O outro é sempre normal, por mais estranho que pareça



Ficção Esquisitóide

Ficção Esquisitóide

Li várias recomendações e resolvi conferir.

Distrito 9 é bom.

De um jeito que era e não era como eu imaginava.

De certa forma, é um filme de inclusão. Não no aspecto panfletário da coisa, mas por incluir a África do Sul no contexto da produção cinematográfica mundial e pela visão dos seres alienígenas como uma alegoria do outro ou do estranho entre nós.

Sim, os ETs vivem na Terra com os humanos. Mais especificamente, numa favela em Joanesburgo, abaixo da enorme nave mãe que está aparentemente quebrada, ou seja, eles estão reféns na Terra. Então tem uma coisa meio surreal e ao mesmo tempo ultra-realista, onde as pessoas toleram a convivência com a geringonça pairando no céu e com os ETs que parecem insetos gigantes. Cabe, é claro, uma ironia óbvia ao situar um gueto de alienígenas na África do Sul. Isso poderia ser um tiro no pé em termos de, digamos, conceito histórico do filme. Mas o que fica é uma impressão de pesadelo que sempre volta para as sociedades, sejam elas no sul da África ou em qualquer parte do planeta. O tabu do totalitarismo-fascismo  que pode estar desperto ou adormecido, mas é parte inerente da maioria das culturas. Pois o MEDO é um valor universal. E na ficção do Distrito 9, ele é interplanetário.

Tudo é estranho e desconfortável no filme. Desde o idioma inglês falado com sotaque sul-africano, até a nojeira da transformação de humano em ET. Blergh! Inevitavelmente, me lembrou A Mosca, do David CronenBLERG. Mas o mais esquisito é que, nem assim,  é exatamente um filme de terror. É um policial-suspense-sci-fi-nojeira, que me fisgou do início ao fim. Teve horas que quase levantei do sofá de ansiedade. Porque me deu um asco insuportável da idiotice humana. E um desejo insuportável de ir embora com os ETs cara de barata. Que nem o filme do Klaatu.

Distrito 9 foi produzido pelo Peter Jackson, que colocou a Nova Zelândia definitivamente no mapa mundial do cinema. Acho bacana a opção por situar o filme na África do Sul e pela direção de um sul-africano, Neill Blomkamp. São sempre bem-vindas as formas diferentes de fazer coisas boas, inclusive as esquisitas.

A nave alienígena paira sobre o Distrito 9

A nave alienígena paira sobre o Distrito 9

Alienígenas no gueto

Distrito 9: Filme de inclusão

Distrito 9: Filme de inclusão?

Alienígenas no gueto

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