O ícone da criatividade

Já estamos distantes dos tempos em que Newton trabalhava sozinho. A Internet, resultado de tantas contribuições e sínteses sublimes de ciência e estética, da subjetividade e do convívio, de business e de no profit, representa agora a metáfora mais eloquente, o próprio ícone da criatividade pós industrial.

– Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 9: O homem descobre a criatividade e inventa o futuro

internet

contribuições e sínteses sublimes

 

O salto pós-industrial

No seu texto que ser tornou um clássico, The Coming of Post-Industrial Society (…), Daniel Bell sustenta que um sistema social não pode galgar o dispositivo pós-industrial se antes não passou pelo industrial. Porém, a história não aconteceu assim: áreas como Detroit e Turim, completamente industrializadas, não foram capazes de realizar o salto pós industrial que, contrariamente, foi muito bem-sucedido em zonas rurais como o Vale do Silício ou em zonas urbanas pouco industrializadas como a região de Boston. O fato é que é preciso ser criativo para se tornar campeão de criatividade, e nem sempre a experiência industrial, com a padronização, a divisão de tarefas, a repetitividade e a linha de montagem mantêm o verniz da imaginação e da fantasia.

– Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 9: O homem descobre a criatividade e inventa o futuro

Detroit

Detroit

 

Vale do silício

Vale do Silício

 

As pulsações do progresso

Hoje a ciência e a técnica desenvolvem-se segundo um ritmo mais uniformemente acelerado, mas não foi sempre assim. As carruagens nas quais os nossos bisavós viajavam tinham uma velocidade mais ou menos igual à das carroças assírias e das bigas romanas. Já os automóveis duplicaram de velocidade no decorrer de 70 anos. Os microprocessadores, fiéis à lei de Moore, dobraram de potência a cada 18 meses. E as fibras óticas, a cada nove meses.

– Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 9: O homem descobre a criatividade e inventa o futuro

carroça tração animal

carroça tração animal

28º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo

28º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo

Atrozes inimigos de sempre

A sociedade industrial não deu uma importância excessiva à estética, preferindo a prática; nem sacrificou o utilitarismo à ética, preferindo os negócios. Mas combateu o analfabetismo, considerando-o inimigo da eficiência, e combateu a fatiga, considerando-a inimiga da produtividade. Contudo, talvez os seus maiores sucessos tenham sido conquistados contra a morte, que foi adiada; contra as muitas doenças que foram debeladas; e contra a dor, que foi derrotada em muitos casos. Em toda a pré-história e durante a longa época rural, contra a morte, as doenças e os traumas, a dor física e moral, nossos atrozes inimigos de sempre, lá onde os medicamentos e os cuidados médicos nos abandonavam, recorríamos aos antídotos espirituais constituídos pela esperança religiosa na imortalidade, pela consolação estética, pela doçura da amizade e pela paixão amorosa.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 8: O homem descobre a precisão e inventa a indústria

Bruno Marshall: Pain (Solitude) 1998

Bruno Marshall: Pain (Solitude) 1998

Iluminar as consciências

(…) o Iluminismo é o primado da autodeterminação, mas é também o primado da razão sobre a emoção (ou da linha reta sobre a linha curva, para retomar a nossa metáfora), da igualdade sobre a hierarquia, da tolerância sobre a perseguição, do laicismo sobre a religião e da especulação científica sobre a revelação divina. Com Voltaire e Rousseau, com Diderot e d’Alembert o termo Iluminismo indicou “o uso leigo da razão na pesquisa filosófica e científica, até tornar-se a palavra de ordem de uma elite de intelectuais que se sentiu investida de uma missão comum: promover o saber antimetafísico, fundado no sucesso do método experimental, banir os preconceitos e as superstições , fazer triunfar o espírito de tolerância, iluminar as consciências, difundir em todos os estratos sociais a edução e a cultura, reformar as instituições e limitar a influência das Igrejas nos Estados e na educação”.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 8: O homem descobre a precisão e inventa a indústria (com citação de “Ciência, utopia e progresso. Perfil do Iluminismo”, de P. Casini)

Filósofos Iluministas reunidos no salão de madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet-Charles Lemonnier, 1812. clique aqui

Filósofos Iluministas reunidos no salão de madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet-Charles Lemonnier, 1812.

 

A trajetória do sol

Se a trajetória geográfica da pré-industrialização parte de Londres para a Filadélfia e Detroit, e a da era pós-industrial irá de Boston a Stanford, a Seattle e a Tóquio, segundo o cinturão solar, caro a Daniel Bell, que relacionou a trajetória da civilização, sempre mais coerente com o percurso do Sol: da Europa à Costa Leste americana, da Costa Leste à Costa Oeste e, finalmente, da Costa Oeste americana à Ásia. A China, portanto, aproxima-se.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 8: O homem descobre a precisão e inventa a indústria

 

The Great Wall Of China Sunrise

The Great Wall Of China Sunrise

 

As trevas preparam a luz

Talvez o exagero dos teólogos e dos religiosos em mortificar o homem e a terra em favor de Deus e do paraíso de um certo ponto revelou-se sufocante demais e provocou uma reação. As mesmas catedrais góticas, pensadas em louvor do Senhor, acabaram sobretudo por fazer florescer uma demonstração das capacidades humanas e dos resultados  magníficos que o homem é capaz de obter sobre esta terra, quando apela às suas geniais habilidades de artista e de engenheiro.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – capítulo 7: O homem descobre o purgatório e reinventa a si mesmo

Catedral gótica abandonada

Catedral gótica abandonada

O homem vitruviano de Leonardo da Vinci

O homem vitruviano de Leonardo da Vinci