A grande vantagem de ter homens elegantes

“Ela adorava o Passage des Panoramas. Era uma paixão que lhe ficara da sua infância pelo ouropel do artigo de Paris, as jóias falsas, o zinco dourado, o cartão que imita couro. Quando passava, não podia afastar-se das vitrinas, como na época em que arrastava os seus chinelos de garota, passando horas esquecidas diante das guloseimas de um chocolateiro, escutando o toque do órgão numa loja vizinha, presa sobretudo pelo gosto berrante dos objetos baratos, estojos de costura em casca de noz, alcofas de trapeiro para palitos, colunas Vendôme e obeliscos formando termômetros. Mas, naquela noite, estava muito alheada, olhava sem ver. Aborrecia-a, no fim das contas, não ser livre; e, na sua revolta surda, vinha-lhe a furiosa necessidade de fazer uma asneira. A grande vantagem de ter homens elegantes!” – Émile Zola: Naná

passage_des_panoramas

adorava o Passage des Panoramas

nana

naturalismo meticuloso

Anúncios

algum segredo para o coração que está a seu lado

“Um fato extraordinário a merecer reflexão é o de que cada ser humano se constitui num profundo e indecifrável enigma para todos os demais. Sempre que entro numa grande cidade à noite, considero com solene gravidade que todas aquelas casas fechadas e escuras encerram seu próprio segredo, que cada aposento em cada uma delas oculta um mistério, que cada coração pulsando nessas centenas de milhares de peitos esconde algum segredo para o coração que está a seu lado.” – Charles Dickens: Um Conto de Duas Cidades

Paris 1789

Paris 1789

 

terrores da mudança

terrores da mudança

 

Para dentro do tempo

“Em seu delírio, Shadow transformou-se na árvore. As raízes afundavam-se na argila da terra, para dentro do tempo, para as fontes escondidas. Ele sentiu a fonte da mulher chamada Urd, que quer dizer Passado. Ela era enorme, uma giganta, uma montanha subterrânea de mulher, e as águas que guardava eram as águas do tempo.” – Neil Gaiman: Deuses Americanos.

as águas que guardava eram as águas do tempo

as águas que guardava eram as águas do tempo

revisitando a jornada de shadow

revisitando a jornada de shadow

Luz Interior

“Honor estava ansiosa pelo Culto, pois não comparecia a um desde que esteve na Filadélfia e sentia falta da sensação de paz que costumava ter. Em geral, a plateia dos Cultos costumava demorar um pouco para se acalmar e ficar em silêncio, como um lugar onde a poeira levantasse e precisasse baixar. As pessoas se mexiam em seus lugares até achar uma posição confortável, arrastavam os pés no chão e tossiam, aquela agitação refletia o que se passava na cabeça delas, ainda ativas com as preocupações do dia. Mas, uma por uma, elas deixavam de lado os problemas com trabalho, colheita, comida e se concentravam na Luz Interior que era a manifestação de Deus nelas. O Culto começava em silêncio, que ia se alterando até um momento em que o próprio ar parecia se adensar. Não havia qualquer sinal exterior, mas dava para perceber que o Culto começava a se concentrar em algo muito mais forte e profundo. Era então que Honor mergulhava em si mesma.  E quando chegava ao lugar que procurava, podia ficar por muito tempo e ver que os Amigos em volta também estavam lá.” –  Tracy Chevalier: A Última Fugitiva

Meeting for worship

Meeting for worship

 

construção em retalhos

liberdade e silêncio

A canção da batalha

“Ah, a loucura da batalha! Nós a tememos e a celebramos, os poetas cantam sobre ela, e, quando ela domina o sangue como fogo, é uma loucura real. É um júbilo! Todo o terror é varrido para longe, um homem sente que pode viver para sempre, vê o inimigo recuar e sabe que ele próprio é invencível, que até os deuses se afastariam de sua espada e de seu escudo coberto de sangue. E eu continuava berrando aquela canção louca, a canção da batalha e do massacre, o som que suprimia os gritos dos agonizantes e dos feridos. É o medo, claro, que alimenta a loucura da batalha, a liberação do medo em forma de selvageria. A vitória na parede de escudos é obtida sendo mais selvagem que o inimigo, transformando a selvageria que o adversário sente em medo.”
– Bernard Cornwell: Guerreiros da Tempestade, Capítulo 13.

The Battle of Maldon Illustration by Rory W. Stapleton

The Battle of Maldon
Illustration by Rory W. Stapleton

 

Quase lá, Utred!

Quase lá, Utred! Falta pouco pra Bebbanburg.

Carlyle

A casa é iluminada e espaçosa; mas é um lugar silencioso, que demanda muita imaginação para que se possa vê-lo com vida novamente – para isso, deve-se mostrá-lo com todas as pequenas e astutas “artimanhas” de que ela fazia uso; e ver, de alguma forma, a figura comprida e lúgubre dele, inclinando-se ou recostando-se, com o cachimbo na mão, e escutar conversas irrompendo, tudo com o sotaque escocês; e a profunda gargalhada. Mrs. Carlyle, suponho eu, sentava-se ereta, mas muito frágil, divertida, mas crítica também – narrando o seu dia, e sendo agradável com alguma “admiradora” em uma ou duas frases. – Virginia Woolf: A Casa de Carlyle e Outros Esboços (organização, introdução e notas de David Bradshaw)

Helen Allingham's 1879 painting of Carlyle

Helen Allingham’s 1879 painting of Carlyle

Esboços do noviciado de Woolf

Esboços do noviciado de uma escritora

Weirwoods

The gods the children worshipped were the nameless ones that would one day become the gods of the First Men – the innumerable gods of the streams and forests and stones. It was the children who carved the weirwoods with faces, perhaps to give eyes to their gods so that they might watch their worshippers at their devotions.

– George R. R. Martin, E. M. García Jr. & L. Antonsson: The World of Ice and Fire – Ancient History – The Dawn Age

Weirwood Tree: Game of Thrones digital fan art by Benco42

Weirwood Tree: Game of Thrones digital fan art by Benco42