Vi as éguas da noite entre os escombros


Vi as éguas da noite galopando entre as vinhas
E buscando meus sonhos. Eram soberbas, altas.
Algumas tinham manchas azuladas
E o dorso reluzia igual à noite
E as manhãs morriam
Debaixo de suas patas encarnadas.

Vi-as sorvendo as uvas que pendiam
E os beiços eram negros e orvalhados.
Uníssonas, resfolegavam.

Vi as éguas da noite entre os escombros
Da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras
E vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato.

Vi-as tumultuadas. Intensas.
E numa delas, insone, a mim me vi.

—Hilda Hilst: Da Noite – I (Do Desejo)

Uníssionas, resfolegavam.

Uníssionas, resfolegavam.

E as manhãs morriam Debaixo de suas patas encarnadas.

E as manhãs morriam
Debaixo de suas patas encarnadas.

no coração da noite do desejo

no coração da noite do desejo

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