Storm Thorgerson

1944 – 2013

Pink Floyd: The Dark Side of The Moon

Pink Floyd: The Dark Side of The Moon

Led Zeppelin: The Houses of The Holy

Led Zeppelin: The Houses of The Holy

Genesis: The Lamb Lies Down on Broadway

Genesis: The Lamb Lies Down on Broadway

Só por essas três capas formou-se uma dívida impagável. Storm está no coração da memória coletiva-afetiva de capas de discos. Mais do que ampliar a experiência da música, suas imagens capturam, intrigam e perturbam como sonhos que nos acompanham por toda a vida.

Na vertigem de Karenina

Anna Karenina

Karenina por Stoppard e Wright

A vida é um teatro de variedades. Intrigas, cortina que sobe e desce, divas que fazem entradas dramáticas, cenários que mudam, heróis ingênuos e vilões espertos, gente na  solidão dos holofotes, traições, platéia que observa e reage, ilusões, luzes que acendem e apagam, amores, figurinos que reforçam personalidades, vaias, maquiagens e máscaras, aplausos, risos e lágrimas. 

Não levava muita fé nesse filme porque achava a escolha de elenco equivocada. Pra falar a verdade, a implicância foi especificamente com o ator selecionado para fazer o Conde Vronski, já personificado por monumentos extraordinários da espécie humana tipo Sean Bean, Christopher Reeve e Kevin McKidd. Nessa produção, Vronski é defendido pelo moleque que fez o jovem  John Lennon em Nowhere Boy. Pensei: afff!

Mas, no final das contas, foi legal porque, como não dei bola para o filme, não li mais nada a respeito, e quando resolvi assistir, me surpreendi, pois é muito bom. E mesmo o Vronski ninfeto (Aaron Taylor-Johnson) acabou sendo consistente, porque a meninice e frescor do personagem pode ser algo que faltava na vida de Anna (Keira Knightley) ao lado de seu sério e caretão marido Karenin (Jude Law).

O roteiro é do Tom Stoppard (Shakespeare Apaixonado e Rosencrantz and Guildenstern Are Dead), que, junto com o diretor Joe Wright, criou um híbrido surpreendentemente interessante e original de teatro e cinema. A ambientação cenográfica é quase sempre em um teatro, com os atores circulando pelo palco, coxias, varandas. A história se desenvolve num ritmo meio delirante em que os personagens entram e saem de cena e os cenários mudam sem a proteção da cortina. Todos se movimentam quase o tempo todo e dançam coreografias complicadas sem perder a fluidez dos diálogos (dançam somente nas cenas de baile, não é um musical, ok?).  É meio doido e vertiginoso mesmo… Mas achei muito bom. 

Ana Karênina, de Leon Tolstói

Ana Karênina, de Leon Tolstói

O romance de Tolstoi sempre me pareceu mais sobre o personagem Levin (ou Lievin), do que sobre a protagonista. Lievin é uma espécie de âncora do autor. Um porto seguro de onde ele conjura a tempestade que arrasta Anna e Vronski.

“Quando se aproximaram as cantadeiras, Liêvin, deitado em cima da meda, julgou ver cair sobre ele uma alegre nuvem carregada de trovões. As medas, os carros, os prados, os campos distantes, tudo se lhe afigurou embalado ao ritmo dessa canção louca, acompanhada de assobios e de gritos estridentes. Essa alegria sã, essa bela alegria de viver causou-lhe inveja, pois ele nada podia fazer e tinha de limitar-se a continua ali deitado, contemplando e escutando. Quando os camponeses desapareceram no horizonte e deixou de ouví-los, tomou-o um sentimento de tristeza motivado pela solidão em que vivia, o ócio físico em que estava e a posição hostil que tinha para com o mundo.” (Ana Karênina, capítulo XII)

Anna e Lievin são forças opostas/complementares de uma visão da vida como produto da vontade (desejo, fé, personalidade, valores) e das circunstâncias (natureza, sociedade, cultura, política). O romance avassalador da esposa de um alto funcionário do império russo com um aristrocrático oficial do exército entrou para a coleção de grandes clássicos literários de heroínas adúlteras, como a Madame Bovary e Effi Briest.

Antes de ler a Karenina, infelizmente li A insustentável leveza do ser. Digo infelizmente porque, além de não ter gostado da obra  de Milan Kundera, ela guarda um spoiler do livro de Tolstoi.  O romance faz referência à paranóia da Anna com trens… Enfim… Não que já não tivesse assistido adaptações da obra para o cinema e TV. Mas quando assisti ao filme com a Greta Garbo numa “sessão coruja”, faltou luz e não vi o final. E a minissérie da BBC também não consegui ver até o fim. Teve também um texto sobre linguística que li na universidade que tratava de metonímias e se referia à forma como Tolstoi narra uma passagem do livro do ponto de vista da bolsa de Anna, que balança para frente e para trás, como um pêndulo. Então, a Karenina até hoje tem presença  forte no imaginário e na curiosidade artística e intelectual e comporta até visões belas e estranhas como a desse filme.

Depois de ler o livro anos atrás, assisti ao filme com a Sophie Marceau (que é bonitona, mas um tanto preguiçosa como atriz). E agora assisti esse da Keira (não muito melhor que a Sophie). Ambos têm lá suas virtudes, mas não cheguei a uma conclusão de qual é melhor. Abaixo, segue uma lista de versões para cinema, TV e ballet. Quem sabe um dia consigo assistir tudo e escolher o melhor.

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Outras Kareninas

Tatyana Drubich (2009)

Anna Karenina., com Tatyana Dubrich

Anna Karenina., com Tatyana Dubrich

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Helen McCroy (2000)

Anna Karenina, com Helen McCroy (a mãe do Malfoy) e Kevin McKidd (o Dr. Hunt)

Anna Karenina, com Helen McCroy (a mãe do Malfoy) e Kevin McKidd (o Dr. Hunt)

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Sophie Marceau (1997)

Com Sophie Marceau e Sean Bean

Com Sophie Marceau e Sean Bean

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Jackeline Bisset (1985)

Anna Karenina, com Jacqueline Bisset e Christopher Reeve

Anna Karenina, com Jacqueline Bisset e Christopher Reeve

 

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Nicola Pagett (1977)

Anna Karenina (minissérie da BBC), com Nicola Pagett

Anna Karenina (minissérie da BBC), com Nicola Pagett

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Maya Plisetskaya (1976)

Anna Karenina, com Maya Plisetskaya e o Ballet Bolshoi

Anna Karenina, com Maya Plisetskaya e o Ballet Bolshoi

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Tatyana Samoylova (1967)

Anna Karenina com Tatyana Samoylova

Anna Karenina com Tatyana Samoylova

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Vivian Leigh (1948)

Anna Karenina com Vivian Leigh

Anna Karenina com Vivian Leigh

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Greta Garbo (1935)

Anna Karenina com Greta Garbo

Anna Karenina com Greta Garbo