there is no word tender enough to be your name

A wave of yet more tender joy escaped from his heart and went coursing in warm flood along his arteries. Like the tender fires of stars moments of their life together, that no one knew of or would ever know of, broke upon and illumined his memory. He longed to recall to her those moments, to make her forget the years of their dull existence together and remember only their moments of ecstasy. For the years, he felt, had not quenched his soul or hers. Their children, his writing, her household cares had not quenched all their souls’ tender fire. In one letter that he had written to her then he had said: Why is it that words like these seem to me so dull and cold? Is it because there is no word tender enough to be your name?

— James Joyce: The Dead, conto do livro Dubliners

Anjelica Huston ("Gretta Conroy," left) and Donal McCann ("Gabriel Conroy," right) star in Lionsgate Home Entertainment's THE DEAD.

Anjelica Huston (“Gretta Conroy,” left) and Donal McCann (“Gabriel Conroy,” right) star in Lionsgate Home Entertainment’s THE DEAD.

 

Recortes da gente de Dublin

Recortes da gente de Dublin

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Copiosas e bem preciosas eram elas

Nessa semana ocupei-me em documentar e empacotar as relíquias menores que destinava à tia Patrocínio. Copiosas e bem preciosas eram elas – e com devotíssimo lustre brilhariam no tesouro da mais orgulhosa sé! Além das que Sião importa de Marselha em caixotes – rosários, bentinhos, medalhas, escapulários; além das que fornecem no Santo Sepulcro os vendilhões – frascos de água do Jordão, pedrinhas da Via Dolorosa, azeitonas do monte Olivete, conchas do lago de Genesaré – eu levava-lhe outras raras, peregrinas, inéditas… Era uma tabuinha aplainada por S. José; duas palhinhas do curral onde nasceu o Senhor; um bocadinho do cântaro com que a Virgem ia à fonte; uma ferradura do burrinho em que fugiu a Santa Família para a terra do Egito; e um prego torto e ferrugento…

— Eça de Queirós: A Relíquia

ocupei-me em documentar e empacotar as relíquias menores que destinava à tia Patrocínio

Da edição de A RELÍQUIA ilustrada por Rui Campos Matos.

“Mó viagem” de Rapozão

“Mó viagem” de Rapozão

reservava o fogo de seus olhos para ocultas contemplações

A marquesa, agora com trinta anos, era bela, se bem que de formas franzinas e excessivamente delicada. Seu maior encanto provinha do rosto, cuja calma traía uma surpreendente profundeza de alma. Seu olhar brilhante, mas que parecia velado por constante preocupação, acusava uma vida febril e a maior resignação. Suas pálpebras, quase sempre castamente voltadas para o chão, raramente se erguiam. Se lançava olhares ao seu redor, era com um movimento triste, e dir-se-ia que reservava o fogo de seus olhos para ocultas contemplações. Por isso, todo homem superior sentia-se curiosamente atraído por aquela mulher suave e silenciosa. Se a inteligência procurava sondar os mistérios da perpétua reação que se processava nela do presente sobre o passado, da sociedade sobre a sua solidão, a alma não tinha menos interesse em se iniciar nos segredos dum coração de certo modo orgulhoso de seus sofrimentos.

— Honoré de Balzac: A Mulher de Trinta Anos

 Jules-Élie Delaunay: Portrait de femme

Jules-Élie Delaunay: Portrait de femme

Experiência imperfeita do autor da Comédia Humana

Experiência imperfeita do autor da Comédia Humana

no hay plazo que no llegue ni deuda que no se pague

D. GONZALO.   Estos son nuestros manjares. No comes tú?

D. JUAN.            Comeré, si me dieses áspid y áspides cuantos el infierno tiene.

D. GONZALO.   También quiero que te canten.

CATALINÓN.   Qué vino beben acá?

D. GONZALO.   Pruébalo.

CATALINÓN.   Hiel y vinagre es este vino.

D. GONZALO.   Este vino exprimen nuestros lagares.

(Cantan.)            Adviertan los que de Dios jugan los castigos grandes, que no hay plazo que no llegue ni deuda que no se pague.

CATALINÓN.   Malo es esto, vive Cristo!, que he entendido este romance, y que con nosostros habla.

D. JUAN.            Un yelo el pecho me parte.

(Cantan.)            Mientras en el mundo viva, no es justo que diga nadie, “Qué largo me lo fiáis!”, siendo tan breve el cobrarse.

– Tirso de Molina: El Burlador de Sevilla

Mozart-Da Ponte: Don GiovanniThe Peabody Opera Theatre. Photo by Edward S. Davis

Mozart-Da Ponte: Don Giovanni. The Peabody Opera Theatre. Photo by Edward S. Davis

 

“Tan largo me lo fiáis”

“Tan largo me lo fiáis” 

por el momento no le preocupa

Alma interior

O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra coisa. Acho que posso explicar assim esse fenômeno: – o sono, eliminando a necessidade de uma alma exterior, deixava atuar a alma interior. Nos sonhos, fardava-me, orgulhosamente, no meio da família e dos amigos, que me elogiavam o garbo, que me chamavam de alferes; vinha um amigo de nossa casa, e prometia-me o posto de tenente, outro o de capitão ou major; e tudo isso fazia-me viver. Mas quando acordava, dia claro, esvaía-me como o sono, a consciência do meu ser novo e único, – porque a alma interior perdia a ação exclusiva, e ficava dependente da outra, que teimava em não tornar…
— Machado de Assis: O Espelho (em Contos Escolhidos)

deixava atuar a alma interior

deixava atuar a alma interior

 O Alienista, A Cartomante, O Espelho, Missa do Galo etc.


O Alienista, A Cartomante, O Espelho, Missa do Galo etc.

 

uma questão de ódio velho

De cada casulo espipavam homens armados de pau, achas de lenha, varais de ferro. Um empenho coletivo os agitava agora, a todos, numa solidariedade briosa, como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez. Enquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais, estava direito! “Jogassem lá as cristas, que o mais homem ficaria com a mulher!” mas agora tratava-se de defender a estalagem, a comuna, onde cada um tinha a zelar por alguém ou alguma coisa querida.

– Não entra! Não entra!

E berros atroadores respondiam às pranchadas, que lá fora se repetiam ferozes.

A polícia era o grande terror daquela gente, porque, sempre que penetrava em qualquer estalagem, havia grande estropício; à capa de evitar e punir o jogo e a bebedeira, os urbanos invadiam os quartos, quebravam o que lá estava, punham tudo em polvorosa. Era uma questão de ódio velho.

— Aluísio Azevedo: O Cortiço

o grande terror

o grande terror

os mesmos cabras e galegos dos tempos do império

os mesmos cabras e galegos dos tempos do império

A arte do diálogo

Os melhores conversadores são aqueles cujos ancestrais tenham sido bilíngues, como os franceses e irlandeses, mas a arte do diálogo está realmente ligada à riqueza pessoal de quase todos, com exceção daqueles que são morbidamente sinceros, ou daqueles cujo alto mérito moral necessita que seja sustentado por um permanente ar de submissão e um enfado geral da mente.

— Oscar Wilde: Chá das cinco com Aristóteles

Rafael:  A Escola de Atenas (afresco)

Rafael: A Escola de Atenas (detalhe do afresco com Platão e Aristóteles)

 

balalalalala

Wilde criticando a crítica