Virando laje na Pré-História

Bernard Cornwell: Stonehenge

Bernard Cornwell: Stonehenge

“Não seja idiota. Seja mau!”, disse Mandy em certo episódio do desenho “As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy”. Tem um tipo de personagem sábio, ambíguo e misterioso que é bem característico dos livros de Bernard Cornwell. A exemplo de Merlin e de Nimue, das Crônicas de Arthur, e do velho e cego pai do Ragnar, das Crônicas Saxônicas, temos Sanas, a feiticeira de Carthallo do romance Stonehenge. Eles são sempre ácidos e engraçados. Gostam de chamar os tolos e ingênuos de idiotas.

Ao contrário do que eu pensava, não é a Inglaterra céltica que Cornwell retrata no livro. Simplesmente porque Stonehenge é muito anterior aos celtas. Dãããããããããã!!!!! É da Pré-História, Neolítico, pré-Idade do Bonze, antes da escrita e da invenção da roda. Mas como diria o autor, a idiotice é toda minha. Quem mandou eu acreditar que o Obelix faz menires porque era um costume dos gauleses? 🙂

 

Obelix esculpe menir observado por Asterix (personagens criados por Albert Uderzo e René Goscinny)

Obelix esculpe menir observado por Asterix (personagens criados por Albert Uderzo e René Goscinny)

Mais uma vez, Cornwell soluciona muito bem o desafio de evitar o aspecto mágico ou fantástico dos temas que aborda em sua obra. A construção do monumento místico pré-histórico, descrita em Stonehenge, a saga heróica de Arthur, Guinevere e companhia, na série Crônicas de Arthur, e os mitos da lança de São Jorge e do cálice sagrado, explorados na trilogia do Santo Graal, ganharam uma visão nada “new age” do autor. Totalmente em oposição, digamos, a Marion Zimmer Bradley (que eu também gosto bastante). Cornwell gosta da história, das pessoas de carne e osso, das paixões, ambições, contradições, medos, burrices e espertezas dos personagens. Tudo sob a ótica pragmática e bastante irônica típica da cultura britânica. Em Stonehenge, ele imagina o que levou uma tribo da pré-história a construir o monumento de pedra e como conseguiram completar um dos projetos de engenharia mais impressionantes da história.

Stonehenge

Stonehenge

Lugar de culto aos mortos? Ao sol? À lua? Templo de cura? Observatório astronômico? Aeroporto de discos voadores? Existem muitas visões de arqueólogos, historiadores, antropólogos, esotéricos, malucos e cientistas, em geral, para explicar o que é Stonehenge. Para que servem aquelas pedras erguidas em círculo? Diziam na idade média que o mago Merlin havia construído Stonehenge com a ajuda de gigantes. Até o século 20, acreditava-se que fosse uma construção medieval, onde os druídas realizavam cerimônias. Mas com o surgimento da datação por carbono, o mundo se surpreendeu com a descoberta de que o que restou de Stonehenge tem, na verdade, cerca de 4000 anos.

Muitas perguntas podem ser feitas considerando que o monumento foi erguido ainda na Idade da Pedra (não custa lembrar que estamos tratando de antes da invenção da roda). Algumas delas são:

  • como transportaram as pedras de zilhões de toneladas até o local? (algumas vieram de poucas mihas de distância, mas outras vieram do atual País de Gales)
  • como ergueram as pedras que formam os pilares?
  • como ergueram e encaixaram as pedras que se apóiam sobre os pilares (os chamados lintéis)? Com o detalhe de que os lintéis possuem protuberâncias, e os pilares, reentrâncias, que se encaixam perfeitamente, como num brinquedo Lego.
Stonehenge

O código Stonehenge

Todas essas e outras dúvidas que assombram historiadores e cientistas, além de fatos revelados pelas escavações arqueológicas no local, serviram de base na elaboração do romance de Bernard Cornwell. Para tanto, o autor ambientou a história em uma sociedade de agricultores, caçadores, sacerdotes e guerreiros. Um povo que adorava deuses representados pelo Sol, a Lua, a Terra, o rio, as florestas e outras forças da natureza. Uma série de acontecimentos, disputas de poder e visões ambiciosas dos personagens motivam a construção do monumento, que ajudaria seus idealizadores a alterar as forças do universo e a melhorar o mundo.

stonehenge como deve ter sido um dia

Stonehenge como deve ter sido um dia. A "pedra do calcanhar" (heel stone) e a "pedra do altar" (altar stone) são mencionadas por Cornwell na Nota Histórica do livro.

Cornwell imagina como seria aquela sociedade em estágio sedentário, ou seja, que já não era mais formada por tribos nômades. Plantavam grãos, aravam a terra com ajuda de bois, teciam roupas rústicas, faziam armadilhas de caça e pesca, fabricavam algumas ferramentas como machados de pedra com cabo de madeira, arcos de teixo e flechas com ponta de sílex e penas de aves domésticas ou selvagens, picaretas de chifres de cervos e espadas de bronze (indício de uma Idade do Bronze inicial). Com o sedentarismo, ocorre a formação das pequenas aldeias, a divisão de papéis e funções de cada homem e mulher, a identidade da tribo (“nós” e os “outros”) e a organização das defesas do território e da conquista de outros. Essa situação permitiu às pessoas, que não precisavam mais ficar em constante deslocamento para achar alimento e sobreviver, observar mais detidamente os fenômenos do universo. O posicionamento dos astros no céu, o movimento das marés, o misterioso ciclo biológico feminino, a deterioração dos corpos ou os raros eclipses. Tudo isso motivou também o surgimento dos mitos e das manifestações religiosas, através dos quais as pessoas buscavam explicar e/ou dar significado a suas vidas e aos fenômenos que observavam e que afetavam seus destinos. O novo modo de vida revelou novas formas de medo.

“Provocações e convites semelhantes eram gritados pelos principais guerreiros de Cathallo. Com penas e caudas de raposas penduradas, todas com a pele cheia de marcas de matança, eles se pavoneavam com bronze. Um dia Saban havia sonhado em ser um guerreiro assim, mas ele se tornara um criador, em vez de um destruidor, e um homem que sentia cautela, se é que não medo absoluto, diante do inimigo.” (Bernard Cornwell em Stonehenge)

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Guia WebDebee para Stonehenge

Glossário:

Fontes: Wikipedia e Cornwell, Bernard: Stonehenge

henge

henge

Stonehenge – “A palavra “henge” é deixada de usar deliberadamente no romance, porque não teria significado. Os saxões aplicavam originalmente a palavra apenas a Stonehenge, porque só Stonehenge tinha pedras “penduradas” [henge] (isto é, os lintéis), mas com o passar dos anos ampliamos o significado para inlcuir qualquer monumento circular que ainda resta das eras neolítica e do início da Idade do Bronze.” (Bernard Cornwell, Nota Histórica, p. 491-492, Stonehenge).

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aveleira

aveleira

aveleiras – (Corylus avellana), um arbusto da família Betulaceae, que cresce naturalmente em quase toda a Europa, Ásia Menor e parte também da América do Norte. A avelã é o fruto da aveleira. Consiste em um fruto mais ou menos esférico, lenhoso e indeiscente, cuja casca é extremamente resistente. Em seu interior encontra-se a semente comestível, de sabor levemente adocicado e algo oleaginosa. A avelã é consumida ao natural, ou usada em doces, normalmente associada ao chocolate, ao qual acrescenta um sabor muito apreciado.

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silex

silex

sílex – rocha sedimentar silicatada, constituída de quartzo criptocristalino, muito dura e com densidade elevada. Apresenta-se geralmente compacta, de cor cinzenta, negra e outras. Com fractura concoidal. Ocorre sob a forma de nódulos ou massas em formações de giz ou calcário. Pode apresentar impurezas várias como argilascarbonatosiltepiritamatéria orgânica.

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lintel

lintel

lintéis –  Em arquitetura, um lintel é uma peça dura de materiais diversos (madeirapedraferroconcreto etc.) que assenta nas ombreiras ou jambas e constitui o acabamento da parte superior de portasjanelas; sendo também chamado de dintel, padieira ou verga[1]. Pode também ser chamado de someiro quando construido em madeira, num vão cujas ombreiras são executadas em argamassa.[2] Utilizado também sobre aberturas de lareiras, com o intuito de proteger a face superior da parede do calor e fumaça.

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menir

menir

menir – também denominado perafita, é um monumento pré-histórico de pedra, cravado verticalmente no solo (ortóstato), às vezes de tamanho bem elevado (megálito denominado menir).

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megálito – Monumento megalítico, ou megálito, do grego mega, megalosgrande, e lithospedra, designa uma construção monumental com base em grandes blocos de pedras rudes.

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dólmen de matança :(

dólmen de matança 😦

dólmens – Os dólmens são monumentos megalíticos tumulares colectivos (datados desde o fim do V milénio a.C. até ao fim do III milénio a.C., na Europa, e até ao I milénio, no Extremo Oriente). O nome deriva do Bretão dol = mesa e men = pedra. Também são conhecidos por antasorcasarcas, e, menos vulgarmente, por palas. Popularmente, são também por vezes designados por casas de mourosfornos de mouros ou pias.

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auroque

auroque

auroque – O auroque (Bos primigenius) é um bovino extinto em 1627. Tratava-se de um boi de grandes dimensões e comportamento indócil. Seu habitat, em épocas pré-históricas, se estendia de Portugal à Coréia e da Sibéria à Índia. Este animal teria sido caçado pelos homens no sul e centro da Europa desde a pré-história, como relatam as pinturas rupestres encontradas nestes locais. Linhagens mais dóceis teriam sido selecionadas pelas populações locais, e teriam dado origem ao boi europeu (Bos taurus). O auroque, no entanto, jamais viria a ser domesticado, e, após milénios sofrendo com a caça, o último indivíduo morreu em 1627, na floresta de Jaktorowka, na Polónia. Recentemente tem-se discutido a separação do auroque como variedade distinta do boi doméstico, visto que estudos genéticos sugerem que pertenceram ambos à mesma espécie (Bos taurus).

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isatis

isatis

isatis – Isatis L. é um género botânico pertencente à família Brassicaceae.


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Sobre o Neolítico

Sobre a Idade do Bronze

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Documentários

BBC – Timewatch: Stonehenge (2008 – 54′ 48″)

BBC Timewatch 2008 Stonehenge

BBC Timewatch 2008 Stonehenge

O programa acompanha a escavação feita no monumento em 2008 e explora a visão de que Stonehenge seria um templo de cura. Estudos de vestígios de ossos de um homem que ficou conhecido como o arqueiro de Amesbury, região próxima do monumento, e dos objetos encontrados no local em que foi enterrado, oferecem indícios de que ele veio de muito longe buscando tratamento para uma lesão na perna. Foram encontradas pontas de flechas e marcas de flechadas, que devem ter sido a causa de sua morte. Este e outros programas reconstituem a morte do arqueiro. Uma animação em computação gráfica ilustra as quatro fases de construção de Stonehenge e também o processo de abandono e ruína do monumento. Estudos sobre as disposição das pedras também reforçam a teoria do templo de cura. O conjunto é formado pelas gigantescas sarcen stones (ou pedras sarracenas), usadas nos grandes megálitos que formavam o círculo principal, e pelas blue stones (pedras azuis), que têm menor porte e formam o círculo externo. Essas pedras azuis eram valorizadas por ter grande poder terapêutico e encontravam-se em maior número no monumento. Essas e outras evidências como a posição das pedras em alinhamento com o nascer e o pôr do sol somam-se para fazer alguns estudiosos acreditarem na noção de um templo de cura do neolítico.

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History Channel – MysteyQuest: Stonehenge (2009 – 44′ 58″)

http://www.history.com/search?search-field=stonehenge

History Channel - Mystery Quest - Stonehenge

History Channel - Mystery Quest - Stonehenge

Este tem uma visão totalmente original. Analisa as propriedades acústicas do círculo de pedras. Utilizando equipamentos de alta precisão e tocando instrumentos de percussão confeccionados com base em descobertas arqueológicas, um grupo de especialistas realiza testes in loco e em uma réplica do monumento nos EUA. Eles descobrem que a vibração dos instrumentos e a reverberação pelas pedras produz ondas alfa, as mesmas alcançadas em transes mediúnicos, em estado de hipnose ou em meditação. Seria Stonehenge o espaço das festas raves pré-históricas? 🙂  Seria um templo para, através do transe proporcionado pela música e a dança, se alcançar a cura para doenças ou para se comunicar com os espíritos dos ancestrais?

Além disso, o programa também faz outra reconstituição da morte do arqueiro de Amesbury, mostrando os testes de um especialista em armas antigas. A descoberta de restos de ossos e dentes de porcos tabém é ressaltada como um indício de que o local servia para festas com ricos banquetes.

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National Geographic – Making History: Secrets of Stonehenge (2010 – 44′ 56″)

National Geographic - MakingHistory: Secrets of Stonehenge

National Geographic - MakingHistory: Secrets of Stonehenge

Esse é o mais espetaculoso dos documentários. Foi muito providencial assistir para entender melhor a descrição que o Bernard Cornwell faz da engenharia usada para transportar e erguer as pedras. Numa dramatização com atores e efeitos especiais, o programa mostra como as cordas, rampas, tripés e outras geringonças podem ter sido utilizadas na logística e construção de Stonehenge.

E também tem uma investigação sobre as razões para a orientação do templo em relação ao sol. Especialistas respondem porque o sol era tão importante para os que ergueram o monumento. O programa visita os locais originais de onde as pedras foram transportadas e faz outra reconstituição da morte do arqueiro. Uma arqueóloga ou antropóloga mostra os objetos encontrados em um túmulo nas proximidades que podem ser considerados as primeiras “jóias da coroa” inglesas.

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National Geographic – Stonehenge Decoded (2008 – 60′ 34″)

National Geographic - Stonehenge Decoded

National Geographic - Stonehenge Decoded

Outro programa que reconstitui a construção do monumento com cordas, alavancas e tripés. Narrado por Donald Sutherland, o documentário também tenta investigar os métodos usados para moldar as pedras que formam os pilares e os lintéis com seus encaixes precisos. Explora também os vestígios do que seria a cidade perdida dos construtores de Stonehenge.

A teoria seguida é de que seria um complexo religioso, incluindo não apenas Stonehenge, mas também outros círculos monumentais nas proximidades. Um deles, feito de madeira. Mas, ao contrário do que alguns imaginavam, os pilares de madeira não seriam um ensaio para o templo definitivo de pedras. Supõe-se que os templos de pedra e de madeira teriam propósitos diferentes. O de pedra (Stonehenge) seria dedicado aos mortos (os ancestrais) e nele se observaria o nascer do sol. E o de madeira (Woodhenge) seria o templo dos vivos, onde se praticariam rituais de fertilidade e se assistiria ao pôr do sol. A dramatização é a mais elaborada de todos os documentários dessa lista. Atores vivem personagens numa pequena história que narra a aventura da construção do templo e do transporte das pedras, além dos rituais de fertilidade e de morte.

Mas o que achei mais interessante sobre essa visão do templo para os mortos é que um dos arqueólogos consultados conta sobre a visita a uma tribo africana que utiliza pedras em rituais de reverência aos mortos. Um dos membros da tribo visitou Stonehenge e não teve dúvidas de que aquele era um grande monumento aos espíritos dos antepassados. De celebração da harmonia entre humanos e natureza. A vida vem da natureza. Os ancestrais são a fonte de vida. As pedras são pessoas. Saban, personagem do livro de Cornwell, pede humildemente desculpas aos espíritos das árvores que tem de derrubar para usar na construção do templo.

Por fim, o programa parte das descobertas feitas no túmulo do nosso querido Amesbury archer para ilustrar o advento da primeira era do metal. Indícios da chegada de outros povos do continente europeu trariam novos conhecimentos como a metalurgia, começando pela liga do bronze.

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PBS – Nova – Secrets of Lost Empires: Stonehenge (1997 -54′ 12″)

PBS - Nova - Secrets of Los Empires - Stonehenge

PBS - Nova - Secrets of Los Empires - Stonehenge

Embora seja anterior à descoberta do arqueiro de Amesbury e das escavações de 2004 e 2008, este talvez seja o documentário mais detalhado na tentativa de reconstituir o trabalho hercúleo e complicado de construção de Stonehenge. Uma centena de voluntários topou trabalhar sob o sol do verão inglês para puxar cordas, empurrar pedras sobre trilhos e tudo mais ao ritmo de tambores e gritos de “Um, dois, três. Puxe! Um, dois, três. Puxe! Um, dois, três. Puxe!” Cada tarefa foi estudada, planejada e executada para valer. Como teria sido a colocação dos lintéis? Com paletes ou rampas? Eles tentam todos os recursos que estariam disponíveis para o homem do neolítico inglês. Cordas, troncos de árvores, galhadas de antílope (para cavar fossos e barrancos), trenós e gordura animal (para facilitar o deslizamento das pedras). O progresso é lento, mas houve resultado. Um experimento que prova que o conhecimento meramente empírico faz grandes coisas.

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National Geographic – Naked Science: Who Built Stonehenge? (2005 – 45′ 19″)

NatGeo Naked Science: Who Built Stone Henge

NatGeo Naked Science: Who Built Stonehenge?

Esse tenta identificar quem foram os construtores de Stonehenge e começa eliminando as possibilidades de terem sido: 1 – Os Romanos; 2 – Os Druídas; 3 – Povos imigrantes do continente eruropeu; até só restar como candidatos os da opção 4:  os antigos britânicos do início da Era do Bronze (o que corresponde à opção seguida por Cornwell em seu romance). Foram testes realizados em 1995 que indicaram que Stonehenge tem cerca de 4 mil anos.

Além da busca por quem fez Stonehenge, o documentário se diferencia por relatar a descoberta de evidências de que algumas blue stones foram moldadas no próprio local de onde foram levadas, ou seja, em Gales do Sul. A teoria de que as pedras azuis teriam se deslocado até as planícies de Salesbury pelas próprias águas resultadas do derretimento de calotas polares no fim da Era do Gelo é refutada pelos especialistas. E o programa, com ajuda de engenheiros e arqueólogos, tenta recriar a jornada de transporte das pedras através do mar e dos rios, com barcos e cordas, percorrendo 20 milhas. Eles até resgatam as imagens do documentário da PBS descrito no tópico acima, do pessoal que resonstituiu o processo de arrastar e erguer os blocos de pedra. Em 1998 escavações arqueológicas descobriram um barco feito de um tronco de árvore na Era do Bronze. Uma espécie de canoa. Com base nessa descoberta, os arqueólogos reconstruiram as embarcações que possivelmente transportaram as blue stones. Eles só levam um pedregulho, e, mesmo assim, com ajuda de um guindaste para içar e deitar a pedra sobre a embarcação.

Um engenheiro calcula que foram necessarias 3 mil pessoas, um prazo de 2,5 a 3 anos, totalizando cerca de 1,5 a 2 milhões de Homens/hora de trabalho para construir Stonehenge. E uma das linhas de investigação sobre o monumento tenta identificar o modo como foi construído para entender as razões porque foi feito. O arqueólogo Mike Pitts, que também aparece no documentário da NatGeo “Stonehenge Decoded”, acredita que era um local religioso, erguido entre as sagradas colinas de Salesbury. Mas quem foram esses construtores? Em abril de 2003, outra escavação a 3 milhas do local encontrou ossos do que parecia ser uma família que viveu na época da construção de Stonehenge.  O estado dos esqueletos e dentes não permitia extrair material de DNA, mas testes forenses com alguns dentes indicaram que a origem daquelas pessoas era o sul do País de Gales. Mais uma idéia refletida no livro de Cornwell, onde habitantes de Sarmennyn, que é como ele chama o sudoeste de Gales, viajam até as planícies do sul da Inglaterra para ajudar a transportar as pedras azuis e a construir o novo templo. E, finalmente, com recursos como tomografia computadorizada e software de construção de imagens em 3 dimensões, cientistas conseguiram mostrar o rosto de um desses galeses que pode ter trabalhado na construção de Stonehenge.

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Discovery HD TV – Sunrise Earth: Stonehenge Dawn (2006 – 50′)

Sem narrativa ou apresentador. Apenas a beleza das pedras em imagens de alta definição e o som ambiente do local. O vento, os pássaros, os automóveis na rodovia próxima. Algumas curiosidades são exibidas em texto na tela . Destaque para os pássaros pretos (Jackdawns) que fazem ninhos sob os lintéis. E os líquens que cobrem as pedras. Estes são raramente encontrados no interior do país. A espécie mais próxima é achada na costa marinha inglesa a 60 milhas de distância. Mais um mistério de Stonehenge.

O amanhecer em Stonehenge pela Discovery HDTV

O amanhecer em Stonehenge pela Discovery HDTV

Bons eram os velhos Titãs

Fúria de Titãs 2010

Fúria de Titãs 2010

Evito escrever sobre o que não gosto. Mas esse me deixou muito decepcionada. Tinha tudo para ser um filmaço, mas o novo Fúria de Titãs é chato pra burro. Desconfiei um pouco quando assisti ao trailer no cinema, mas caramba… que desperdício de talentos, dinheiro, energia, água, luz solar, oxigênio e paciência. Impressionante como conseguiram fazer um filme chato sobre uma aventura tão legal. O que é aquele Perseu? O Sam Worthington é um gato e tem uma voz sensacional, mas o carisma ali passou correndo e se benzendo.

E outra: escolheram fazer um herói sem mentor. Ou melhor (ou seria pior?), o mentor é a mocinha, que é a semi-deusa Io. Tudo bem que se subverta o modelo clássico da jornada do herói. Mas então que se apresente algo bom no lugar. A narrativa é muito mal elaborada. Sei lá, talvez exista alguma versão da lenda em que o Perseu fica com a Io. E deve ter exemplos do mentor ser a mocinha (Sheherazade, talvez?) . Aquele personagem do ator Mads Mikkelsen até se aproxima da figura de um mentor. Mas tudo é mal amarrado. Como um aperto de mão molenga e pegajoso. Enfim, esquece. O fato é que tinham um argumento bom e fizeram tudo ficar banal e enfadonho.

E o Pégaso? Lamentável. Numa época com as condições perfeitas para se criar um cavalo alado impressionante, belo como num sonho. A gente fica numa expectativa, mas tudo é sem graça e frustrante. Tão pobrinho o Pégaso, tadinho.

Não tem os presentes dos deuses, que, aliás, têm uma presença medíocre. Mais uma vez, se eles queriam inovar com um apelo de ódio e vingança dos humanos contra os deuses, muito legal, mas que fizessem algo realmente interessante. Por isso, é imperdoável a piada grosseira da cena em que Perseu acha a coruja mecânica do filme antigo. A mesma coruja que o antigo Perseu recebe de Atena. Só que o novo Perseu joga ela de volta no meio de uma tralha qualquer. Esse filme NÃO TEM DIREITO de desprezar um clássico, sendo a produção de merda que é.

Fúria de Titãs 2010

Perseu, o herói sem carisma de Fúria de Titãs 2010

E o pior de tudo é a desnecessária opção em 3D. Foi a primeira vez em que senti um pouco de dor de cabeça, provavelmente porque não estava me divertindo tanto quanto esperava. Tirava toda hora os óculos para ver se fazia diferença. E a verdade é que não fazia nenhuma. Só as legendas ficavam fora de registro. Não sei se havia algum problema na projeção. Diga-se de passagem, ninguém me convence de que aqueles óculos de 3D do Roxy, em Copacabana, sejam higienizados e esterilizados bla bla bla, como o cinema garante. Desculpe, mas têm sempre um aspecto sujo.

OK, vamos procurar com lupa o que se salva no filme. Basicamente, algum material visual é bem aproveitado.

Ralph Finnes é Hades. Acho ele foda e é muito bacana o efeito tipo fumaça preta de Lost que cerca o deus quando ele aparece. As Gréias parecem saídas dos filmes do Guillermo Del Toro. E o melhor é a Medusa . Ela é até uma criatura digital bonita. A risada é ótima. Aquele ser que lembra um djinn é bem curioso. Parece feito de fibras de lã, palha e vermes. Gosto de ouvir e de olhar para os lindões Liam Neeson, que faz o Zeus, e  Mads Mikkelsen (Draco).

Fúria de Titãs 2010

Ralph Finnes é Hades. O Valdemort dos subterrâneos.

O curioso djinn

Fúria de Titãs 2010

bonitão

Fúria de Titãs 2010

bonitão glitter

Fúria de Titãs 2010

Medusa rocks

Fúria de Titãs 2010

Gréia a la Guillermos del Toro

De resto, melhor esquecer e resgatar o bom e velho Fúria de Titãs de 1981. Isso mesmo. Aquele com efeitos especiais lo-tech. Da época de pérolas da sessão da tarde, como “Simbad contra o olho do Trigre”. Os monstros são bonecos bem toscões animados com técnica stop-and-motion. Não tinha computação gráfica ou câmeras digitais. Mas a história era melhor e mais divertida. E no modo caretão mesmo de contar uma lenda grega. Com o herói, os mentores, deuses glamurosos, monstros assustadores e a princesa como prêmio.

Zeus é por conta de Lawrence Olivier. Afrodite é a Úrsula Andrews. Hera é a Maggie Smith. Bons são os velhos titãs.

Fúria de Titãs 1982

Bubo, a coruja desastrada. Presente de Atena para Perseu em Fúria de Titãs 1982

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981. Do tempo em que os cartazes de filmes podiam ser ilustrações

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981

Release the Kraken!!!! 1981

Fúria de Titãs 1981

Medusa, versão 1981

Fúria de Titãs 1981

Perseu de 1981

Fúria de Titãs 1981

Zeus (Lawrence Olivier) brincando com os destinos

Imagens do velho Fúria com áudio do novo

Bom! Comparação do velho e o novo