A criatividade que não se exerce nas coisas, mas nas pessoas

“Muitos, pensando na criatividade, dirigem a mente para a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, os poemas de Milton, o Pensador de Rodin, o pára-raios, as lentes bifocais de Benjamin Franklin, a estufa, o telégrafo de Morse, o telefone de Alexander Graham Bell, a lâmpada elétrica e o fonógrafo de Edison. Nesses casos, a criatividade é associada a uma pintura, a uma escultura, a um soneto, a uma invenção, a um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil.
“Mas existe ainda outro tipo de criatividade que poderemos chamar de invenção psicológica ou social e cujos produtos não são objetos tangíveis. É a criatividade que não se exerce nas coisas, mas nas pessoas, a criatividade nos relacionamentos humanos. É uma forma de criatividade que requer inteligência, acuidade de percepção, finura de sensibilidade, respeito ao homem como indivíduo e uma certa coragem pessoal para explicar o próprio ponto de vista e para manter as convicções sobre ele. A criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular de operar com os outros. Encontramos exemplos históricos nas tentativas , exercidas no campo político e social, para a composição das divergências. A Magna Carta, o Bill of Rights, a proclamação da emancipação da população negra, as Constituições, os estatutos municipais e as suas emendas e os códigos e regulamentos urbanos representam, todos, exemplos de criatividade social.”

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 14 – A Contribuição da Sociologia, citando Harold H. Anderson

Leonardo da Vinci: The Mona Lisa (or La Joconde, La Gioconda).

Leonardo da Vinci: The Mona Lisa (or La Joconde, La Gioconda).

um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil

um produto que é possível ver, estudar, empregar de forma útil

Lei Áurea: A  criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular  de operar com os outros

Lei Áurea: “A criatividade nos relacionamentos humanos exige a integridade do indivíduo e uma capacidade particular de operar com os outros”

 

Nova e grande estação de explorações e invenções

Nunca como hoje, portanto, as duas culturas estiveram tão próximas; e não porque as ciências humanas tenham finalmente conquistado os códigos da ordem previsível e da simplicidade inteligível que pretendiam, mas porque as ciências da natureza chegaram finalmente à consciência (e mesmo ao reconhecimento e à apreciação ) daquela desordem e daquela complexidade que desde sempre detestavam.
O que permitiu a cientistas como Prigogine e Stengers profetizar uma nova aliança foi a inédita circunstância pela qual – pela primeira vez na história da cultura – são as ciências exatas que permutam métodos e paradigmas da ciência humana, não o inverso. Essa circunstância comporta pelo menos aparentemente, uma extensão – mais do que uma restrição – da área da incerteza e da complexidade. Na verdade, cria as premissas para uma nova e grande estação de explorações e invenções.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 13 – A Contribuição da Epistemologia

exatidão e incerteza

exatidão e incerteza

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 16.000 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 6 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

O mundo é uma parte inseparável do indivíduo

Referindo-se à criatividade individual, Rollo May escreveu: “Entre o mundo e o ego e entre o ego e o mundo desenvolve-se um processo dialético ininterrupto; um subentende o outro, e nenhum dos dois pode ser definido omitindo o outro. É por isso que não podemos nunca localizar a criatividade como um fenômeno subjetivo; não a podemos estudar, nunca, simplesmente nos termos do quanto se desenvolve no íntimo do indivíduo. O pólo do mundo é uma parte inseparável do indivíduo em questão… Não podemos falar da ‘pessoa criativa’; podemos falar apenas do ‘ato criativo’, porque o que ocorre é sempre um processo, uma ação; especificamente, um processo que põe em relação a pessoa e o seu mundo.”

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 12 – A Contribuição da Psicologia

Processo criativo

Processo dialético ininterrupto

 

Podemos gerar alma em nós

Se o instinto criativo é dado a cada um de nós, e com ele, também, a sua modificação pela psique, não podemos mais manter cisões e fendas entre o homem e o gênio… Mesmo sem talento artístico, mesmo privado da força egóica da grande vontade, mesmo sem a boa sorte, pelo menos uma forma do criativo está continuamente disponível para cada um de nós: a criatividade psicológica. Criar alma: podemos gerar alma em nós. Ou, como diz Jung: “Mas quem, eventualmente, poeta não é, cria o quê? Se alguém não tem mesmo nada para criar, pode talvez criar a si mesmo.”
Também John Keats, a quem talvez devamos a mais bela definição de obra de arte, tinha escrito: “Aquilo que é criativo deve criar a si mesmo.”

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 11 – A Contribuição da Psicanálise, citando James Hillman (que cita Jung) e Keats.

podemos gerar alma em nós

Carl Gustav Jung

Portrait of John Keats by William Hilton. National Portrait Gallery, London

Portrait of John Keats by William Hilton. National Portrait Gallery, London

 

Circuitos criativos

(…) cada indivíduo difere de todos os outros, mas ao mesmo tempo, todos trazem a sua origem de uma propriedade criativa comum a todo o gênero humano, porque cada um de nós é possuidor de circuitos cerebrais fundamentalmente iguais e elabora a informação que chega ao mundo exterior mediante os mesmos processos (…).

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 10 – A Contribuição das Neurociências, citando Rita Levi-Montalcini

propriedade criativa comum a todo o gênero humano

propriedade criativa comum a todo o gênero humano

 

O ícone da criatividade

Já estamos distantes dos tempos em que Newton trabalhava sozinho. A Internet, resultado de tantas contribuições e sínteses sublimes de ciência e estética, da subjetividade e do convívio, de business e de no profit, representa agora a metáfora mais eloquente, o próprio ícone da criatividade pós industrial.

– Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 9: O homem descobre a criatividade e inventa o futuro

internet

contribuições e sínteses sublimes