Para dentro do tempo

“Em seu delírio, Shadow transformou-se na árvore. As raízes afundavam-se na argila da terra, para dentro do tempo, para as fontes escondidas. Ele sentiu a fonte da mulher chamada Urd, que quer dizer Passado. Ela era enorme, uma giganta, uma montanha subterrânea de mulher, e as águas que guardava eram as águas do tempo.” – Neil Gaiman: Deuses Americanos.

as águas que guardava eram as águas do tempo

as águas que guardava eram as águas do tempo

revisitando a jornada de shadow

revisitando a jornada de shadow

Weirwoods

The gods the children worshipped were the nameless ones that would one day become the gods of the First Men – the innumerable gods of the streams and forests and stones. It was the children who carved the weirwoods with faces, perhaps to give eyes to their gods so that they might watch their worshippers at their devotions.

– George R. R. Martin, E. M. García Jr. & L. Antonsson: The World of Ice and Fire – Ancient History – The Dawn Age

Weirwood Tree: Game of Thrones digital fan art by Benco42

Weirwood Tree: Game of Thrones digital fan art by Benco42

 

A Dama de Cinza

Nin jamais havia visto um cavalo de verdade, só nas páginas dos livros de figuras, mas o cavalo branco que bateu os cascos pela rua até eles não era nada parecido com os cavalos que imaginava. Era maior, muito maior, com uma cara comprida e séria. Havia uma mulher montada no dorso em pelo do animal, usando um vestido cinza e longo que pendia e cintilava sob a lua de dezembro como teias de aranha no orvalho.

Ela chegou à praça, o cavalo parou e a mulher de cinza deslizou facilmente dele, colocando-se de pé na terra, de frente para todos, os vivos e os mortos.

Ela fez uma reverência.

E, como um só, eles se curvaram ou retribuíram a reverência, e a dança recomeçou.

“A Dama de Cinza agora irá

Pela Dança Macabra a todos levar.”

— Neil Gaiman: O Livro do Cemitério

 

A Dança da Morte - xilogravura de Alfred Rethel

A Dança da Morte – xilogravura de Alfred Rethel

Danse Macabre

Ghosts High

Ghosts High

Ideias emprestadas dos livros

Desde pequeno eu sempre pegava várias ideias emprestadas dos livros. Eles me ensinaram quase tudo que eu sabia sobre o que as pessoas faziam, sobre como me comportar. Eram meus professores e meus conselheiros.

— Neil Gaiman: O Oceano no Fim do Caminho

professores e conselheiros

professores e conselheiros

Memórias de sombras e afetos

Memórias de sombras e afetos

O Verde

“Ele adentra minha mente como uma traça; percebe minha similitude e se alegra…
Estamos juntos num novo mundo. Não tenho palavras para descrever…
O verde, diz ele. Ele chama de verde.
Sinto-o lendo os rastros que outras vidas deixaram em minhas espirais celulares.
E, no reflexo do espelho verde, vejo-o a examinar antigas memórias…
… emprestadas e há muito abandonadas…

— Neil Gaiman e Dave McKean: Orquídea Negra

legenda 2

antigas memórias… emprestadas e há muito abandonadas…

legenda 3

no reflexo do espelho verde

legenda 1

Ele chama de verde

arte serial

A arte serial

 

 

O dom da empatia

Perguntara-se, como, aliás, fizera a maioria das pessoas uma vez ou outra, precisamente por que um androide saltava impotente, de um lado para outro, quando submetido a um teste de medição de empatia. Empatia, evidentemente, existia apenas na comunidade humana, ao passo que inteligência em algum grau podia ser encontrada em todas as filas e ordens, incluindo os aracnídeos. Pelo menos, a faculdade de empatia provavelmente requeria um instinto grupal intacto; um organismo solitário, como uma aranha, não teria utilidade para ela; na verdade, tenderia abortar a capacidade da aranha de sobreviver. Torná-la-ia consciente do desejo de viver de sua presa. Daí, se a possuíssem, todos os predadores, mesmo os mamíferos altamente desenvolvidos, como os gatos, morreriam de fome.

A empatia, chegara ele certa vez à conclusão, forçosamente devia limitar-se a herbívoros ou, de qualquer maneira, a onívoros que podiam abster-se de uma dieta de carne. Isto porque, em última análise, o dom da empatia tornava indistintas a fronteira entre caçador e vítima, entre os bem-sucedidos e os derrotados.

— Philip K. Dick: O Caçador de Androides (Do Androids Dream of Electric Sheep?)

o dom da empatia

Desejo de viver

A identidade e o prejuízo da morte

A identidade e o prejuízo da morte

A fábula tão verdadeira quanto pode ser

Ah, era sim. A fábula de Mister Punch não é só um show de fantoches, sabe. Há quem diga que foi o velho Porsini que levou Punch para a Inglaterra há duzentos, trezentos anos. E é tão verdadeira quanto pode ser. Foi aí que Mister Punch recebeu seu nome. Ele troca de nome conforme os tempos mudam. Ah, mas eu o seguia lá nos tempos antigos, no inverno.

Ele fazia suas travessura e, na época, como hoje, enganava o Diabo e lutava contra o dragão.

– Neil Gaiman & Dave McKean: A Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch

A fábula tão verdadeira

Ele troca de nome conforme os tempos mudam

Mr. Punch

Não é só um show de fantoches