Variedade, versatilidade, inventividade

“Depois de atingirem o apogeu de vitalidade, as civilizações tendem a perder seu vigor cultural e declinam. Um elemento essencial nesse colapso cultural, segundo Toynbee, é a perda de flexibilidade. Quando estruturas sociais e padrões de comportamento tornam-se tão rígidos que a sociedade não pode mais adaptar-se a situações cambiantes, ela é incapaz de levar avante o processo criativo de evolução cultural. Entra em colapso e, finalmente, desintegra-se. Enquanto as civilizações em crescimento exibem uma variedade e uma versatilidade sem limites, as que estão em processo de desintegração mostram uniformidade e ausência de inventividade. A perda de flexibilidade numa sociedade em desintegração é acompanhada de uma perda geral de harmonia entre seus elementos, o que inevitavelmente leva ao desencadeamento de discórdias e à ruptura social.” – Fritjof Capra: O Ponto de Mutação

free_style_frisbee_handstand_catch

adaptar-se a situações cambiantes

 

livro-o-ponto-de-mutaco-fritjof-capra-14010-MLB3954668907_032013-F

Ao término de um período de decadência sobrevem o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força… O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo ê introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano. I Ching

A criatividade que não se exerce nas coisas, mas nas pessoas

“Muitos, pensando na criatividade, dirigem a mente para a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, os poemas de Milton, o Pensador de Rodin, o pára-raios, as lentes bifocais de Benjamin Franklin, a estufa, o telégrafo de Morse, o telefone de Alexander Graham Bell, a lâmpada elétrica e o fonógrafo de Edison. Nesses casos, a criatividade é associada a uma pintura, a uma escultura, a um soneto, a uma invenção, a um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil.
“Mas existe ainda outro tipo de criatividade que poderemos chamar de invenção psicológica ou social e cujos produtos não são objetos tangíveis. É a criatividade que não se exerce nas coisas, mas nas pessoas, a criatividade nos relacionamentos humanos. É uma forma de criatividade que requer inteligência, acuidade de percepção, finura de sensibilidade, respeito ao homem como indivíduo e uma certa coragem pessoal para explicar o próprio ponto de vista e para manter as convicções sobre ele. A criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular de operar com os outros. Encontramos exemplos históricos nas tentativas , exercidas no campo político e social, para a composição das divergências. A Magna Carta, o Bill of Rights, a proclamação da emancipação da população negra, as Constituições, os estatutos municipais e as suas emendas e os códigos e regulamentos urbanos representam, todos, exemplos de criatividade social.”

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 14 – A Contribuição da Sociologia, citando Harold H. Anderson

Leonardo da Vinci: The Mona Lisa (or La Joconde, La Gioconda).

Leonardo da Vinci: The Mona Lisa (or La Joconde, La Gioconda).

um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil

um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil

Lei Áurea: A  criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular  de operar com os outros

Lei Áurea: “A criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular de operar com os outros”

 

Nova e grande estação de explorações e invenções

Nunca como hoje, portanto, as duas culturas estiveram tão próximas; e não porque as ciências humanas tenham finalmente conquistado os códigos da ordem previsível e da simplicidade inteligível que pretendiam, mas porque as ciências da natureza chegaram finalmente à consciência (e mesmo ao reconhecimento e à apreciação ) daquela desordem e daquela complexidade que desde sempre detestavam.
O que permitiu a cientistas como Prigogine e Stengers profetizar uma nova aliança foi a inédita circunstância pela qual – pela primeira vez na história da cultura – são as ciências exatas que permutam métodos e paradigmas da ciência humana, não o inverso. Essa circunstância comporta pelo menos aparentemente, uma extensão – mais do que uma restrição – da área da incerteza e da complexidade. Na verdade, cria as premissas para uma nova e grande estação de explorações e invenções.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 13 – A Contribuição da Epistemologia

exatidão e incerteza

exatidão e incerteza

Iluminar as consciências

(…) o Iluminismo é o primado da autodeterminação, mas é também o primado da razão sobre a emoção (ou da linha reta sobre a linha curva, para retomar a nossa metáfora), da igualdade sobre a hierarquia, da tolerância sobre a perseguição, do laicismo sobre a religião e da especulação científica sobre a revelação divina. Com Voltaire e Rousseau, com Diderot e d’Alembert o termo Iluminismo indicou “o uso leigo da razão na pesquisa filosófica e científica, até tornar-se a palavra de ordem de uma elite de intelectuais que se sentiu investida de uma missão comum: promover o saber antimetafísico, fundado no sucesso do método experimental, banir os preconceitos e as superstições , fazer triunfar o espírito de tolerância, iluminar as consciências, difundir em todos os estratos sociais a edução e a cultura, reformar as instituições e limitar a influência das Igrejas nos Estados e na educação”.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 8: O homem descobre a precisão e inventa a indústria (com citação de “Ciência, utopia e progresso. Perfil do Iluminismo”, de P. Casini)

Filósofos Iluministas reunidos no salão de madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet-Charles Lemonnier, 1812. clique aqui

Filósofos Iluministas reunidos no salão de madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet-Charles Lemonnier, 1812.

 

a insignificância dos répteis humanos

“As Cobras dão palpite sobre tudo, mas prefiro as Cobras filosóficas, comentando a insignificância dos répteis – incluindo os répteis humanos – diante do universo.”

— Luis Fernando Verissimo: As Cobras – Antologia Definitiva

 

universo frio e indiferente

universo frio e indiferente

um universo que não entendemos

um universo que não entendemos

e a vida não tem sentido

e a vida não tem sentido

Cobras criadas de Veríssimo

Cobras criadas de Veríssimo

Memórias são ‘a coisa essencial’ para nós?

Arnie passa por uma determinada mudança – suas memórias são apagadas e novas colocadas em seu lugar. A afirmação Verhoeven-Schwarznegger é que esta é uma mudança essencial. A pessoa que Arnie era não existe mais; uma nova pessoa tomou seu lugar. É por isso que Arnie providencia sua tradicional alta contagem de cadáveres. Ele está literalmente lutando por sua sobrevivência. Ter as memórias antigas – as memórias de Hauser – restauradas iria literalmente terminar com a existência de Quaid, a pessoa em que ele se tornou. Então Verhoeven-Schwarznegger estão defendendo o que é comumente chamado de teoria da memória da identidade pessoal. Se eles estão certos, nossas memórias são a coisa essencial para nós: o que faz de cada um de nós a mesma pessoa todos os dias, e o que nos faz diferentes de todas as outras pessoas, é a nossa memória.

— Mark Rowlands: Scifi=Scifilo – A Filosofia Explicada pelos Filmes de Ficção Científica (Capítulo 4 – O Vingador do Futuro e O Sexto Dia)

O problema da identidade pessoal

O problema da identidade pessoal

Schwaznegger, Tom Cruise, Keanu Reeves e cia conectam o leitor com Platão, Nitsche, Descartes e cia.

Schwaznegger, Tom Cruise, Keanu Reeves e cia conectam o leitor com Platão, Nietzsche, Descartes e cia.