adolescente. Ela destestou e me devolveu antes de terminar de ler. Estranhei porque ela pediu emprestado com tanta curiosidade e entusiasmo, mas se decepcionou totalmente. Falou que é muito cheio de conceitos cristãos, ao ponto de não ser divertido. 

Li em algum lugar que a Disney abriu mão dos direitos da obra, porque o desempenho nas telas foi fraco. E parece que ninguém está interessado em dar sequência à série. 

 

HELLBOY 2: THE GOLDEN ARMY

 

vermelho e bizarro como nunca

vermelho e bizarro como nunca

O diabão vermelho voltou. Que bom! Não consegui ver no cinema, porque saiu de cartaz em 2 semanas (!). Mais uma vítima da enxurrada de filmes de ficção fantástica de 2008. 

Ele voltou e com a acidez e esquisitice de sempre. Aliás esse Ron Perlman, que faz o Hellboy, é um dos exemplos mais incríveis de ator perfeito para o personagem. Lembra dele na Guerra do Fogo e em O Nome da Rosa? Ele podia gritar feito o Beowulf e o rei Leônidas: “I Am Hellboy!”

A trama te uma coisa meio role playing games. Segredos que vão despertar um exército dourado do passado. Traquitanas e armadilhas complicadas.

Tem sempre gosmas, maquiagens bizarras e tramas malucas. E eu gosto pra caramba.

 

 

CASSANDRA’S DREAM

crimes e castigos de woody allen

crimes e castigos de woody allen

 

 

Gosto dessa onda Crime e Castigo do Woody Allen. São filmes sérios. Sobre medo, ganância e assassinato.  

Dois irmãos aceitam entrar num esquema para tentar uma grana alta que vai resolver seus problemas e de um tio rico, porém encrencado.
A ambição e a culpa empurra os dois para um poço de pesadelo sem fim.
E ver Ewan McGreggor e Colin Farrell é sempre bom.

Eu “recomeindo”.

 

 

CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO

o pintor e o jardineiro

o pintor e o jardineiro

Essa é uma daquelas histórias que nem sei como verbalizar os motivos porque gostei. É simples e profundamente belo. 

Daniel Auteil é um pintor que resolve voltar à casa de campo de sua infância e reencontra um velho amigo, que agora, trabalho como jardineiro.

As diferenças dos dois vão sendo vencidas por uma amizade regada pelas conversas no jardim. E suas vidas florescem e espelham o curso da natureza.

 

 

 

 

ATONEMENT (DESEJO E REPARAÇÃO) 

Escrever é um ato de transformação. Pode transformar intimamente quem escreve, mas também transfigurar a realidade à sua volta.

Em Desejo e Reparação, o som metálico da máquina de escrever quase se camufla na trilha sonora e serve de marcação das cenas em que a realidade da trama começa a se fragmentar no delírio de uma pequena escritora. Sua imaginação e seu forte desejo de encontrar um lugar no que acontece ao seu redor, empurram a personagem para o redemoinho do dilema entre culpa e honestidade.

A propósito da honestidade e da realidade

A propósito da honestidade e da realidade

O romance de Ian McEwan está na minha lista de pendências literárias. O filme do Joe Wright é um dos melhores do ano passado. Parecia um novo épico romântico passado na segunda grande guerra. Porém, é muito mais do que isso. Há uma forma de contar a história totalmente original e intrigante.

O diretor repete um exercício que adora: filmar um longo plano-sequência. Em seu filme anterior, Orgulho e Preconceito (acho que é por isso que o título original Atonement, que significa reparação ou expiação, virou Desejo e Reparação, como se fosse uma tendência do cineasta por títulos com 2 palavras…), Joe mostra a personagem Elizabeth Bennett (Keira Knightly, que também faz Atonement) passando em frente à casa da família e a câmara adentra a sala, passeia por vários cômodos, rodopia e reencontra Lizzie passando por outra porta. O efeito é muito bonito e retrata o clima bucólico da vida na Inglaterra campestre do final do século 18. 

Em Atonement, ele repete a dose numa sequência em que soldados ingleses se encontram numa praia onde aguardam resgate em meio a um teatro de barbaridades.  A câmara passeia em tomada ininterrupta por mutilados que gemem, loucos que gritam, bêbados que jogam e riem.

Mas todas  as situações delirantes ou não das belas imagens de Atonement se confundem, entram e saem continuamente da imaginação de uma personagem. É ela quem manipula a trama em seu contexto real e imaginário. É muito doido.

No mais, o filme tem atores ótimos, como a Keira Knightly, James McAvoy (gosto cada vez mais dele) e a lendária Vanessa Redgrave.

 

THERE WILL BE BLOOD (SANGUE NEGRO)

Esse  concorreu ao Oscar do ano passado e conquistou o de melhor ator para Daniel Day-Lewis. Não consegui ver no cinema (difícil dar conta de tudo em 2008…). 

day-lewis dá o sangue por plainview

day-lewis dá o sangue por plainview

O filme narra a saga de Daniel Plainview (Day-Lewis, cada vez mais raro nas tela, mas não menos extraordinário). Apesar do nome, Plainview tem uma visão bastante arrojada da vida e dos negócios e, após anos de ralação e trabalho braçal, ergue uma enorme corporação de exploração do petróleo. A ascensão de Plainview, sua conturbada relação com o filho adotivo e os conflitos com a comunidade onde explora o “sangue negro” são os principais elementos da trama de There will be blood (Sangue Negro). 

E puxa vida… que filmaço. Diferente de tudo que eu tinha imaginado. Econômico nos diálogos. Com saltos e cortes abruptos, que parecem querer puxar o expectador por uma janela de distanciamento crítico. 

O diretor Paul Thomas Anderson tem projetos bem diversificados no currículo como os filmes Boogie Nights e Magnólia, episódios de Saturday Night Live e comerciais de TV. Mas nesse There will be blood (Sangue Negro), Anderson cria algo realmente diferente para o cinema.

E a trilha sonora é outra surpresa, com tema orquetral de Jonny Greenwood (guitarrista do Radiohead) e obras de Brahms e Arvo Pärt.

 

O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN

Fiquei meio decepcionada com esse, que aguardei sair nos cinemas, mas foi direto para DVD. Adoraria fazer parte de um clube de leitura de Jane Austen ou de leitura em geral. Mas não gostaria de formar clube com as personagens desse filme. Talvez com a Bernadette (Kathy Baker), que parece a única que gosta mesmo dos livros. O resto é um bando de chatas, que, apesar de estarem no século 21, têm vidas mais tediosas que as pobres heroínas de Austen.

não convidem Jane Austen para esse clube

não convidem Jane Austen para esse clube

Mesmo sendo uma fonte de inspiração para as tramas de confusão e desencontros amorosos, típicos das comédias românticas mais batidas, a obra de Jane Austen não foi bem aproveitada nesse filme. Pena… O argumento é parecia bom. 

A única coisa realmente legal foi descobrir a música do Paolo Nutini (“New Shoes”) que toca na abertura do filme.

Para quem gosta da autora, recomendo o blog Jane Austen em Português

 

 

BECOMING JANE

Outro que foi direto para o DVD e HBO ao mesmo tempo. Tem fãs de Jane Austen que não gostam dessa cinebio imaginária da escritora. Os créditos do filme afirmam se basear em cartas e outros escritos de Jane. Anne Hathaway (de O Diabo Veste Prada) interpreta a jovem Jane, que ainda não publicara seus romances, apresentando-os apenas para sua família.
Nasce uma escritora.

Nasce uma escritora.

Filha de um pároco do interior da Inglaterra, Jane não tem grandes perspectivas de casamanto. As poucas que tem, recusa por julgar que merece se casar por amor. Mas tem um romance proibido com um jovem advogado, Sr. Tom Lefroy (o meu novo queridinho James McAvoy). 

O tal Lefroy realmente existiu, mas seu romance ardente com Jane é uma opção fictícia do filme, que é bastante focado nesse aspecto da vida da autora de Orgulho e Preconceito.
Mas gostei do filme. Embora derrape historicamente, mostrando um comportamento íntimo dos casais muito pouco comedido para o século 18,o filme  retrata um cenário social bem no clima das obra de Jane. Todas as regras de comportamento, discurso moral e hipocrisia da sociedade inglesa observados por Austen de forma tão esmerada em seus livros, estão presentes na trama do filme. E heroínas como Elizabeth e Jane Bennet, Elinor e Marianne Dashwood ou Anne Elliot estão diluídas nas personalidades e nos destinos de Jane e sua irmã Cassandra Austen. 

No Brasil,  o filme ganhou o título ralo de Amor e Inocência (só pra ajudar a achar em DVD e na programação de TV).

 

MARGOT AT THE WEDDING

Desse só quero comentar que gosto muito dos atores Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh e Jack Black. Mas apesar deles, e da história ser diferente do usual, achei meio chato.

palavras em ação

palavras em ação

Nicole e Jennifer são duas irmãs com questões mal resolvidas. Nicole (Margot) vai ao casamento de Jennifer (Pauline) com Jack Black (que até em filmes sérios e densos é bom, sem deixar de ser engraçado). Os dias de véspera do casamento são um desenrolar de brigas, choros, reencontros dolorosos. Tudo muito centrado nos diálogos, embora as pessoas quebrem o pau se deslocando bastante, mudando de cenário (ora dentro de casa, ora caminhando num bosque ou dirigindo um carro), o que confere alguma ação ao filme.

É cheio de frustrações e problemas não resolvidos. Parece com a vida. E bem chato como ela muitas vezes é.

 

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Fecho com esse sensacional longa-metragem que só consegui ver em DVD. Na verdade, é um filme de 2007, mas, se não me engano, chegou ao Brasil no ano passado. Assisti depois de Ensaio sobre a Cegueira, com quem tem lá alguns laços simbólicos. Mas o Escafandro e a Borboleta é uma experiência bem diferente.

vida dentro do escafandro

vida dentro do escafandro

Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric, o vilão do último 007) é o poderoso editor da revista Elle, que sofre um derrame e perde os movimentos quase totais de seu corpo. Depende de aparelhos para manter seus pulmões, coração e outros órgãos funcionando, e se comunica com o piscar de um dos olhos, único movimento que consegue controlar.

Duas mulheres (lindas como anjos) ajudam Bauby  a dominar a linguagem do olho e a tentar recuperar o movimento da boca para talvez voltar a falar. E tudo é mostrado pelo olho de Bauby. A câmera fica “oculta” por trás de seu olho e acompanha toda a angústia e frustração do personagem. Ouvimos tudo que ele queria ter dito de verdade e que não transmitiu com as piscadas. Aliás, este é um método super complicado, em que seu interlocutor encadeia as letras do alfabeto na ordem em que estas são mais utilizadas na língua francesa. E, O, L, R, M (algo assim). E, conforme se diz a letra da palavra que quer formar, o paciente pisca indicando para parar naquela letra. Lentamente, as palavras vão se formando. Bauby e seus anjos avançam na liguagem do “pisca-letras” e o ex-editor, consegue um arremedo de vida para o corpo aprisionado.

E é isso que gostaria de contar. No mais é um dos filmes mais bonitos e emocionante que já assisti. Difícil de descrever com justiça.

 

Repescagens….

Esses são anteriores, mas só consegui ver em 2008.

 

 

SURF’S UP (TÁ DANDO ONDA)

 

pinguim é a maior onda

pinguim é a maior onda

Pinguins surfistas num filme de animação com uma dinâmica meio de ficção, meio de documentário. E tem vozes de surfistas de verdade.

 

É sensacional! O melhor de tudo é o velho surfista solitário com voz do Jeff Bridges. Tipo um Big Lebowski das ondas. E tem o frango surfista perdido entre os pinguins… Já tou com vontade de ver de novo.

A trilha sonora é maravilhosa, com direito a uma inédita da Lauryn Hill.

 

 

 

ZODIACO

assassino de aries a peixes

assassino de aries a peixes

 

 

Muito bom filme, baseado em história real do chamado assassino do Zodiaco, que mandava cartas à redação de um jornal de San Francisco, enlouquecendo as vidas de jornalistas e policiais nos anos 70.

Tem ótimos atores: Jake Gyllenhaal, Mark Rufallo e Robert Downey Jr. (por favor, continua assim que tá ótimo, bicho! ). 

Podia realmente ser menos longo (concordo com minha amiga Julie).

 

 

A PELE, BIOGRAFIA IMAGINÁRIA DE DIANE ARBUS

sob a pele de uma fotógrafa

sob a pele de uma fotógrafa

Há muitos anos li um livro da Susan Sontag sobre fotografia. Entre vários aristas das lentes, ela se detem sobre a obra de Diane Arbus. Lembro do texto de Sontag descrevendo as pessoas clicadas por Diane. Os mais diversos tipos marginalizados de Nova York, como anões, mulheres barbadas e outros freaks.

 

Esse filme com Nicole Kidman e Robert Downey Jr. é um belo e carinhoso retrato fictício da fotógrafa tão incompreendida em sua época. O título original em inglês, “Fur” (que quer dizer pele, mas do tipo peluda como de mink, chinchila ou qualquer outra que serve para casacos de pele), remete ao ramo da família de Diane, que comercializava casacos de pele.

Pele também  é o objeto imediato da curiosidade da fotógrafa, que conhece e se envolve com o vizinho, vivido por Robert Downey Jr., que sofre de hipertricose. Tem o corpo inteiramente coberto de pelos como um urso. 

O filme constrói um possível universo interior de Diane Arbus, dividida entre sua família conservadora, e a irresistível atração pelo exótico mundo dos outsiders.

 

ACROSS THE UNIVERSE

Beatles. Há quem não goste dos Beatles. O que acho estranho, pois eles são tão desiguais. Ao longo de 8 anos de existência, a banda fez cada álbum tão diferente do anterior. São várias facetas dos Beatles. Revolver está bem distante de A Hard Days Night, que não tem nada a ver com o White Album.

beatles, amor e revolução

beatles, amor e revolução

E que tal um filme que atravessa os anos 60 ao som dos Beatles? Era uma vez um cara chamado Jude, que se apaixona por Lucy. Eles vão para Nova York e moram na república da sexy Sadie, onde também vive a querida Prudence. 

E por aí segue o filme da ótima Julie Taymor (Titus e Frida). Uma explosão extasiante de cores, música, paz e amor ao som de Hey Jude, Lucy in The Sky with Diamonds, Dear Prudence, Helter Skelter, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e muitas outras, com direito a Bono cantando The Walrus. Mas nada remete a uma coleção de videoclipes. É muito mais que isso. Destaque para a cena mais bonita e impactante do filme, quando ouvimos Strawberry Fields Forever. 

 

TRILOGIA JASON BOURNE 

A Identidade Bourne

A Identidade Bourne

Esses filmes são o exemplo do gênero tiros, socos e correrias mais legais de assistir. Me rendi desde o primeiro, A Identidade Bourne. Apesar do Matt Damon, que não considero grandes coisas, é uma excelente aventura de espiões com roteiro sempre inteligente.

Os filmes mais populares de ação sempre me intrigaram, pois tenho dificuldade de acompanhar as cenas de batalhas, tiroteios, perseguições, aviões se bombardeando etc. Acho tudo muito rápido e acabo me intediando. Acho que foi o 300 que conseguiu me fazer acompanhar uma cena de batalha realmente maravilhada com toda a ação.

A Supremacia Bourne

A Supremacia Bourne

 

Mas nos filmes do Bourne, sei lá, não tem nem importância ficar sem entender totalmente a trama. A história funciona de qualquer jeito. E os dois últimos filmes, A Supremacia Bourne  e O Ultimato Bourne, são ainda melhor nesse aspecto. Foram dirigidos pelo Paul Greengrass (um dos cineastas mais interessantes do momento, ele fez também aquele Vôo não sei que lá da United), e têm o ritmo mais alucinado e vertiginoso ainda.

 

O Ultimato Bourne

O Ultimato Bourne

Coloquei a trilogia na lista porque foi apresentada em maratona no Telecine há uns meses atrás. E é incrível como a gente assiste um seguido do outro e fica com vontade de voltar a ver o primeiro, assim que o último acaba.

 

Além disso, o tema do Moby, Extreme Ways, é uma das minhas músicas favoritas do careca descendente de Herman Melville.

 

 

APOCALYPTO

Antes de mais nada, devo dizer que tenho uma bronca violenta do Mel Gibson como diretor. Tipo, eu nunca vou ver aquele do cristo, nem o da guerra de independência (apesar de ter o Heith Ledger, que Deus o tenha), nem aquele outro da guerra do Vietnã. Não me interessam as idéias revisionistas e reacionárias do cara. Prefiro ele como ator.  Pode ser canastrão, mas é lindo de morrer e carismático.

As exceções são o Brave Heart (apesar dele demonstrar uma homofobia descarada quando o rei defenestra o namorado do principe), o Homem sem face (ótimo) e esse mais recente, Apocalypto.

 

uma boa aventura do Gibson

uma boa aventura do Gibson

Gibson faz questão de tornar autêntica a reconstituição de época de seus filmes. Isso se vê em Brave Heart e, pelo que li, também naquele das guerras de independência (que conta com consultoria do Smithsonian Institution) e no do cristo ensanguentado feito uma picanha na cruz (falado em aramaico e o caramba). Esse rigor não garante bons filmes, mas é levado adiante com o Apocalypto, onde os atores falam uma língua que a divulgação do filme informava ser muito próxima da que os antigos astecas ou maias, sei lá, falavam. E ainda tem toda a parte de maquiagem, figurino (mínimo, pra falar a verdade) e adereços.

Mas o que importa dizer é que é um ótimo filme de ação, com tudo que uma narrativa clássica da jornada do herói tem direito. Nem precisava de tanta preocupação com a língua da época. Li uma resenha, acho que do NY Times, na época que estreou nos EUA, criticando o filme pela correria ininterrupta do personagem principal. Realmente, ele corre em boa parte do filme, mas acontecem taaaaaantas coisas. É bem bacana e passa no Telecine.

 

Lacunas …

Esses ainda não consegui ver. Ficaram para 2009, quem sabe?

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

A CULPA É DO FIDEL

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AGENTE 86

ANTES DE PARTIR

DAN IN REAL LIFE (A NAMORADA DO MEU IRMÃO?)

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MADAGASCAR 2

HORTON E O MUNDO DOS QUEM

ROLLING STONES – SHINE A LIGHT

FAVOR REBOBINAR

BODY OF LIES (RIDDLEY SCOTT)

Em 2008 – parte 2 – filmes (ainda…)

Achei melhor continuar em outro post de filmes.

 

SWEENEY TODD

Quem não gosta de musicais costuma ser intolerante mesmo quando os atores cantam só um pouquinho. Basta um personagem responder a uma pergunta cantando pro odiador de musicais imediatamente resmungar “ai, não. pra que cantar? fala como uma pessoa normal, pelo amor de deus… ”

cantando e cortando gargantas

cantando e cortando gargantas

 

 

Bom, o filme mal começa e o Johnny Depp manda no gogó. Portanto, se você odeia musicais, vai achar um saco já de início. Eu nunca tinha visto nenhuma versão do Sweeeney Todd. Tem um filme chamado O Barbeiro de Londres, que passava na HBO, com parcialmente a mesma trama. Um barbeiro que se vinga de inimigos do passado utilizando suas ferramentas de trabalho. É uma história essencialmente sanguinolenta.

E nessa versão do musical de Stephen Sondheim, feita para o cinema pelo gótico  Tim Burton, o sangue espirra bem gosmento e abundante. Eu gosto bastante dos cenários e do figurino usado pelo Johnny Depp e a Helena Bonham Carter. É tudo preto, cinza, marrom e vermelho. A história é curiosa e infame. No mínimo, faz a gente hesitar antes de comer tortas de carne…

Incrível que a música do Sondheim seja tão coerente com uma trama exagerada, sombria e  absurdamente violenta. Porque, ao mesmo tempo, dá pra sair  assoviando depois do filme como se fosse um tema romântico.

 

MAMMA MIA!

Fui adolescente nos anos 80. Ou seja, criança nos anos 70. Não tinha idade para curtir totalmente a época doAbba, Bee Gees, Elton John, essas coisas. Fui barrada no cinema tentando ver Grease, com John Travolta e Olivia Newton-John. Então, carrego uma certa nostalgia dessa década, mesmo não tendo vivido grandes coisas. E a música dessa época foi o que mais me marcou.

na abba dos anos 70

na abba dos anos 70

 

 

Por isso, Mamma Mia! desperta uma euforia indescritível. Não tem como ser indiferente aos hits do Abba e às paisagens de sonho da Grécia, onde a Meryl Streep (sempre impecável) vive uma mãe solteira, dona de uma pousada, que reencontra três ex-namorados (Pierce Brosnan, Stellan Skarsgård e Colin Firth – nenhum deles sabe cantar, mas pouco importa…). Um deles é o pai de sua filha (Amanda Seyfried). E é ela quem convida os três a visitarem a ilha onde mora com a mãe, para descobrir quem é seu pai. A mãe nem desconfia da confusão que a filha armou.

Mulheres com uns 5 a 10 anos a mais que eu, então, surtam. Embora o filme seja muito mulherzinha, tinha um bom número de cavalheiros na platéia do cinema Roxy, que cantava junto, ria às gargalhadas e batia palmas ao som de Dancing Queen, Gimme Gimme Gimme (A man after midnight) – aquela que a Madonna sampleou -, Mamma Mia e muitas outras.

 

 

ARQUIVO X 2

Vem baixando bastante o preço da caixa com todos os episódios de Arquivo X. Já está custando em média 500 pratas o big box com as 9 temporadas. Quem gosta e tem condições de arcar com uma mensalidade de R$ 41, já pode parcelar em 12 vezes. Enfim… é o preço de uma blusa. Mas é claro que, com paciência, dá pra baixar tudo via torrent. Também é uma opção.

eu prefiro não acreditar

eu prefiro não acreditar

 

 

Escrevo isso, porque estou aos poucos me animando a cometer esse “cartãodecreditocído”. E porque quem gosta mesmo, tem mais é que rever e se agarrar aos bons momentos dos agentes Fox Mulder e Dana Scully.

O primeiro longa-metragem do Arquivo X é muito bom. Estreou quando a série estava em seus melhores momentos e o filme está a altura dos melhores episódios.

Quanto a esse Arquivo X 2… Com mil ETs verde-folha! Deviam chamar de  The X-Files – I Don’t Want to Belive. Se os atores, diretor e produtores gostam da série, porque trataram o filme desse jeito? 

Me parecia coerente, num ano com tantas produções de ficção e fantasia, superheróis e tal, que resgatassem o Arquivo X. O Chris Carter parece até que tinha sido abduzido. Nunca mais fez nada. Então fiquei animada com todo o revival. E o filme vinha sendo promovido largamente na Internet muitos meses antes de chegar nas telas. Eu fiquei numa curiosidade de saber que destino o Carter tinha arrumado para a Scully e o Mulder, mas acabei preferindo não saber. Casal amargo e entediante. Os atores estão num clima tipo “eu não queria estar aqui fazendo isso.” Até o chefe careca (Skinner) volta e parece envergonhado com tudo.

Como diz o subtítulo, o tema do filme não é sobre “A verdade está lá fora”, mas sobre “Eu quero acreditar”. Não é sobre ETs, mas sobre acreditar ou não no improvável e inesperado. É mais uma situação que confronta as convicções do Mulder e da Scully.  Dilemas sobre paranormalidade e limites da ciência. É uma trama que cabe perfeitamente em um episódio qualquer da série. Mas apesar do mistério, do clima bizarro e sombrio que é bem do espírito Arquivo X, não houve esforço para criar uma desculpa realmente boa para trazer os personagens de volta.  Às vezes até esqueço que vi o filme, ou confundo com algum episódio do Bones, CSI ou Eleventh Hour. Acabou resultando num dos  episódios mais desprezíveis da série. Simplesmente porque foi feito com evidente desprezo.

 

 

STAR WARS THE CLONE WARS 

É bobinho e parece mais videogame do que animação. Mas é divertido esse Star Wars The Clone Wars. Soube que é um aperitivo da série de TV que será produzida para passar no Cartoon Network, então, não inspirava grandes pretenções cinematográficas.

mitologia segue em 3D

mitologia segue em 3D

 

 

Se passa na fase entre os episódios II e III, quando ocorrem as Guerras Clônicas. Essa fase tem sido explorada pelos filmes de animação, livros e histórias em quadrinho.

Foi divulgado depois do último filme (A Vingança dos Sith), que serão feitos vários desenhos em 3D para contar o que aconteceu entre os filmes. E, talvez, até o que acontece após episódio VI.  Técnicas tipo a do Bewulf seriam utilizadas nos filmes e possivelmente em séries para TV.

Como boa fã original que assistiu na semana de estréia ao primeiro filme em 1977 no cine Leblon 1, mantenho a fé no universo Star Wars. Acho que houve grandes contribuições nos filmes da leva nova (episódios 1 a 3). O terceiro é o melhor deles (foi um presente do George Lucas para os fãs mais velhos… tipo eu… hehehe, que até chorei no final com o tema do Skywalker quando o Luke chega ainda bebê nos braços do Obi-Wan Kenobi e é entregue ao tio em Tantooine). Mas os filmes velhos continuam sendo os melhores. O primeiro filme, episódio 4 Star Wars – A New Hope, foi o divisor de águas na história do cinema  e contaminou o imaginário de toda uma geração. Eu costumo dizer que sou o que sou por causa de coisas tipo Star Wars. O terceiro (O Retorno de Jedi) tem momentos fantásticos como o resgate do Han Solo nos domínios do Jabba The Hutt, a perseguição na floresta com aquelas motocicletas high tech, o duelo Vader-Luke-Imperador. Só é bobo e piegas no final, mas… tudo bem. Agora o melhor de todos os tempos até hoje é O Império Contra-Ataca. Não tem pra ninguém. O roteiro é redondo, sem pieguice, tem ação, beijo na boca e final aberto (que diabos acontecerá com Han Solo?), com requintes de novela da Janete Clair (Luke, eu sou seu pai!). Quem saiu do saudoso cine Rian, na avenida Atlântica, numa tarde de sábado de 1980, não acreditou no que viu. E esperou mais três anos para saber o que acontecia depois. É, meu jovem leitor… Não havia Internet nem nada que ajudasse a minimizar a angústia dos nerds daqueles tempos.

Que a força esteja sempre conosco. Mesmo em desenhos 3D na televisão.

 

 

KUNG FU PANDA

jack black é a voz do irado panda po

jack black é a voz do irado panda po

Agora vamos ao filme de animação mais divertido do ano. Infelizmente, só assisti em DVD. Mas vi duas vezes. O engraçadíssimo Jack Black faz a voz do Panda Po, que adora kung fu e faz macarrão no restaurante de seu pai (que é tipo um ganso, sei lá).

Po tem muita imaginação, mas não esperava se tornar mestre das artes marciais e entrar em combater ao lado de seus ídolos. Eles são uma tigresa (Angelina Jolie), um louva-deus, uma serpente (Lucy Liu), uma garça, um macaco (Jackie Chan) e o treinador de todos, mestre Sifu (Dustin Hoffman).

 

E eu adoro o ancião que é uma tartaruga chamado Oogway. Ele é super zen e é quem descobre que o Po seria o herói salvador da aldeia ameaçada por um leopardo ex-pupilo do mestre Sifu. As sequências sob o Pessegueiro Sagrado da Sabedoria Celestial são lindas.

 

mestre oogway e o pessegueiro sagrado

mestre oogway e o pessegueiro sagrado

Pô, só vendo…

 

E tem a música do Carl Douglas (acho que o Jack Black  canta com ele no filme) Kung Fu Fighting. Um hit dos anos 70, quando os adolescentes cariocas ligavam para a Mundial AM tocar a música. É… houve um tempo pré-FM no rádio…

 

Oh-oh-oh-ohhhhhhhh (x4)

Everybody was Kung Fu fighting, those cats were fast as lightning

In fact it was a little bit frightening, but they fought with expert timing

There were funky China men from funky Chinatown

They were trapping bend up, they were trapping bend down

It’s an ancient Chinese art, and everybody knew their part

For my friend, ain’t you a stiff, then I’m kickin’ from the hip

Everybody was Kung Fu fighting, those kids were fast as lightning

In fact it was a little bit frightening, but they fought with expert timing

There was funky Billy Jim and little Sammy John He said, here comes the big boss, let’s get it on

He took the bow and made a stand, started swaying with the hand

A sudden motion made me stiff, now we’re into a brandnew trip

Everybody was Kung Fu fighting, those kids were fast as lightning

In fact it was a little bit frightening, but they did it with expert timing

Everybody was Kung Fu fighting, those kids were fast as lightning

In fact it was a little bit frightening, make sure you have expert timing

Kung Fu fighting, had to be fast as lightning…

      

      

 

 

Próximos…

BEWULF

CRÔNICAS DE NÁRNIA – PRÍNCIPE CASPIAN

HELLBOY 2: THE GOLDEN ARMY

CASSANDRA’S DREAM

CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO

ATONEMENT (DESEJO E REPARAÇÃO) : A propósito da honestidade e da realidade

THERE WILL BE BLOOD (SANGUE NEGRO)

O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN

BECOMING JANE

MARGOT AT THE WEDDING

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

 

 

Repescagens….

Esses são anteriores, mas só consegui ver em 2008

SURF’S UP (TÁ DANDO ONDA)

ZODIACO

A PELE, BIOGRAFIA IMAGINÁRIA DE DIANE ARBUS

ACROSS THE UNIVERSE

TRILOGIA JASON BOURNE 

APOCALYPTO

 

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BODY OF LIES (RIDDLEY SCOTT)

Em 2008 – parte 1 – filmes

Tenho vários posts atrasados. Idéias que expiraram. Lembranças que ficaram bem fraquinhas. Então decidi juntar os caquinhos e fazer uma geral em 2008. E esse post ainda está em aberto… vai se esticar aos poucos.

O mais devertido

O mais devertido

IRON MAN

Essa é melhor filme baseado em HQ  que já vi. Olha que gosto muito do X-Men1, mas o Iron Man veio na medida certa. A história é enxuta e inteligente, sem hipocrisias ou pieguices em relação às guerras no oriente médio, indústria armamentista e terrorismo. Tem uma concepção visual fabulosa. Mesmo lembrando o Ultraman em algumas partes (hehehe).  Destaque para as seqüências de testes no laboratório do Tony Stark e a trilha sonora (viva o rock’n’roll!!!!).

E o melhor de tudo, é claro, o Tony Stark/Iron Man é o Robert Downey Jr. Oh meu Deus, que bom viver e ir ao cinema.

O melhor do ano

O melhor do ano

ESTÔMAGO

Esse é o melhor do ano. É a história mais genial de todas. Sei lá, desde o Cidade de Deus que não vejo um nacional tão bom.

Como boa filha de pau de arara, ri e chorei com a historia do Raimundo “Alecrim” Nonato, um cara da Paraíba que chega em uma cidade grande e conquista meio mundo pelo estômago. No fogão do restaurante ou do presídio, Alecrim cozinha também sua identidade e seu lugar no mundo.

Os atores são maravilhosos, principalmente o que faz o personagem principal (João Miguel) e o que encarna o Bujiú (Babu Santana), líder da cela do presídio em que o Alecrim foi parar.

um crime de tão saboroso

um crime de tão saboroso

Manja só esse diálogo.

NONATO: É gorgonzola! Esse queijo tem esse nome por causa do nome da cidade onde ele foi inventado, na Itália, ali bem pertinho dos Estados Unido…

BUJIÙ: Ô Alecrim, esse gorgonzola pode ser o queijo do caralho que for, meu irmão, tu pode fazê o que quiser com ele, mas esse negócio não vai ficar aqui dentro nem fudendo!

O site do filme tem um super conteúdo com vídeos, entrevistas etc. Destaque para o  livro de receitas do Alecrim.

algumas tortas e um beijo

algumas tortas e um beijo

MY BLUEBERRY NIGHTS

Esse ganha no quesito beleza… Sonhar pode não custar nada. Ou só R$10 de ingresso numa quarta-feira.

Fujo do título brasileiro porque é muito mané, mas é esse aí da imagem.

A doce Nora Jones (a própria cantora mesmo) afoga as máguas com tortas de blueberry (mirtilo) num bar do Jude Law. Ai, ai… Ele e a direção do Wong Kar-Wai são garantia de encantamento.

meninas não vêm com manual

meninas não vêm com manual

JUNO

Adolescentes não vêm com manual, sabe?

E não há uma ordem certa dos fatores para construir uma mulher adulta… assim como não existe mulher adulta o suficiente para ser mãe.

Juno conta uma história muito singela sobre isso. Qualquer hora é hora. Pode ser com 16 ou 80 anos. Sempre haverá uma nova aventura, um medo de levantar o tampa do desconhecido. Mas a Juno nos deixa orgulhosas de ser garotas.

heróis e vilões sombrios

heróis e vilões sombrios

BATMAN – CAVALEIRO DAS TREVAS

Tenho que ver esse de novo, porque a expectativa foi tão grande e o contexto é tão complexo e sombrio, que saí sem saber se foi bom ou não.

Não há dúvida de que o Heith Ledger está sobrenatural (hum… malditos trocadalhos) como o Coringa. Ele rouba o filme totalmente. Não tem muita chance para o personagem-título. Engraçado que li uma declaração do Daniel Day Lewis sobre o Ledger, em que rasga a seda total do cara e lamenta a sua partida. Percebi no Cavaleiro das Trevas o quanto os dois são semelhantes como atores. Tem uma entrega meio mórbida ao personagem. Eles ficam deformados, numa espécie de transe dionisíaco.

Ledger vai assombrar a vida do Batman para sempre

Ledger vai assombrar a vida do Batman para sempre

Várias falas do Coringa já devem ter entrado para o dicionario de grandes citações cinematográficas. Lá vão três exemplos (mas só fazem sentido quando se vê o filme).

“It’s not about the money, it’s about sending a message. Everything burns!”

“See I’m not a monster, I’m just ahead of the curve.”

“I thought my jokes were bad.”

agora dá para acreditar

O incrível Hulk: agora dá para acreditar

O INCRÍVEL HULK 2008

Ah, o incrível Edward Norton… Ele se mete em tudo. É ator, escreve roteiro ou reescreve os  que não gosta, ajuda a escolher elenco, lava, passa e trás a pizza. Seja de uma adaptação do Somerset Maugham ou um kick-ass movie como esse do Hulk.

Ainda bem que ele é bom. Considero o EN um ótimo ator. Do tipo que me faz ver o filme só por ele. Não é um cara bonito. Tem um carinha meio Noel Rosa, meio “mamãe passou lavanda em mim, tá?”. Mas é absolutamente sedutor nos filmes. Ainda quero ver ele de Ricardo III, manco, torto, feio e podre seduzindo a cunhada. Hehehehehe.

Esse Hulk com o E. Norton é mega melhor que o anterior do Ang Lee. Esse de 2002 (acho) é estranho, um dos mais chatos do mundo. O Lee tentou abstrair do roteiro equivocado fazendo umas viagens visuais muito doidas em que fundia imagens fractais, tipo a vista aérea de um deserto mixando com as hemácias e leucócitos se deformando com os raios gama na corrente sangüínea (socorro, vam aí a reforma ortográfica) do Bruce Banner. Tudo muito sofisticado, mas o filme é uma m…..

por um hulk menos shrek

por um hulk menos shrek

Agora esse do Edward Norton, não. Esse é legal. Tem uns erros feios, que podem ser creditados à montagem. Tipo: o noivo da Liv Tyler meio que do nada escrotiza a parada toda.  Cortaram algumas cenas que dariam mais sentido ao desenrolar da trama. Mas, ainda assim, é bom.   O Hulk-Schrek dessa vez está bem mais fácil de engolir que o do outro filme. E tem o Edward Norton se virando no português em plena Rocinha (Tavares Bastos, na verdade), fazendo uma coisa que parece uma yoga-capoeira. Ha ha hah, meu deus do céu.  Pelo menos alguém em Hollywood sabe que a gente fala Português.

Tem gente que odeia o seriado de TV do Hulk. Aquele do tema de piano tristinho. Eu gostava. O filme tem um pouco dessa onda da série, mas não pega pesado no drama. O  Bruce Banner se fode tanto que é até engraçado. O EN com aquela cara de cachorro abondonado com roupa rasgada ao relento. Ô pobrezinho. Tô sacaneando, mas a história é legal e deixa coisas em aberto para um próximo filme. Quem sabe? Com tanto HQ virando filme, é capaz de malandro enjoar geral. Tomara que não.

Will Smith é uma lenda entre os zumbis

Will Smith é uma lenda entre os zumbis

EU SOU A LENDA

Só incluí esse filme porque gosto de 70% dele. O Will Smith é um camarada com muito carisma. No filme, ele é um oficial das forças armadas e médico-cientista, que vive sozinho com seu cachorro em Nova York, depois que a humanidade foi praticamente dizimada por uma praga horrorosa. Ele é imune à doença, mas os outros infectados, que não morreram, viraram zumbis. Smith tenta encontrar uma cura para a doença na solidão de seu  laboratório. Às vezes ele ouve Bob Marley. Na falta de companhia, bate papo com os manequins das lojas abandonadas. De vez em quando, ele e o cachorro saem para caçar veados, que agora vivem soltos pela cidade.

O problema é que não gosto muito de filmes de zumbis, tipo Extermínio e tal. De uma maneira geral, nem gosto de filme de terror. Mas tinha que ter uma ameaça, pois é o propósito do filme. Por isso, descontei só 30%.

a era é de ouro mas o filme fica com a prata

a era é de ouro mas o filme fica com a prata

ELIZABETH – A ERA DE OURO

Sou obrigada a reconhecer que o outro Elizabeth é melhor. Mas esse tem seus méritos. A Cate Blanchett é uma das atrizes de que mais gosto. É sempre um luxo vê-la em ação. E tem de novo o ótimo Geoffrey Rush. E tem o colirão Clive Owen. Tinha tudo para ser tão bom quanto o anterior, o momento histórico é bem mais interessante (o lance da Invencível Armada, quando a Inglaterra vira a mesa no jogo de forças com a Espanha de Felipe II, e se firma como a grande potência dos mares). Locações, figurino e direção de arte são  esplêndidos (mas também a Renascença é sempre uma festa para os bons diretores de arte).

mas a direção de arte é de ouro

mas a direção de arte é de ouro

A Elizabeth Tudor foi a primeira grande rainha da Grã-Bretanha (curioso como o país viveu dois de seus maiores momentos históricos governado por rainhas. Depois de Elizabeth I, Vitória foi a soberana do século 19 e seu reinado influenciou os costume de todo o planeta).

Enfim, tudo parece ótimo, mas o filme não empolga tanto quanto poderia.

wall.e o robô colecionador

wall.e o robô colecionador

WALL.E

A Pixar é sempre surpreendemte e impecável. Sempre oferece uma história inteligente, divertida e cativante, contada através de imagens deslumbrantes.

É impressionante o rigor e sofisticação do tratamento dos planos, sempre cheios de detalhes. São obras de arte animadas. Lembro que fiquei com fome vendo Ratatouille. Embora não haja uma preocupação com a veracidade ao retratar humanos e animais, os personagens sempre são carismáticos e convincentes.

Então, Wall.E é um simpático robozinho que ficou para trás na Terra. O planeta foi abandonado pela humanidade por falta de condições ambientais para a vida. O solo não produz mais vegetais, o sol fica encoberto por uma névoa de poluição bem feia. Enfim, tô descrevendo de um jeito que provavelmente é errado, mas é mais ou menos esse o cenário em que o solitário Wall.E vive, compactando e empilhando lixo, colecionando objetos que acha interessantes. Ele mora numa espécie de container, onde guarda suas coleções de vídeos (incluindo alguns clássicos do cinema) , eletrodomésticos e outras coisas que acha interessantes, embora não compreenda sua utilidade. E tem a barata-cachorro. Essa é uma piada ótima do filme. Depois do desastre ecológico que tornou a Terra um deserto, quem sobrevive? Um robô e uma barata.

o simpático wall.e intrigado com um cubo mágico

o simpático wall.e intrigado com um cubo mágico

E pelo fato de ter apenas essas duas criaturas em cena, a parte inicial do filme tem outra característica pouco usual: não tem falas. Se apóia basicamente na ação dos personagens. Então já começa muito interessante.

E tem a coisa do robô. Digo, histórias de robôs sempre emocionam. Robôs simpáticos e solitários, então, me fazem chorar. Imagine ainda que esse robô se apaixona perdidamente por uma robôa alienígena.  Eu queria levar o Wall.E para casa e assistir os filmes do Fred Astaire com ele.

Mal espero pelo próximo desenho da Pixar.

novo James Bond e suas respostas curtas e afiadas

novo James Bond e suas respostas curtas e afiadas

007 QUANTUM OF SOLACE

Bom… tem gente que reclama que ele é sujo e deselegante.

Talvez não seja o mais apolíneo, vamos dizer assim. Certamente não tem nada a ver com o  Sean Connery. Nem com o Roger Moore ou o Pierce Brosnan. Mas eu me amarro no novo 007 do Daniel Craig.

Ele é mais ácido, fala menos, pega menos mulher  e apanha mais. Quebra alguns paradigmas do personagem, pois além de tudo o que foi enumerado acima, tem seu corpo mais explorado do que o das mulheres. Mas não falta charme ao novo James Bond. Craig tem uma carga de fúria e virilidade meio Steve McQueen. E ainda veste um smoking com naturalidade.

Esse segundo filme com o Daniel Craig, Quantum of Solace, confirma todas essas novas facetas do 007. Sempre tem umas falas curtas e impagáveis do agente secreto. No filme anterior (Cassino Royale), minha preferida era: Vesper diz ‘I am the money.’ James Bond  dá uma manjada na Eva Green e responde ‘Every penny of it.’ Nesse novo filme, gosto da cena da chegada da agente ruiva, de quem o Giancarlo Giannini observa: ‘Bond ela pode usar algemas.’ E Bond só responde: ‘You hope so.’

Breve num próximo post:

SWEENEY TODD

MAMMA MIA!

ARQUIVO X 2

STAR WARS THE CLONE WARS

KUNG FU PANDA

SURF’S UP (TÁ DANDO ONDA)

BEWULF

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HELLBOY 2: THE GOLDEN ARMY

CASSANDRA’S DREAM

CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO

ATONEMENT (DESEJO E REPARAÇÃO) : A propósito da honestidade e da realidade

THERE WILL BE BLOOD (SANGUE NEGRO)

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EVA YERBABUENA. O arrebatamento em gestos mínimos

Eva Yerbabuena

Eva Yerbabuena

 

Dança flamenca pode ser uma parada extremamente cafona. Aqueles vestidos cheios de babados estampados de preto com bolinhas vermelhas ou branco com bolinhas laranjas… Minha viagem à Espanha em 98 teve uma baita frustração com a apresentação de um suposto espetáculo de flamenco numa casa de shows no Parque del Retiro, em Madri. O que assisti foi um horrendo show tipo “Plataforma”, com dançarinos atuando sobre um palco com linóleo e música pré-gravada. Enfim… falta uma viagem a Sevilha para ver flamenco de verdade. 

O fato é que se estabeleceu um clichê sobre o gênero no imaginário da humanidade. Tem um balé do grupo francês Montalvo-Hervieu que apresenta um quadro muito engraçado com uma bailarina de flamenco e um outro carinha tentando acompanhá-la. Ela sapateia com raiva gritando “- Baila, hombre! Baila Baila!” Como se no universo da dança, as bailarinas de flamenco representassem a mulher temperamental, sempre com a sombrancelha erguida, a testa franzida, esperneando de raiva.

Mas eu acho uma das formas de arte mais refinadas que uma civilização pode produzir. Para começar, é resultado de manifestações culturais de diversas etnias. E ainda aglutina outras modalidades artísticas, pois conta com o som dos cantantes, guitarristas, palmas… Aliás os bailarinos flamencos também são músicos. Não só dançam como também “fazem” a música com o próprio corpo. Uma amiga bailarina me disse uma vez que dançar é “ser” música. E no flamenco, isso é mais extremo que no balé clássico. O sujeito dança ao sabor da música (assim como nos silêncios também…) e ainda usa as palmas, estala os dedos, bate as castanholas e os pés para produzir música.

E ainda tem a arte da confecção do vestuário. Os vestidos (nem sempre com babados…), acessórios de cabeça, sapatos, tudo compõe a cultura flamenca.

“Lo mejor de la noche es el silencio, porque en él se descubre, o que la luz no tiene la importancia que creemos, o que en la oscuridad la vida es más intensa. ”

Essa frase, retirada do site de Eva Yerbabuena, é parte do texto que sumariza o espetáculo Santo y Seña, que sua companhia de dança apresentou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em maio deste ano. Eva é uma artista arrebatadora. Com movimentos mínimos e sob um feixe suave de luz, despeja toda uma tradição de séculos da rica cultura espanhola. Uma linhagem ancestral de grandes bailarinos, coreógrafos e músicos “fala” através de cada gesto de Eva. Ela dança nos sons e nos silêncios. Como se ouvisse algo vindo de um outro mundo ou um outro tempo. Seu corpo é o veículo mágico que nos transporta, através de sombras elegantes e misteriosas, à totalidade, à profundidade de uma cultura.

 

Eva Yerbabuena. Mistério dos gestos no silêncio.

Eva Yerbabuena. Mistério dos gestos no silêncio.

 

No programa do espetáculo, há um texto que ressalta o mistério da origem do flamenco. De fato, é uma prática misteriosa. Um dia desses, vou tomar coragem e me matricular numa aula para aprender um pouco dessa arte. É que tenho um certo medo… Tenho a impressão de que, quando ouvir a guitarra e as palmas tomando conta do ambiente, algum antepassado vai querer baixar por aqui… sei lá… É uma dança que compactua com os batimentos cardíacos e com o ritmo da respiração, e, ao mesmo tempo, subverte a ordem interna e externa do corpo. 

 

 

 

*LINKS PARA SABER MAIS 

Site Oficial de Eva Yerbabuena 

Site da companhia de dança Montalvo-Hervieu

Sobre a arte flamenca

 

 

*RECOMENDAÇÕES TOP3

1 – Dança – Companhia de Ballet Flamenco Eva Yerbabuena (vamos torcer para ela voltar sempre ao Brasil)

2 – Filmes – Trilogia Flamenca do diretor Carlos Saura (Amor Brujo, Bodas de Sangue e Carmen) com dois ícones da arte: Antonio Gades e Cristina Hoyos

3 – Dança – Falta assistir à Sara Baras. Essa é outra poderosa que aguardo ansiosamente! Veja no Youtube e no site oficial.

Into The Wild: devorando toda possibilidade de vida

Into The Wild (Na Natureza Selvagem), filme de Sean Penn

Into The Wild (Na Natureza Selvagem), filme de Sean Penn

“There is a pleasure in the pathless woods;

There is a rapture on the lonely shore;

There is a society, where none intrudes;

By the deep sea, and music in its roar:

I love not man the less, but Nature more…

 

Há um tal prazer nos bosques inexplorados;

Há uma tal beleza na solitária praia;

Há uma sociedade que ninguém invade;

Perto do mar profundo e da música do seu bramir:

Não que ame menos o homem, mas amo mais a Natureza…”

 

      Childe Harold’s Pilgrimage

      Canto IV Stanza 178

      – Lord Byron

 

“Se admitirmos que a vida humana pode ser regida pela razão… está destruída a possibilidade de vida.”

(Leon Tolstói: Guerra e Paz)

 

Terminei de ver Into The Wild (Na Natureza Selvagem) com o coração esmagado. O filme, com roteiro e direção do Sean Penn, ficou pouco tempo em cartaz no Rio. Acabei só podendo ver em DVD. É baseado no livro com mesmo nome de Jon Krakauer sobre a vida do maluco Chris McCandless, que literalmente largou tudo e se meteu no meio do mato. Até de rasgar e queimar dinheiro ele foi capaz (conheço gente que choraria vendo uma cena assim). O sujeito acaba de se formar na universidade e larga a família, abandona o carro na estrada, queima o dinheiro junto com os documentos, fotos, lembranças e os laços com o passado. Isso vindo de um cidadão da civilizaçao do consumo, onde tudo é business já é um feito e tanto. Uma futucada num tremendo tabu.

Fico pensando naquele Burning Man Festival, onde, por um de seus princípios básicos, o comércio é proibido. Vários malucos se reúnem uma vez por ano no meio do deserto de Nevada para se expressar, fazer música, arte, amor, manifestos e tal. E todos levam tudo o que forem consumir, pois no local não rola comércio ou negócios. Trata-se precisamente de um evento do não-consumo. É um encontro para se doar.

Entre citações de Boris Pasternak, H. D. Thoreau e outros autores, nosso louco herói Chris (que adotou o nome de Alexander Supertramp, o super-vagabundo) viaja por desertos, corredeiras, estradas, montanhas e florestas, colecionando pedaços preciosos de vidas. O encontro dele com o homem idoso que mora perto do deserto é a parte mais tocante para mim. Num espaço de alguns meses, transformou outras vidas que encontrou no caminho, não só a dele.

Há algum anos, li um comentário no painel de críticos do JB sobre o filme “Closer” (aquele muito bom, por sinal, com o Jude Law, Natalie Portman etc.). Era uma frase curta do Tárik de Souza que formulou um termo perfeito para sintetizar o filme: um “sinceriocídio”. Um despejo brutal de sinceridade entre os casais. No caso de Into The Wild o que ocorre  (perdoe o meu abuso neologístico) é um lucidocídio. Uma overdose de lucidez. Chamo ele de maluquinho, mas na verdade buscava uma lucidez intensa. Uma conexão de alta velocidade e ininterrupta com a vida, a natureza, as pessoas.

McCandless desejou a vida com fervor. E bem… seu cálice transbordou.

E tem a música do Eddie Veder que por si só é uma experiência única. Ganhou o Globo de Ouro. Assista ao filme com o volume alto. É uma das trilhas sonoras mais bonitas que já ouvi.

 

 

Links para saber mais…

AN AESTHETIC VOYAGER WHOSE HOME IS THE ROAD

O site oficial do filme é excelente. Tem o roteiro da viagem do maluquinho, ilustrado por imagens e citações literárias que são a cara do personagem. Como essa: “We are, finally, all wanders in search of knowledge. Most of us hold the dream of becoming something better than we are, something larger, richer, in some way more important to the world and ourselves. Too often, the way taken is the wrong way, with too much emphais on what we want to have, rather than what we wish to become.” – Louis L’Amour, Education of a Wandering Man

 

Sobre o maluquinho beleza

Nesse vídeo no Youtube  uma reportagem do canal ABC conta a história do maluquinho Chris Mccandless. É só um trecho, na verdade, pois quem postou o vídeo vende o negócio inteiro em DVD.

 

Site oficial do Burning Man Festival

A próxima edição do evento é agora em agosto.

 

 

* Recomendações Top3

1 – Filme: Into The Wild (Na Natureza Selvagem), de Sean Penn. Com Emille Hirsch (o Speed Racer), William Hurt e outros.

2 – Música:Trilha Sonora do filme Into The Wild, de Eddie Veder

3 – Destino: Ibitipoca/MG (a 1 hora de Juiz de Fora) – para respirar um pouco de natureza selvagem antes que ela acabe