Para dentro do tempo

“Em seu delírio, Shadow transformou-se na árvore. As raízes afundavam-se na argila da terra, para dentro do tempo, para as fontes escondidas. Ele sentiu a fonte da mulher chamada Urd, que quer dizer Passado. Ela era enorme, uma giganta, uma montanha subterrânea de mulher, e as águas que guardava eram as águas do tempo.” – Neil Gaiman: Deuses Americanos.

as águas que guardava eram as águas do tempo

as águas que guardava eram as águas do tempo

revisitando a jornada de shadow

revisitando a jornada de shadow

Árvores da Vida

Desde que a história escrita teve início, a humanidade tenta compreender a relação entre a vastidão do cosmo, a criação e a vida na terra. Muitas tradições abraçaram o misticismo como uma forma de responder às questões cósmicas. A Cabala é um caminho para a verdade. A Árvore da Vida, a imagem cabalística fundamental, pode ser encontrada sob várias formas nas culturas de todo o mundo.

— Janet Berenson-Perkins: A Cabala Explicada

The Tree of Life

The Tree of Life

Tao Tree of Life

Tao Tree of Life

Tree of Life Chakras

Tree of Life Chakras

Cosmos e humanidade

Cosmos e humanidade

Onde toda a Criação se harmoniza

Se cada pequeno ato físico corresponde a um evento de natureza superior e cósmica, e se o homem tem consciência dessa correspondência e da simultaneidade entre as forças ativas nos diversos planos em troca constante, interferindo uns sobre os outros, dá-se a unificação dos mundos, onde toda a Criação se harmoniza, num importante passo em direção à restauração e ao retorno. A responsabilidade do homem, portanto, ultrapassa os limites de sua vida particular, estendendo-se ao destino de toda a humanidade, de forma que cada ser humano constitua uma peça de um gigantesco móbile, onde qualquer movimento estimula e agita toda a estrutura.

— Tova Sender: O que é Cabala Judaica

The Power of Aleph by David Friedman

The Power of Aleph by David Friedman

A palavra é dotada de poder criador

A palavra é dotada de poder criador

A cosmogonia da Terra Média

Ler O Silmarillion e Contos Inacabados não é para preguiçosos como eu. Não que seja difícil de entender ou que o texto seja rebuscado ou que a narrativa seja tediosa. Mas não pode ser feita uma leitura vaga e informal. Tem que se dedicar a formar um mapa mental do universo criado pelo autor. E tem que amar esse universo. Um mundo que se originou da música. Os sons produzidos por seres divinos e ancestrais nutriram as sementes que formaram o universo de Gandalf, Bilbo, Sauron, Aragorn e Galadriel.

O Silmarillion

Um universo nascido da música

Entretanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse – Contemplem sua Música! – E lhes mostrou uma visão, dando-lhes uma imagem onde antes havia somente o som. E eles viram um novo Mundo tornar-se visível aos seus olhos; e ele formava um globo no meio do Vazio, e se mantinha ali, mas não pertencia ao Vazio.

Do Ainulindalë de O Silmarillion

====================================

Já pensou se ninguém desse a mínima para o que Tolkien fazia? A vida toda colocando um tijolinho aqui e outro ornamento ali nas tramas da Terra Média. Desde as trincheiras da Primeira Guerra Mundial ao campus de Oxford, o exercício do filólogo e linguista se misturava ao  do ficcionista cheio de imaginação. A empreitada do autor para construir um universo autônomo, que inclui uma origem mítica, geografia (tem capítulo inteiro dedicado a descrever a geografia de um segmento da Terra Média, que acabara de nascer), botânica, geologia, astronomia, culturas, línguas (Sindarin, Telerin, Quenya, Westron etc.) e tudo o mais próprios, permaneceu parcialmente em seus sonhos.  A vida de John Ronald Reuel Tolkien não foi suficiente para elaborar todas as histórias que sonhou. Mas, que importa isso? Mesmo as lacunas e incoerências (algumas são comentadas nos livros pelo filho, Christopher Tolkien) não tiram o fascínio pela obra.

“- Mas quantas léguas separam Edoras de Minas Tirith?”  “- Sr. Tolkien, como surgiram os beornings?”  “- Prof. Tolkien, que língua falavam os druedain?” O inventor da Terra Média, dos valar, das silmarills e dos anéis de poder, criou uma espécie de monstro gigante. Uma criatura incontrolável, imprevisível e insaciável feita de admiradores e estudiosos de sua obra, que não param de questionar até hoje a respeito dos personagens, histórias, paisagens , línguas, aspectos etnográficos dos povos, entre os mais diversos assuntos. Leitores, alunos e amigos enviavam cartas e interrogavam o autor, como se ele tivesse respostas para tudo. É como quando perguntamos a uma avó ou aos pais como era mesmo aquela história ou porque o personagem agiu assim. “- Mas vovó, o que o gigante, que morava no alto do pé de feijão plantado pelo João, comeu para ficar tão grande???”

É bom ler Contos Inacabados com O Silmarillion do lado. Tem muitos nomes e genealogias dos valar, elfos, anões e homens. Lá pelas tantas, perdi a noção de quem eram Manwë e Nienna, Gil-Galad, Tuor e Túrin ou de onde fica Dol Guldur. O glossário, os mapas e as genealogias no final de O Silmarillion ajudam e os apêndices do TLOTR também. Bom também seria ter um compêndio. Mas imagino que o melhor mesmo seria ler uma edição para tablet. A edição viria com um aplicativo trazendo referências ilustradas e fáceis de consultar, tipo um guia automático nas palavras-chaves. Uma sugestão de projeto coletivo para  os fãs de Tolkien.

Contos Inacabados

A historiografia das histórias. A arqueologia do processo criativo de Tolkien.

E certo dia, quando Tuor estava sentado à praia, ouviu a batida e o uivo de grandes asas, e, erguendo os olhos, viu sete cisnes brancos voando velozes para o sul, em formação de cunha. Quando passaram acima dele, porém, fizeram uma curva e mergulharam repentinamente, pousando com grande impacto e redemoinho na água.

Capítulo 1 – De Tuor e sua chegada a Gondolin – Primeira Parte: A Primeira Era – Contos Inacabados

  ====================================

Alguns eventos, que ficam atiçando a imaginação após a leitura dos volumes de O Senhor dos Anéis, são explorados em Contos Inacabados. Entre eles, a história do Pântano dos mortos e a Guerra da última aliança (entre homens e elfos). Mas também tem alguns pontos sem nó na construção da obra, como a história de Galadriel e Celeborn – este último não é citado na despedida dos viajantes que seguem para o Oeste no final de O Retorno do Rei (ele fica para trás na Terra Média? Mas porque?) -, e o mistério do Necromante – que, pelo que entendi, é o próprio Sauron, que permaneceu disfarçado como membro do Conselho Branco num período que se situa entre algum momento após a perda do dedo que trazia o Um Anel e sua expulsão do conselho no final de O Hobbit (a narrativa do que acontece com Sauron fica diluída em poucas pistas espalhadas pela obra inacabada).

É tão rico o material descritivo da Terra Média, que fiquei pensando em temas para exploração, como artigos sobre os portos, as flores e árvores ou a astronomia da Terra Média. Mas é bem capaz de já terem escrito. Algumas das histórias e personagens mais legais são  A Música dos Ainur (o primeiro capítulo do Gênesis da Terra Média, em O Silmarillion), Melkor- o mentor de Sauron, Fëanor e a revolta dos noldor, a viagem de Tuor e seu encontro com Ulmo, Senhor das Águas, a tragédia de Túrin, o amargo anão Nîm, o dragão Glaurung, a vida de Galadriel, o romance de Beren e Lúthien, o desastre dos campos de Lis, Cirion e Eorl (a origem dos rohirrim), Isildur, Gandalf e os Istari (os magos branco, cinza, marrom e azul) e os curiosos Drúedain.

Sobre Túrin, pode-se escrever um post inteiro. É a demonstração de que, ao criar histórias cheias de força criativa, não dá para ser maniqueísta. Como poderia Tolkien viver a experiência da guerra e manter uma visão muito preta ou branca da vida? Pode ter sido inconsciente, mas já que, evidentemente, bebeu da fonte das sagas escandinavas e lendas germânicas, como poderia construir somente personagens de contornos perfeitos? Ainda em Fëanor, o noldor que cria as jóias das Silmarills, já havia uma sombra se insinuando. Mas é com Túrin, também chamado em certo trecho da vida Turambar, que Tolkien aprofunda a concepção complexa, intensa e plena de um personagem. A trajetória de Túrin é feita de sucessivos desencontros, que resultam em várias tragédias, com direito a  assassinatos, traições e até incesto. Destino sangrento e brutal como as vidas de deuses e heróis das tradições de diversos povos.

E tem Beren e Lúthien. A história mítica de amor de uma elfa e um homem que reencarnou em Aragorn e Arwen. Tolkien tem até na própria vida uma história romântica. Casou-se uma única vez e com a mulher por quem era ardentemente apaixonado. No túmulo da esposa, abaixo do nome Edith Tolkien está escrito Lúthien. Embora suas principais obras – O Hobbit e O Senhor dos Anéis – sejam romances com pouco espaço para personagens femininas ou histórias de amor, o autor reverenciava um dos aspectos clássicos das narrativas épicas: o amor cavalheiresco. O quase triângulo amoroso de Aragorn, Arwen e Eowyn deve ter alguma inspiração em Sir Walter Scott, pois lembra levemente o impasse de Ivanhoé entre Lady Rowena e a bela judia Rebecca.

Tolkien conta histórias e constrói imagens que têm a força de contos de fadas, passagens bíblicas, lendas, mitos, sonhos. Como quando Tuor encontra Ulmo, o Senhor das Águas. Conjurador de cisnes e gaivotas. A barba branca com as espumas das ondas. O coração do mar. Seu manto era como uma nuvem cinzenta de partículas da maré que se desfaz ao por do sol. Ou quando mais de uma vez descreve prados floridos que lembram céus estrelados. É belo sonhar assim.

Visite o Valinor e mergulhe no universo de J.R.R. Tolkien.

Para ouvir a pronúncia de Silmarillion, acesse o termo no Google Tradutor e clique no botão de áudio.

PS: pra quem não sabe, a banda inglesa Marillion tirou o nome de Silmarillion. Aliás, o fato do Fish não ter participado da trilha dos filmes do Peter Jackson é uma coisa que me frustrou um pouco. Sem falar na Kate Bush. Mas, não se pode ter tudo…

No imaginário vive o coração

Once Upon a Time

Once Upon a Time. O exílio dos contos de fada.

Na pequenina cidade de Storybrooke, Rumpelstiltskin (ou Mr. Gold) é o principal oponente da Madrasta Malvada (que é a prefeita Regina Mills). Já o cara que morava no “espelho, espelho meu” da Madrasta foi um dia o gênio da lâmpada. Chapeuzinho vermelho é uma garçonete sexy, enquanto o Grilo Falante é um psicanalista.

A série Once upon a Time foi anunciada como “dos mesmos roteiristas de Lost”. E é evidente a semelhança das estruturas narrativas que intercalam o presente e o “outro tempo” dos personagens. Então, já que eles perderam a desculpa do Lost para exercitar a criação de histórias, mergulharam de cabeça nos contos de fada. E estão fazendo algo genial. É bom ter de volta o que era mais interessante de Lost: as pequenas jornadas pessoais dos personagens perdidos na ilha. Pessoas retratadas como breves – porém complexas – histórias.

Fairy Tales Mashups

Fairy Tales Mashups

A Madrasta Malvada, que se tornou uma rainha e feiticeira poderosa, lança o apocalipse do mundo dos contos de fada. Ela decreta o fim dos finais felizes e do mundo de Branca de Neve, Cinderela, Pinoquio e Chapeuzinho Vermelho. Tudo implode, se fragmenta na poeira da memória do universo e ressurge na forma de uma cidade pequena cercada por uma floresta no estado do Maine, nos EUA. Lá, todos os personagens vivem vidinhas comuns e têm as lembranças da outra vida reprimidas… O passado/imaginário é a verdade. E o presente/real é um sonho sem graça.

Outra boa sacada da série é transformar o que podia ser um ridículo samba do crioulo doido em ingredientes saborosos para as histórias. É um tal de juntar Branca de Neve com Cinderela ou Joãozinho e Mariazinha e mixar Rumpelstiltskin com a Bela e a Fera ou o homem do espelho com o gênio da lâmpada, mas tudo é combinado com segundas e ótimas intenções. No final, algum escritor pode se perguntar: porque nunca pensei nisso antes?

The Heart is a Lonely Hunter

O coração é um caçador solitário

O episódio mais bonito, dos que foram produzidos até agora, chama-se “The Heart is a Lonely Hunter“, em que é contada a história do xerife da cidade, que, na vida sonhada, era o caçador enviado pela Madrasta para matar Branca de Neve, arrancar-lhe o coração e trazê-lo em uma caixa. Pela tradição, sabemos o que acontece. Mas em Once Upon a Time, a jornada do caçador é muito mais cruel e profunda. Quem aprisiona histórias, aprisiona corações. E esse é o mais terrível dos segredos.

Já pedi a uma estrela cadente para que, tão cedo, não seja cancelada.

Site oficial da série

Reconstrução da aura

Copie Conforme

Cópia Fiel

“Mesmo a reprodução mais perfeita não possui o “aqui e agora da obra de arte”, sua existência única que contém em si a história da obra. Isso é a autenticidade que classifica o objeto como aquele objeto. A autenticidade escapa da reprodutibilidade.”  – Walter Benjamin, em “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”.)

Nos filmes americanos vê-se muitas personagens expressando coisas como: “quero algo real na minha vida” ou “pela primeira vez estou vivendo algo real”. Como se real mesmo fosse aquilo que é único, inédito e com algum frescor de experiência nova. Em Cópia Fiel (Copie Conforme), o iraniano Abbas Kiarostami descasca a superfície turva dessa noção e provoca um monte de perguntas. Então, desculpe pelo monte de perguntas espalhadas pelo post. É que o filme provoca isso. A culpa é do filme, que propõe um exercício sobre dicotomias entre conceitos difíceis de precisar. Real e imaginário. Autêntico ou cópia. Natural ou artificial. Verdadeiro ou falso.

A versão “natural” das pessoas é mais autêntica? Tem mais valor? Como é aquela boca sob o batom vermelho? Ela é mesmo morena ou loura? Fez escova marroquina? E aquele peito de silicone? Quantos mililitros turbinam o traseiro intrépido da popozuda? Que pele se esconde por baixo das tatuagens tribais?

William Shimell (aclamado cantor de opera inglês) interpreta James Miller, autor de um livro sobre autenticidade e falsificação de obras de arte. Elle é sua leitora e comparece a uma palestra do autor em uma cidade na Toscana. Ela se oferece para guiá-lo por um passeio pela região e os dois acabam passando um dia inteiro discutindo exaustivamente questões sobre arte e relações amorosas, e embaralhando identidades.

Elle, personagem de Juliette Binoche, se debate para não morrer nas águas agitadas – onde fez questão de mergulhar – que dividem sua vida original e a vida desejada. O que é mais original? Sua autêntica vida atordoada pela  dificuldade de diálogo com o filho e o marido ou a tarde na bela cidade de  Lucignano, onde quebra o pau em francês e inglês com o escritor? E aliás, será que somos mais verdadeiros quando nos expressamos em nossa própria língua?

CopieConforme

William Shimell e Juliette Binoche. Arte e vida real

As experiências com o real podem colidir de forma inesperada. O escritor conta um episódio que presenciou numa rua de Florença e que o inspirou a escrever o livro sobre a questão das cópias e os originais. Para sua surpresa e desconforto,  esse episódio é mais do que uma impressão da realidade. Ali, diante dele, estava a mulher (Elle) que, naquela outra ocasão, discutia com o filho na rua.

Para Elle, a realidade muitas vezes é só sobre dor e sacrifício. O prazer e a alegria são sonhos. Sonhos não são reais. Por essa via, pais vivem o mundo real enquanto os filhos, com sua natural rebeldia, ainda não despertaram.

Vale arriscar e forçar uma conversa sobre coisas que sua vida frustrada não propiciou? Seria melhor flertar com o que gostaria que fosse o real do que com o que sei que é? E aí me pergunto: o que desejo viver?

Elle e o escritor passeiam aleatoriamente pela cidade, entrando e saindo de museus, igrejas, restaurantes e dos diferentes papéis que assumem, ora de estranhos no parque, ora de marido e mulher. A artificialidade esperada do comportamento dos personagens é quase nula.  São verdadeiros na realidade e na imaginação.

No passeio, os dois conhecem um casal de noivos posando para o álbum de casamento. Os rituais como o do casamento, com suas alianças, tradições e supertições simulam uma vida sonhada pelos noivos e pelas famílias, comunidade, amigos. A cópia ou o objeto simbólico que representa uma coisa pode ser a salvação de quem deseja essa coisa. Como os ex-votos depositados em santuários da Bahia como pagamento de promessa ou agradecimento por uma graça.

“Com sua propensão para criar símbolos, o homem transforma insconscientemente objetos ou formas em símbolos (conferindo-lhes assim enorme importância psicológia) e lhes dá exoressão, tanto na religião quanto nas artes visuais.” – Aniella Jaffé, em O Simbolismo nas artes plásticas, capítulo de O Homem e seus Símbolos (organização de Carl G. Jung).

Copie Conforme

Experiência e Identidade

E tem Marie, irmã de Elle. Esta pede ao escritor que autografe um exemplar do livro com dedicatória para Marie. Elle trabalha numa galeria de arte, mas despreza as cópias que comercializa de grandes obras de arte. Esse desprezo alimenta mais ainda as discussões com o escritor. Devemos desprezar os pássaros que pousam e cantam sobre as esculturas do jardim do Museu Rodin só porque elas são cópias? Porque será que incomoda e até frustra tanto saber que aquele objeto é uma cópia?

Na obra citada no início do post, Walter Benjamin examina o fenômeno da “destruição da aura”. Uma percepção de perda de valor que as obras de arte sofreram com o advento das técnicas industriais de reprodução ou representação do real, como a fotografia, o cinema e as modernas formas de impressão.

Nesse cenário, Marie é que é mulher de verdade. Com seu genuíno marido gago que tem um jeitinho todo seu de pronunciar o nome da esposa. Marie não tem a menor vaidade. Ou pelo menos não a de exigir somente coisas originais, autênticas. Ela se contenta com a cópia. Não conheceu o escritor pessoalmente, mas vai ficar feliz com o livro autografado. Marie é ignorante? Tá feliz na caverna de Platão assistindo Domingão do Faustão e sonhando com o carro chinês que tem 7 lugares mas é mais barato que um utilitário coreano ou um sedan francês?

Daí, vislumbro que cobiçar o que é exclusivo, único, original  pode ser um traço de elitismo. Uma pequena (ou grande) ilusão de grandeza. O sentido de posse exclusiva permeia os delírios de consumo. Vamos patentear a beleza! Registrar o domínio universal http://www.originalidade.com.

Soube que, recentemente, uma charmosa e tradicional grife italiana fechou suas fábricas na Ásia e voltou ao modelo de produção artesanal em sua cidade de origem. É isso. Afinal, ostentar um “made in Italy” confere muito mais valor.

Nesse filme-jogo, Abbas Kiarostami coloca uns espelhos aqui e ali. Estamos na cena principal, mas podemos espiar o que acontece do lado de fora. O ator diz sua fala, mas também reflete o que seu interlocutor está “dizendo” quando não  o vemos. Os sons são captados com detalhes que invadem os diálogos. E os silêncios, como em outros filmes do diretor, falam alto.

======================================================

Para ler Walter Benjamin: A obra de arte na era da usa repodutibilidade técnica

Mais sobe os ex-votos

Para ler Jung: O Homem e Seus Símbolos

De Abbas Kiarostami, recomendo “Através das Oliveiras” e “Gosto de Cereja.

A transgenia dos sonhos

Inception (A Origem)

Inception (A Origem)

Da série de posts ridiculamente atrasados…

Como a vida, tudo começa numa medida pequena, invisível, imperceptível, insignificante. Um peteleco num cisco preso na lã do casaco ou uma piscada de olho de um piolho e voilà! Algo começa. As idéias podem estar dormindo como sementes microscópicas na memória. Mas quando ganham corpo, quem sabe até onde irão ou qual dimensão irão alcançar?

Esta semana fiquei lendo um daqueles adoráveis forros de bandeja do McDonald’s. Coisas simples como uma gota d’água dão origem a algo simplesmente fantástico como ondas no oceano. Achei uma das melhores campanhas da rede de fast-food. O ilustrador chama-se Hiro Kawahara. Tirando o item da ostra e o colar de pérolas (pois a ostra, sim é fantástica e não o colar), simplesmente adorei.

Simples e Simplesmente. Campanhad as bandejas do McDonald's

Simples e Simplesmente. Campanha das bandejas do McDonald's.

Christopher Nolan é conhecido por seus filmes quebra-cabeça, como Amnesia e The Prestige (O Grande Truque). Também, é claro, é o realizador dos dois filmes do Batman mais inteligentes já feitos. Então, depois de uma coisa como o Cavaleiro das Trevas, a expectativa em relação ao Inception (A Origem) era enorme.

Vejo a idéia central de Inception como um jogo que se passa no outro plano da vida. O plano que se dá nos sonhos.

Os sonhos ocupam boas horas de quem vive. Se vive nos sonhos. Há vida neles. Às vezes resolvo problemas num sonho, para acordar depois e perceber que não resolvi coisa alguma. Mas às vezes os sonhos realmente ajudam a resolver os problemas. Um sonho pode cansar. Como quando estudava dança e fazia exercícios na barra dos sonhos e acordava com a sensação de que não precisava ir à academia naquele dia. Podemos sonhar com algo que estamos esperando para acontecer e acordar achando que já fizemos, para depois descobrirmos que temos que fazer tudo de novo.

Inception

a anti-lógica dos sonhos

Minha irmã sonha frequentemente que pode voar. Eu sonho que posso flutuar. Que a gravidade é fraca e posso me desolcar sem precisar pisar no chão. Então, se nos sonhos podemos eliminar paradigmas como a gravidade, estaríamos falando de um lugar para testes? Seria o sonho um louco laboratório da vida desperta? Uma experiência alternativa da vida? Plantar uma idéia em um universo com outra lógica (ou sem ela) poderia ser um experimento controlável? Será que, como em Matrix, em que as personagens fazem download de habilidades, como pilotar helicópteros, podemos experimentar coisas ou aprendê-las sonhando? Será que veremos o dia da manipulação da vida sonhada? O surgimento da biotecnologia dos sonhos. Se, nos sonhos, podemos tudo, mas não podemos manipulá-lo, e se na vida acordada, não podemos tudo, mas temos mais chances de controlar o caminho, haveria um jeito de inverter os parâmetros? Imagino poder encomendar sonhos bons. Pego o cartão de crédito e pago por uma pílula dos sonhos programados.

Inception (A Origem)

Dream designers. Dream hackers.

Mas somos nós, os seres despertos, os mesmos que vivem nos próprios sonhos?

Tem um filme com a Demi Moore chamado Passion Mind (Paixões Paralelas), de Alain Berliner, em que ela vive uma vida desperta e outra dormindo. Acordada, ela é Marty, uma executiva solteira e rica de Nova York. Dormindo, é Marie, uma dona de casa viúva com filhos no interior da França. Ou pode ser o contrário. As duas Demi Moores anseiam pelo adormecer-despertar para a vida uma da outra. Não é grande coisa o filme, mas o conceito é interessante. Lembra um pouco o “A Dupla Vida de Veronique”, do Kieslowski. Mas este último não é exatamente sobre sonhos.

E afinal, um dos baratos da vida não é ter a porção sonhada compartilhando o corpo e a mente da porção consciente? Uma porção pode ajudar a outra, mas também podem destruir-se mutuamente?

cinema, literatura, imaginário dos sonhos

cinema, literatura, imaginário dos sonhos

Ontem, conversando com minha irmã sobre o rascunho deste post, ela mencionou um conto de Julio Cortázar que leu há muito tempo, sobre uma mulher que sonha com a vida de outra e as duas trocam de lugar. Acabamos encontrando o conto na coletânea Bestiário. Chama-se Lejana e é narrado em forma de diário escrito por Alina Reyes. Alina tem dificuldade para dormir e inventa anagramas e palíndromos para cair no sono. Mas sonhar significa viver como sua parte distante, la lejana: a outra mulher que vive mendigando pelas ruas geladas de Budapeste. Alina odeia a outra porque sente seu sofrimento, mas ao mesmo tempo, vê-se culpada e preocupada. Quando escreve no diário, usa a primeira pessoa, mas confunde-se entre o que acontece a ela e o que sofre a outra. Sonha com a outra ao dormir e também acordada enquanto ouve concertos de Fauré, Mozart e Chopin. Nesses momentos torna-se la lejana. E tem uma ponte sobre o Danúbio. A fronteira, o ponto de encontro entre as mulheres distantes. Alina é consciente dessa ponte em Budapeste, do frio e de sua porção  distante que deve encontrar lá. Deseja irresistivelmente chegar à ponte para o abraço com a outra. ” Ceñía a la mujer delgadísima, sintiéndola entera y absoluta dentro de su abrazo, con un crecer de felicidad igual a un himno, a un soltarse de palomas, al río cantando. “

Nos volumes da HQ Sandman, de Neil Gaiman, há uma exploração vastíssima do universo e das possibilidades e concepções do sonho. Lugares sonhados (como Fidler’s Green, o lugar-sonho). Guardiões de livros que só existem em sonhos. Pessos que sofrem de insônia ou que não conseguem acordar. Pesadelos. Gente que entra nos sonhos dos outros, que rouba sonhos, que não consegue sonhar, que controla sonhos alheios, que se refugia em sonhos, que aprisiona outros em sonhos. Além da antropomorfização do sonho. O sonho é um moreno esguio e alto, cujos olhos são como uma noite estrelada. Sonho (ou Sandman ou Morfeu) é irmão de Morte, de Destino, de Desejo, de Desespero, de Delírio e de Destruição. Quando Sonho é aprisionado por um bruxo (evento que acontece no primeiro volume da série, Prelúdios e Noturnos), a humanidade enfrenta anos de distúrbios e privações dos sonhos. O grande príncipe tecedor dos sonhos fica fora de combate por várias décadas até se libertar e iniciar a jornada de restauração de seu reino.

Inception (A Origem)

a arquitetura dos sonhos

Inception conta uma história um tanto apressada de pessoas que se infiltram em sonhos. E sobre as tecnologias e estratégias que as ajudam a invadir sonhos para alterar o curso “natural” da vida desperta. Alguns personagens criam lugares secretos nos sonhos para onde desejam voltar. Outros querem convencer pessoas a decidir por algo que irá trazer vantagens na vida acordada. Uns querem viver só nos sonhos. Outros podem matar outros nos sonhos. Morrer nos sonhos. Será possível?

Ariadne (Ellen Page) é uma arquiteta contratada por Cobb (Leonardo di Caprio), um dos dream hackers, para criar cenários dos sonhos. Como Teseu, que precisa de Ariadne para sair do labirinto, sem os designers de sonhos, fica difícil sair deles ou se proteger das armadilhas.  Exatamente como um jogo, mas em que as regras evoluem num universo de anti-lógica. Outro personagem interessante é Eames (Tom Hardy), o enganador, que se faz passar por outras pessoas nos sonhos para iludir os sonhadores. Como uma Mística (a mutante azul dos X-Men) do mundo dos sonhos.

Inception (A Origem)

a semente que gira invisível nos sonhos

Na vespera da estréia do filme nos cinemas, li esse texto muito bom da Ana Maria Bahiana. Mas não sei se ocorreu comigo o mesmo de quando vi O Cavaleiro das Trevas (do qual tive grandes expectativas, mas precisei ver de novo para apreciar como se deve), ou se realmente ficou faltando algo na história de Inception. Não é um conceito simples. Uma idéia tão grandiosa, que talvez tenha faltado sonhar mais com ela. Seria este um filme para completar a experiência sonhando? Uma semente para germinar no rascunho e na edição de um post? Food for thought? Food for Dreams?

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Virando laje na Pré-História

Bernard Cornwell: Stonehenge

Bernard Cornwell: Stonehenge

“Não seja idiota. Seja mau!”, disse Mandy em certo episódio do desenho “As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy”. Tem um tipo de personagem sábio, ambíguo e misterioso que é bem característico dos livros de Bernard Cornwell. A exemplo de Merlin e de Nimue, das Crônicas de Arthur, e do velho e cego pai do Ragnar, das Crônicas Saxônicas, temos Sanas, a feiticeira de Carthallo do romance Stonehenge. Eles são sempre ácidos e engraçados. Gostam de chamar os tolos e ingênuos de idiotas.

Ao contrário do que eu pensava, não é a Inglaterra céltica que Cornwell retrata no livro. Simplesmente porque Stonehenge é muito anterior aos celtas. Dãããããããããã!!!!! É da Pré-História, Neolítico, pré-Idade do Bonze, antes da escrita e da invenção da roda. Mas como diria o autor, a idiotice é toda minha. Quem mandou eu acreditar que o Obelix faz menires porque era um costume dos gauleses? 🙂

 

Obelix esculpe menir observado por Asterix (personagens criados por Albert Uderzo e René Goscinny)

Obelix esculpe menir observado por Asterix (personagens criados por Albert Uderzo e René Goscinny)

Mais uma vez, Cornwell soluciona muito bem o desafio de evitar o aspecto mágico ou fantástico dos temas que aborda em sua obra. A construção do monumento místico pré-histórico, descrita em Stonehenge, a saga heróica de Arthur, Guinevere e companhia, na série Crônicas de Arthur, e os mitos da lança de São Jorge e do cálice sagrado, explorados na trilogia do Santo Graal, ganharam uma visão nada “new age” do autor. Totalmente em oposição, digamos, a Marion Zimmer Bradley (que eu também gosto bastante). Cornwell gosta da história, das pessoas de carne e osso, das paixões, ambições, contradições, medos, burrices e espertezas dos personagens. Tudo sob a ótica pragmática e bastante irônica típica da cultura britânica. Em Stonehenge, ele imagina o que levou uma tribo da pré-história a construir o monumento de pedra e como conseguiram completar um dos projetos de engenharia mais impressionantes da história.

Stonehenge

Stonehenge

Lugar de culto aos mortos? Ao sol? À lua? Templo de cura? Observatório astronômico? Aeroporto de discos voadores? Existem muitas visões de arqueólogos, historiadores, antropólogos, esotéricos, malucos e cientistas, em geral, para explicar o que é Stonehenge. Para que servem aquelas pedras erguidas em círculo? Diziam na idade média que o mago Merlin havia construído Stonehenge com a ajuda de gigantes. Até o século 20, acreditava-se que fosse uma construção medieval, onde os druídas realizavam cerimônias. Mas com o surgimento da datação por carbono, o mundo se surpreendeu com a descoberta de que o que restou de Stonehenge tem, na verdade, cerca de 4000 anos.

Muitas perguntas podem ser feitas considerando que o monumento foi erguido ainda na Idade da Pedra (não custa lembrar que estamos tratando de antes da invenção da roda). Algumas delas são:

  • como transportaram as pedras de zilhões de toneladas até o local? (algumas vieram de poucas mihas de distância, mas outras vieram do atual País de Gales)
  • como ergueram as pedras que formam os pilares?
  • como ergueram e encaixaram as pedras que se apóiam sobre os pilares (os chamados lintéis)? Com o detalhe de que os lintéis possuem protuberâncias, e os pilares, reentrâncias, que se encaixam perfeitamente, como num brinquedo Lego.
Stonehenge

O código Stonehenge

Todas essas e outras dúvidas que assombram historiadores e cientistas, além de fatos revelados pelas escavações arqueológicas no local, serviram de base na elaboração do romance de Bernard Cornwell. Para tanto, o autor ambientou a história em uma sociedade de agricultores, caçadores, sacerdotes e guerreiros. Um povo que adorava deuses representados pelo Sol, a Lua, a Terra, o rio, as florestas e outras forças da natureza. Uma série de acontecimentos, disputas de poder e visões ambiciosas dos personagens motivam a construção do monumento, que ajudaria seus idealizadores a alterar as forças do universo e a melhorar o mundo.

stonehenge como deve ter sido um dia

Stonehenge como deve ter sido um dia. A "pedra do calcanhar" (heel stone) e a "pedra do altar" (altar stone) são mencionadas por Cornwell na Nota Histórica do livro.

Cornwell imagina como seria aquela sociedade em estágio sedentário, ou seja, que já não era mais formada por tribos nômades. Plantavam grãos, aravam a terra com ajuda de bois, teciam roupas rústicas, faziam armadilhas de caça e pesca, fabricavam algumas ferramentas como machados de pedra com cabo de madeira, arcos de teixo e flechas com ponta de sílex e penas de aves domésticas ou selvagens, picaretas de chifres de cervos e espadas de bronze (indício de uma Idade do Bronze inicial). Com o sedentarismo, ocorre a formação das pequenas aldeias, a divisão de papéis e funções de cada homem e mulher, a identidade da tribo (“nós” e os “outros”) e a organização das defesas do território e da conquista de outros. Essa situação permitiu às pessoas, que não precisavam mais ficar em constante deslocamento para achar alimento e sobreviver, observar mais detidamente os fenômenos do universo. O posicionamento dos astros no céu, o movimento das marés, o misterioso ciclo biológico feminino, a deterioração dos corpos ou os raros eclipses. Tudo isso motivou também o surgimento dos mitos e das manifestações religiosas, através dos quais as pessoas buscavam explicar e/ou dar significado a suas vidas e aos fenômenos que observavam e que afetavam seus destinos. O novo modo de vida revelou novas formas de medo.

“Provocações e convites semelhantes eram gritados pelos principais guerreiros de Cathallo. Com penas e caudas de raposas penduradas, todas com a pele cheia de marcas de matança, eles se pavoneavam com bronze. Um dia Saban havia sonhado em ser um guerreiro assim, mas ele se tornara um criador, em vez de um destruidor, e um homem que sentia cautela, se é que não medo absoluto, diante do inimigo.” (Bernard Cornwell em Stonehenge)

======================================================

Guia WebDebee para Stonehenge

Glossário:

Fontes: Wikipedia e Cornwell, Bernard: Stonehenge

henge

henge

Stonehenge – “A palavra “henge” é deixada de usar deliberadamente no romance, porque não teria significado. Os saxões aplicavam originalmente a palavra apenas a Stonehenge, porque só Stonehenge tinha pedras “penduradas” [henge] (isto é, os lintéis), mas com o passar dos anos ampliamos o significado para inlcuir qualquer monumento circular que ainda resta das eras neolítica e do início da Idade do Bronze.” (Bernard Cornwell, Nota Histórica, p. 491-492, Stonehenge).

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

aveleira

aveleira

aveleiras – (Corylus avellana), um arbusto da família Betulaceae, que cresce naturalmente em quase toda a Europa, Ásia Menor e parte também da América do Norte. A avelã é o fruto da aveleira. Consiste em um fruto mais ou menos esférico, lenhoso e indeiscente, cuja casca é extremamente resistente. Em seu interior encontra-se a semente comestível, de sabor levemente adocicado e algo oleaginosa. A avelã é consumida ao natural, ou usada em doces, normalmente associada ao chocolate, ao qual acrescenta um sabor muito apreciado.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

silex

silex

sílex – rocha sedimentar silicatada, constituída de quartzo criptocristalino, muito dura e com densidade elevada. Apresenta-se geralmente compacta, de cor cinzenta, negra e outras. Com fractura concoidal. Ocorre sob a forma de nódulos ou massas em formações de giz ou calcário. Pode apresentar impurezas várias como argilascarbonatosiltepiritamatéria orgânica.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

lintel

lintel

lintéis –  Em arquitetura, um lintel é uma peça dura de materiais diversos (madeirapedraferroconcreto etc.) que assenta nas ombreiras ou jambas e constitui o acabamento da parte superior de portasjanelas; sendo também chamado de dintel, padieira ou verga[1]. Pode também ser chamado de someiro quando construido em madeira, num vão cujas ombreiras são executadas em argamassa.[2] Utilizado também sobre aberturas de lareiras, com o intuito de proteger a face superior da parede do calor e fumaça.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

menir

menir

menir – também denominado perafita, é um monumento pré-histórico de pedra, cravado verticalmente no solo (ortóstato), às vezes de tamanho bem elevado (megálito denominado menir).

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

megálito – Monumento megalítico, ou megálito, do grego mega, megalosgrande, e lithospedra, designa uma construção monumental com base em grandes blocos de pedras rudes.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

dólmen de matança :(

dólmen de matança 😦

dólmens – Os dólmens são monumentos megalíticos tumulares colectivos (datados desde o fim do V milénio a.C. até ao fim do III milénio a.C., na Europa, e até ao I milénio, no Extremo Oriente). O nome deriva do Bretão dol = mesa e men = pedra. Também são conhecidos por antasorcasarcas, e, menos vulgarmente, por palas. Popularmente, são também por vezes designados por casas de mourosfornos de mouros ou pias.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

auroque

auroque

auroque – O auroque (Bos primigenius) é um bovino extinto em 1627. Tratava-se de um boi de grandes dimensões e comportamento indócil. Seu habitat, em épocas pré-históricas, se estendia de Portugal à Coréia e da Sibéria à Índia. Este animal teria sido caçado pelos homens no sul e centro da Europa desde a pré-história, como relatam as pinturas rupestres encontradas nestes locais. Linhagens mais dóceis teriam sido selecionadas pelas populações locais, e teriam dado origem ao boi europeu (Bos taurus). O auroque, no entanto, jamais viria a ser domesticado, e, após milénios sofrendo com a caça, o último indivíduo morreu em 1627, na floresta de Jaktorowka, na Polónia. Recentemente tem-se discutido a separação do auroque como variedade distinta do boi doméstico, visto que estudos genéticos sugerem que pertenceram ambos à mesma espécie (Bos taurus).

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

isatis

isatis

isatis – Isatis L. é um género botânico pertencente à família Brassicaceae.


======================================================

Sobre o Neolítico

Sobre a Idade do Bronze

======================================================

Documentários

BBC – Timewatch: Stonehenge (2008 – 54′ 48″)

BBC Timewatch 2008 Stonehenge

BBC Timewatch 2008 Stonehenge

O programa acompanha a escavação feita no monumento em 2008 e explora a visão de que Stonehenge seria um templo de cura. Estudos de vestígios de ossos de um homem que ficou conhecido como o arqueiro de Amesbury, região próxima do monumento, e dos objetos encontrados no local em que foi enterrado, oferecem indícios de que ele veio de muito longe buscando tratamento para uma lesão na perna. Foram encontradas pontas de flechas e marcas de flechadas, que devem ter sido a causa de sua morte. Este e outros programas reconstituem a morte do arqueiro. Uma animação em computação gráfica ilustra as quatro fases de construção de Stonehenge e também o processo de abandono e ruína do monumento. Estudos sobre as disposição das pedras também reforçam a teoria do templo de cura. O conjunto é formado pelas gigantescas sarcen stones (ou pedras sarracenas), usadas nos grandes megálitos que formavam o círculo principal, e pelas blue stones (pedras azuis), que têm menor porte e formam o círculo externo. Essas pedras azuis eram valorizadas por ter grande poder terapêutico e encontravam-se em maior número no monumento. Essas e outras evidências como a posição das pedras em alinhamento com o nascer e o pôr do sol somam-se para fazer alguns estudiosos acreditarem na noção de um templo de cura do neolítico.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

History Channel – MysteyQuest: Stonehenge (2009 – 44′ 58″)

http://www.history.com/search?search-field=stonehenge

History Channel - Mystery Quest - Stonehenge

History Channel - Mystery Quest - Stonehenge

Este tem uma visão totalmente original. Analisa as propriedades acústicas do círculo de pedras. Utilizando equipamentos de alta precisão e tocando instrumentos de percussão confeccionados com base em descobertas arqueológicas, um grupo de especialistas realiza testes in loco e em uma réplica do monumento nos EUA. Eles descobrem que a vibração dos instrumentos e a reverberação pelas pedras produz ondas alfa, as mesmas alcançadas em transes mediúnicos, em estado de hipnose ou em meditação. Seria Stonehenge o espaço das festas raves pré-históricas? 🙂  Seria um templo para, através do transe proporcionado pela música e a dança, se alcançar a cura para doenças ou para se comunicar com os espíritos dos ancestrais?

Além disso, o programa também faz outra reconstituição da morte do arqueiro de Amesbury, mostrando os testes de um especialista em armas antigas. A descoberta de restos de ossos e dentes de porcos tabém é ressaltada como um indício de que o local servia para festas com ricos banquetes.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

National Geographic – Making History: Secrets of Stonehenge (2010 – 44′ 56″)

National Geographic - MakingHistory: Secrets of Stonehenge

National Geographic - MakingHistory: Secrets of Stonehenge

Esse é o mais espetaculoso dos documentários. Foi muito providencial assistir para entender melhor a descrição que o Bernard Cornwell faz da engenharia usada para transportar e erguer as pedras. Numa dramatização com atores e efeitos especiais, o programa mostra como as cordas, rampas, tripés e outras geringonças podem ter sido utilizadas na logística e construção de Stonehenge.

E também tem uma investigação sobre as razões para a orientação do templo em relação ao sol. Especialistas respondem porque o sol era tão importante para os que ergueram o monumento. O programa visita os locais originais de onde as pedras foram transportadas e faz outra reconstituição da morte do arqueiro. Uma arqueóloga ou antropóloga mostra os objetos encontrados em um túmulo nas proximidades que podem ser considerados as primeiras “jóias da coroa” inglesas.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

National Geographic – Stonehenge Decoded (2008 – 60′ 34″)

National Geographic - Stonehenge Decoded

National Geographic - Stonehenge Decoded

Outro programa que reconstitui a construção do monumento com cordas, alavancas e tripés. Narrado por Donald Sutherland, o documentário também tenta investigar os métodos usados para moldar as pedras que formam os pilares e os lintéis com seus encaixes precisos. Explora também os vestígios do que seria a cidade perdida dos construtores de Stonehenge.

A teoria seguida é de que seria um complexo religioso, incluindo não apenas Stonehenge, mas também outros círculos monumentais nas proximidades. Um deles, feito de madeira. Mas, ao contrário do que alguns imaginavam, os pilares de madeira não seriam um ensaio para o templo definitivo de pedras. Supõe-se que os templos de pedra e de madeira teriam propósitos diferentes. O de pedra (Stonehenge) seria dedicado aos mortos (os ancestrais) e nele se observaria o nascer do sol. E o de madeira (Woodhenge) seria o templo dos vivos, onde se praticariam rituais de fertilidade e se assistiria ao pôr do sol. A dramatização é a mais elaborada de todos os documentários dessa lista. Atores vivem personagens numa pequena história que narra a aventura da construção do templo e do transporte das pedras, além dos rituais de fertilidade e de morte.

Mas o que achei mais interessante sobre essa visão do templo para os mortos é que um dos arqueólogos consultados conta sobre a visita a uma tribo africana que utiliza pedras em rituais de reverência aos mortos. Um dos membros da tribo visitou Stonehenge e não teve dúvidas de que aquele era um grande monumento aos espíritos dos antepassados. De celebração da harmonia entre humanos e natureza. A vida vem da natureza. Os ancestrais são a fonte de vida. As pedras são pessoas. Saban, personagem do livro de Cornwell, pede humildemente desculpas aos espíritos das árvores que tem de derrubar para usar na construção do templo.

Por fim, o programa parte das descobertas feitas no túmulo do nosso querido Amesbury archer para ilustrar o advento da primeira era do metal. Indícios da chegada de outros povos do continente europeu trariam novos conhecimentos como a metalurgia, começando pela liga do bronze.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

PBS – Nova – Secrets of Lost Empires: Stonehenge (1997 -54′ 12″)

PBS - Nova - Secrets of Los Empires - Stonehenge

PBS - Nova - Secrets of Los Empires - Stonehenge

Embora seja anterior à descoberta do arqueiro de Amesbury e das escavações de 2004 e 2008, este talvez seja o documentário mais detalhado na tentativa de reconstituir o trabalho hercúleo e complicado de construção de Stonehenge. Uma centena de voluntários topou trabalhar sob o sol do verão inglês para puxar cordas, empurrar pedras sobre trilhos e tudo mais ao ritmo de tambores e gritos de “Um, dois, três. Puxe! Um, dois, três. Puxe! Um, dois, três. Puxe!” Cada tarefa foi estudada, planejada e executada para valer. Como teria sido a colocação dos lintéis? Com paletes ou rampas? Eles tentam todos os recursos que estariam disponíveis para o homem do neolítico inglês. Cordas, troncos de árvores, galhadas de antílope (para cavar fossos e barrancos), trenós e gordura animal (para facilitar o deslizamento das pedras). O progresso é lento, mas houve resultado. Um experimento que prova que o conhecimento meramente empírico faz grandes coisas.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

National Geographic – Naked Science: Who Built Stonehenge? (2005 – 45′ 19″)

NatGeo Naked Science: Who Built Stone Henge

NatGeo Naked Science: Who Built Stonehenge?

Esse tenta identificar quem foram os construtores de Stonehenge e começa eliminando as possibilidades de terem sido: 1 – Os Romanos; 2 – Os Druídas; 3 – Povos imigrantes do continente eruropeu; até só restar como candidatos os da opção 4:  os antigos britânicos do início da Era do Bronze (o que corresponde à opção seguida por Cornwell em seu romance). Foram testes realizados em 1995 que indicaram que Stonehenge tem cerca de 4 mil anos.

Além da busca por quem fez Stonehenge, o documentário se diferencia por relatar a descoberta de evidências de que algumas blue stones foram moldadas no próprio local de onde foram levadas, ou seja, em Gales do Sul. A teoria de que as pedras azuis teriam se deslocado até as planícies de Salesbury pelas próprias águas resultadas do derretimento de calotas polares no fim da Era do Gelo é refutada pelos especialistas. E o programa, com ajuda de engenheiros e arqueólogos, tenta recriar a jornada de transporte das pedras através do mar e dos rios, com barcos e cordas, percorrendo 20 milhas. Eles até resgatam as imagens do documentário da PBS descrito no tópico acima, do pessoal que resonstituiu o processo de arrastar e erguer os blocos de pedra. Em 1998 escavações arqueológicas descobriram um barco feito de um tronco de árvore na Era do Bronze. Uma espécie de canoa. Com base nessa descoberta, os arqueólogos reconstruiram as embarcações que possivelmente transportaram as blue stones. Eles só levam um pedregulho, e, mesmo assim, com ajuda de um guindaste para içar e deitar a pedra sobre a embarcação.

Um engenheiro calcula que foram necessarias 3 mil pessoas, um prazo de 2,5 a 3 anos, totalizando cerca de 1,5 a 2 milhões de Homens/hora de trabalho para construir Stonehenge. E uma das linhas de investigação sobre o monumento tenta identificar o modo como foi construído para entender as razões porque foi feito. O arqueólogo Mike Pitts, que também aparece no documentário da NatGeo “Stonehenge Decoded”, acredita que era um local religioso, erguido entre as sagradas colinas de Salesbury. Mas quem foram esses construtores? Em abril de 2003, outra escavação a 3 milhas do local encontrou ossos do que parecia ser uma família que viveu na época da construção de Stonehenge.  O estado dos esqueletos e dentes não permitia extrair material de DNA, mas testes forenses com alguns dentes indicaram que a origem daquelas pessoas era o sul do País de Gales. Mais uma idéia refletida no livro de Cornwell, onde habitantes de Sarmennyn, que é como ele chama o sudoeste de Gales, viajam até as planícies do sul da Inglaterra para ajudar a transportar as pedras azuis e a construir o novo templo. E, finalmente, com recursos como tomografia computadorizada e software de construção de imagens em 3 dimensões, cientistas conseguiram mostrar o rosto de um desses galeses que pode ter trabalhado na construção de Stonehenge.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Discovery HD TV – Sunrise Earth: Stonehenge Dawn (2006 – 50′)

Sem narrativa ou apresentador. Apenas a beleza das pedras em imagens de alta definição e o som ambiente do local. O vento, os pássaros, os automóveis na rodovia próxima. Algumas curiosidades são exibidas em texto na tela . Destaque para os pássaros pretos (Jackdawns) que fazem ninhos sob os lintéis. E os líquens que cobrem as pedras. Estes são raramente encontrados no interior do país. A espécie mais próxima é achada na costa marinha inglesa a 60 milhas de distância. Mais um mistério de Stonehenge.

O amanhecer em Stonehenge pela Discovery HDTV

O amanhecer em Stonehenge pela Discovery HDTV

Bons eram os velhos Titãs

Fúria de Titãs 2010

Fúria de Titãs 2010

Evito escrever sobre o que não gosto. Mas esse me deixou muito decepcionada. Tinha tudo para ser um filmaço, mas o novo Fúria de Titãs é chato pra burro. Desconfiei um pouco quando assisti ao trailer no cinema, mas caramba… que desperdício de talentos, dinheiro, energia, água, luz solar, oxigênio e paciência. Impressionante como conseguiram fazer um filme chato sobre uma aventura tão legal. O que é aquele Perseu? O Sam Worthington é um gato e tem uma voz sensacional, mas o carisma ali passou correndo e se benzendo.

E outra: escolheram fazer um herói sem mentor. Ou melhor (ou seria pior?), o mentor é a mocinha, que é a semi-deusa Io. Tudo bem que se subverta o modelo clássico da jornada do herói. Mas então que se apresente algo bom no lugar. A narrativa é muito mal elaborada. Sei lá, talvez exista alguma versão da lenda em que o Perseu fica com a Io. E deve ter exemplos do mentor ser a mocinha (Sheherazade, talvez?) . Aquele personagem do ator Mads Mikkelsen até se aproxima da figura de um mentor. Mas tudo é mal amarrado. Como um aperto de mão molenga e pegajoso. Enfim, esquece. O fato é que tinham um argumento bom e fizeram tudo ficar banal e enfadonho.

E o Pégaso? Lamentável. Numa época com as condições perfeitas para se criar um cavalo alado impressionante, belo como num sonho. A gente fica numa expectativa, mas tudo é sem graça e frustrante. Tão pobrinho o Pégaso, tadinho.

Não tem os presentes dos deuses, que, aliás, têm uma presença medíocre. Mais uma vez, se eles queriam inovar com um apelo de ódio e vingança dos humanos contra os deuses, muito legal, mas que fizessem algo realmente interessante. Por isso, é imperdoável a piada grosseira da cena em que Perseu acha a coruja mecânica do filme antigo. A mesma coruja que o antigo Perseu recebe de Atena. Só que o novo Perseu joga ela de volta no meio de uma tralha qualquer. Esse filme NÃO TEM DIREITO de desprezar um clássico, sendo a produção de merda que é.

Fúria de Titãs 2010

Perseu, o herói sem carisma de Fúria de Titãs 2010

E o pior de tudo é a desnecessária opção em 3D. Foi a primeira vez em que senti um pouco de dor de cabeça, provavelmente porque não estava me divertindo tanto quanto esperava. Tirava toda hora os óculos para ver se fazia diferença. E a verdade é que não fazia nenhuma. Só as legendas ficavam fora de registro. Não sei se havia algum problema na projeção. Diga-se de passagem, ninguém me convence de que aqueles óculos de 3D do Roxy, em Copacabana, sejam higienizados e esterilizados bla bla bla, como o cinema garante. Desculpe, mas têm sempre um aspecto sujo.

OK, vamos procurar com lupa o que se salva no filme. Basicamente, algum material visual é bem aproveitado.

Ralph Finnes é Hades. Acho ele foda e é muito bacana o efeito tipo fumaça preta de Lost que cerca o deus quando ele aparece. As Gréias parecem saídas dos filmes do Guillermo Del Toro. E o melhor é a Medusa . Ela é até uma criatura digital bonita. A risada é ótima. Aquele ser que lembra um djinn é bem curioso. Parece feito de fibras de lã, palha e vermes. Gosto de ouvir e de olhar para os lindões Liam Neeson, que faz o Zeus, e  Mads Mikkelsen (Draco).

Fúria de Titãs 2010

Ralph Finnes é Hades. O Valdemort dos subterrâneos.

O curioso djinn

Fúria de Titãs 2010

bonitão

Fúria de Titãs 2010

bonitão glitter

Fúria de Titãs 2010

Medusa rocks

Fúria de Titãs 2010

Gréia a la Guillermos del Toro

De resto, melhor esquecer e resgatar o bom e velho Fúria de Titãs de 1981. Isso mesmo. Aquele com efeitos especiais lo-tech. Da época de pérolas da sessão da tarde, como “Simbad contra o olho do Trigre”. Os monstros são bonecos bem toscões animados com técnica stop-and-motion. Não tinha computação gráfica ou câmeras digitais. Mas a história era melhor e mais divertida. E no modo caretão mesmo de contar uma lenda grega. Com o herói, os mentores, deuses glamurosos, monstros assustadores e a princesa como prêmio.

Zeus é por conta de Lawrence Olivier. Afrodite é a Úrsula Andrews. Hera é a Maggie Smith. Bons são os velhos titãs.

Fúria de Titãs 1982

Bubo, a coruja desastrada. Presente de Atena para Perseu em Fúria de Titãs 1982

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981. Do tempo em que os cartazes de filmes podiam ser ilustrações

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981

Fúria de Titãs 1981

Release the Kraken!!!! 1981

Fúria de Titãs 1981

Medusa, versão 1981

Fúria de Titãs 1981

Perseu de 1981

Fúria de Titãs 1981

Zeus (Lawrence Olivier) brincando com os destinos

Imagens do velho Fúria com áudio do novo

Bom! Comparação do velho e o novo