O que devemos à Idade Média


“Tento enumerar alguns elementos: os óculos, o papel, a filigrana, o livro, a imprensa com caracteres móveis, a universidade, os algarismos indo-arábicos, o zero, a data de nascimento de Cristo, bancos, tabeliães e casa de penhores, a árvore genealógica, o nome das notas musicais, assim como a escala musical. A Idade Média nos doa ainda os botões, as roupas íntimas e as calças compridas; nos diverte com os baralhos de vários tipos, com o jogo de xadrez e o tarô, e ainda com o carnaval; alivia a dor com a anestesia, nos ilude com os amuletos (mas o coral, que protege as crianças dos raios, ajuda também a repassar o rosário). Trouxe o gato para dentro de casa, o vidro para as janelas, assim como a lareira; fez com que nos sentássemos à mesa (os romanos comiam deitados) e passássemos a comer com o garfo, e trouxe a massa – tão amada pelos italianos, mas não somente por eles -, exatamente os maccheroni e os vermicelli, cuja farinha era incessantemente moída pelos moinhos movidos a água e a vento. Soube usufruir a força motriz da água ativando a espremedura do óleo e as serralherias, batedores para os panos, moinhos de papel e de farinha. Descobriu uma extraordinária força motriz: o cavalo, dotando de ferro suas patas, além de estribo, rédeas rígidas, de modo que o animal pudesse puxar sem ser sufocado pelo peso; aliviou o cansaço humano com o carrinho de mão e tornou mais seguro o caminho dos navegantes com a bússola e o timão. Nas batalhas desfraldou bandeiras com brasões coloridos, assim como ressoou o fragor da pólvora disparada por fuzis e por canhões. Mudou o sentido que tempos do tempo, sobre a face da Terra, com um relógio que introduzia as horas de igual duração e não mais dependentes das estações; e mudou nosso sentido de tempo também no mundo do além, fazendo emergir um terceiro reino, o purgatório, que rompe os destinos imutáveis da eternidade. Por fim, fez as crianças sonharem com Papai Noel.”

— Chiara Frugoni em “O Que Devemos à Idade Média?”, citada em Criatividade e Grupos Criativos, de Domenico de Masi, capítulo 7: O homem descobre o purgatório e reinventa a si mesmo

invenções da idade das trevas: óculos

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Universidade de Oxford, Inglaterra

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Invenções da chamadaidade das trevas: moinho de pedra

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Invenções da chamada idade das trevas: pólvora aplicada a armamentos

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