A revolução do ferro

A vicissitude histórica do ferro, a longa incubação dos métodos para forjá-lo, a dimensão mágica que assumiu a transformação desse maleável metal incandescente em armas e utensílios: a resistência de alguns povos ao seu uso e a rapidez com que outros souberam colher as oportunidades e construir, com base nelas, a sua fortuna, assim como as consequências catastróficas para algumas classes sociais e para alguns regimes de governo e o impulso que resultou disso para a criação de novas formas de comunidade civil e de constituição política, todas essas desordens e agitações – das quais a tecnologia tirou a psicologia, a sociologia e a política – oferecem a ocasião para refletir sobre o destino e sobre o temor às novidades, sobre a resistência às mudanças, sobre o cultural gap e sobre o recalque do declínio: todos fenômenos que pontualmente se repetem a cada etapa do progresso, da aurora da nossa história até os casos atuais a respeito da energia nuclear, da informática e das biotecnologias.
— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 5: O homem descobre o ferro e inventa o cansaço

maleável metal incandescente

maleável metal incandescente

Velazquez: A Forja de Vulcano (Museo Del Prado, Madrid)

Velazquez: A Forja de Vulcano (Museo Del Prado, Madrid)

 

Anúncios

E o cérebro enriqueceu-se

Do ponto de vista morfológico, o cérebro foi gradualmente enriquecendo-se. O sistema neo-mamífero reúne características do paleo-mamífero e do proto-réptil (se quisermos adotar a subdivisão proposta por MacLean). O proto-réptil limita-se a gerir os comportamentos estereotipados e predeterminados, que não exigem flexibilidade com respeito aos estímulos ambientais. O paleo-mamífero, que está na base das emoções e das sensações prazerosas ou desprazerosas, molda o comportamento humano a partir dos estímulos ambientais. O neo-mamífero é capaz de analisar e transformar os sinais, sistematizando-os em coordenadas espaço-temporais, elaborando conceitos e projetos e compondo sínteses entre a fantasia e a concretude, isto é, criando.

—  Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 2: O Homem Descobre a Imperfeição e Inventa a Palavra

n134p01f

o cérebro foi gradualmente enriquecendo-se

 

 

Origens neolíticas das ciências organizacionais

É surpreendente descobrir que muitos conceitos destinados a se tornar básicos nas business schools do século XX foram pela primeira vez formulados no período neolítico. A divisão do trabalho, a criteriosa combinação da força de trabalho abstrata com a força de trabalho concreta, a solução dos conflitos, o controle e a motivação dos homens, a valorização do trabalho intelectual, a estrutura hierárquica, a rede de organizações interligadas, a interação entre sistema e ambiente, o relacionamento entre staff e line, a planificação estratégica, o controle financeiro da gestão, o cuidado com a imagem e, de certa forma, a publicidade são todos invenções sociológicas realizadas entre os anos 3500 e 2500 a.C., ou conduzidas naquele período até formas de surpreendente sofisticação.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 4: O homem descobre a semente e inventa o Estado

Divisão do trabalho

Invenções sociológicas dos anos 3500 e 2500 a.C

Conceitos básicos do século XX

 

gestão de pessoas

 

Invenções coletivas

Grande parte das invenções humanas mais surpreendentes – do alfabeto ao Estado, dos veleiros à piadas, das festas ao arado, da tesoura à Magna Carta – não possui um “alguém que as imaginou”, pois elas são frutos de progressivos ajustes e colaborações coletivas, seja nas suas criações, nas suas realizações, nos seus aperfeiçoamentos, na sua difusão, assim como nas suas aplicações.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 4: O homem descobre a semente e inventa o Estado

Do alfabeto

Do alfabeto ao Estado

A Magna Carta

Da tesoura à Magna Carta

Paraíso, trabalho e ócio

As figurações do paraíso, portanto, e a inexaurível criatividade que as coloriram constituem outras tantas fontes copiosas de informações sobre como o homem teria desejado viver sobre esta terra e sobre o que ele entendia por felicidade. Naquilo que nos diz respeito de forma específica, elas nos oferecem testemunhos indiretos originais para reconstruir não só as formas de criatividade que o homem produziu, mas também a relação ambígua de ódio e amor que ele manteve seja com o trabalho (em relação às suas causas, ao trabalho em seu conjunto, como fonte de sustento e de fadiga), seja com o ócio (suas causas, o ócio como um todo, como fonte de gozo e de vício).

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo 3: O Homem descobre os símbolos e inventa o além

"O Jardim das Delícias Terrenas" de Hieronymus Bosch (cerca de 1450–1516) - Museo del Prado, Madrid

“O Jardim das Delícias Terrenas” de Hieronymus Bosch (cerca de 1450–1516) – Museo del Prado, Madrid

 

O sétimo dia

Findo o sexto dia, completados e ordenados o céu e a terra e todas as coisas que neles se encontram, “Deus viu que tudo aquilo que havia feito era deveras muito belo”. Exaltado por tanta beleza, realizou a coisa mais linda de todas: “No sétimo dia, termina a sua obra, Deus descansou.” Agora, “tudo estava criado”.

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Capítulo Um: Os Sete Dias da Criação

Vincent Van Gogh: Noon rest from work after Millet

Vincent Van Gogh: Noon rest from work after Millet (Musée d’Orsay, Paris)

De curvas é feito todo o universo

“Não é o ângulo reto que me atrai e nem mesmo a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do céu, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.” – OSCAR NIEMEYER

— Domenico de Masi: Criatividade e Grupos Criativos – Primeira Parte – Descoberta e Invenção

oscar niemeyer

a curva que encontro nas montanhas do meu país

niemeyer

universo curvo

oscar niemeyer

curva livre e sensual