Tenho somente meus sonhos


Equilibrium

Equilibrium

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with the golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and half-light,
I would spread the cloths under your feet
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams beneath your feet;
Tread softly because you tread on my dreams…

Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos

William Butler Yeats
Poema “He Wishes for the Cloths of Heaven”

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Equilibrium é um filme que pesa (com trocadilho mesmo) dois elementos. Um de natureza profunda e bela sobre uma sociedade futurista condenada à privação dos sentimentos através de uma droga, o Prozium… Sem as emoções, a humanidade alcançaria um estado de grandeza civilizada, justa, harmoniosa, sem dor. Sem dor, daí… sem poesia, sem perfume, sem música, sem arte, sem paixão. O que restou, mesmo?

O outro lado de Equilibrium é interessante, mas me interessou menos. É um filme de ação, com um estilo de luta chamado Gun Kata e uma óbvia referência estética a Matrix.

Chistian Bale é John Preston, um “sacerdote” (cleric), espécie de agente  policial que persegue e reprime atividades subversivas como possuir livros, obras de arte, maquiagem ou não tomar a droga supressora dos sentimentos. Tem também o bonitão Sean Bean como Errol Patridge, sacerdote como Preston, mas que descobre o outro lado da vida através da poesia. Taye Diggs é o parceiro de Preston, Andrew Brandt. E Emily Watson é Mary O’Brien, amante de Patridge, também convertida pelas emoções, e que vai contribuir para abalar o frágil equilibrium de Preston.

Christian Bale e Emily Watson

Christian Bale e Emily Watson: desequilíbrio emocional

Se tivesse que eleger uma sequência que representasse todo o filme, minha escolha seria a cena de Bale numa batida para apreender material proibido. Numa casa ficava escondida uma coleção de relíquias que incluíam quadros, roupas, livros, discos e um gramofone. O miserável agente da polícia anti-emoçoes é devastado por uma overdose. A Nona Sinfonia de Beethoven – mas podia ser também a bateria furiosa do Mestre Marcão do Salgueiro – explode da corneta do gramofone como uma bala de canhão gigante e certeira. Christian Bale se dobra, vencido por uma força que nunca experimentou.

Desequilíbrio Emocional

Miséria dos sonhos. Pobreza dos sentidos.

A vida pelos sentidos

Sean Bean: despertando os sentidos

Equilibrium teve uma distribuição e divulgação totalmente modestas. Mas acabou virando o que minha geração chamava de filme “cult”. No boca-a-boca, formou uma legião de fãs que alugou o DVD ou baixou nos “baía do pirata” da vida. Passa no Telecine e no Max. Este site de fãs tem bastante informação. O diretor Kurt Wimmer escreveu e dirigiu o filme. Criou também o Gun Kata, estilo de luta explorado em Equilibrium e em Ultra Violet (também escrito e dirigido por ele).

Gun Kata

Gun Kata

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4 pensamentos sobre “Tenho somente meus sonhos

  1. Webdebee, aproveitei a deixa do seu post para rever Equilibrium – causalidades da vida, havia passado a tarde reestudando Auguste Comte. Diferente de você, gostei tanto da natureza profunda quanto dos gun katas. E adorei a sequência que você escolheu para representar o filme. Era boa aquela época na qual uma geração assistia filmes cult, não!? Aliás, onde ela foi parar!?

    PS Hoje, sou das que vai à baía para assistir. http://kukarosello.wordpress.com/videoteca/

    • até gostei das cenas de ação do filme. Mas o melhor fica por conta da pirada que o cara dá com Beethoven, Keats e um frasquinho de perfume. Imagina nunca ter ouvido uma sinfonia e cair se afogando na 5ª sinfonia… Acho a cena de arrepiar.
      os filmes cult foram engolidos pela cauda longa que cresceu com a Internet. A web junta os cultuadores, mas também permite que mais coisas virem cult. não precisa passar nos cinemas, na TV, nem aparecer na prateleira da locadora para ter a sua cota de sucesso.

      • webdebee,

        Desculpe pelo comentário… mas te corrijo a questão da sinfonia, o que ele ouviu é a 9º sinfonia, e não a 5º como colocaste acima!

        Gratos!

        Obs: tenho dvd do filme… 😀 Muito bom…

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