O rap do caubói bléque


Django Unchained

que não é o samba do crazy nigger

Só o Tarantino mesmo para mixar faroeste espaguete com black exploitation. Só em um western desse cara para você ter certeza de que vai começar a tocar um rap a qualquer momento desde que a cena de tiroteio começou.  Podia ser uma ideia banal…. afinal, porque não colocar na tela de cinema um escravo fugido que vira pistoleiro e se vinga de brancos opressores em plena era pré Guerra de Secessão? Talvez porque poucos queiram mexer no modelo dos clássicos do gênero de John Wayne e Clint Eastwood. Tem herói negro policial e até superherói. Já os black cowboys passaram quase despercebidos para a história do cinema. E olha que Cowboys & Aliens, na minha super bocó opinião, é um clássico. Mas além de modelar sinistramente a figura emblemática do ex-escravo  afro-americano justiceiro, o diretor ainda junta um caçador de recompensas alemão que compra e liberta o escravo, cuja mulher, negra e escrava como ele, se chama Broomhilda (correspondente a Brünhilde, nome de personagem lendária germânica) e fala a língua de Goethe e Schiller.

Todo filme do Tarantino tem uma história assim: que começa sem dar a mínima ideia de como poderá terminar (ou que usa truques para nos enganar sobre o fim). Mas, para nossa garantia de diversão, alguns ingredientes que são marca das jornadas cinematográficas do cineasta sempre voltam. Como se fossem objetos valiosos deixados em penhor pelo caminho. A trilha sonora, por exemplo. É sair da sala de cinema e correr para baixar no iTunes imediatamente. Temas familiares do mestre Ennio Morricone (de filmes como “Os Abutres Têm Fome”)  se juntam a John Legend, que canta “Who Did That to You?”, e Jim Croce, com seu country manjado “I Got a Name”. E ainda mixaram James Brown com 2Pac. Enfim… muito f*d@!

Tem os longos e mirabolantes discursos de mentores e vilões, desta vez pelas vozes de Christopher Waltz (o caçador de recompensas que inicia Django na atividade) e Leonardo DiCaprio (o senhor de escravos em defesa de ridículas teorias novecentista sobre anatomias dos crânios). E tem a fagulha de genialidade que surge de estalo tanto nos heróis quanto nos vilões ou em quem não é uma coisa nem outra e faz a gente adorar cada segundo de realização da vingança: a personagem principal.

Uma sequência para não esquecer jamais: quando Django (Jamie Foxx) e Dr. Schultz (Christopher Waltz) chegam à propriedade de Calvin Candie (Leonardo DiCapprio), e são recebidos pelo olhar fuzilante do velho Stephen (Samuel L. Jackson, que demorei vários segundos para reconhecer). Tipo: Uncle Ben é o c@#****!!!! Pai Tomás vai se f*#@#!!!

 

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