A ficção fantástica e o panda vermelho

Coisas que foram sem nunca ter sido

Coisas que foram sem nunca ter sido

Gosto muito do que se costuma chamar ficção científica. Já disse aqui que coisas como Guerra nas Estrelas e Arquivo X estão no meu DNA. Na verdade, prefiro atribuir o selo ficção fantástica para diferenciar de outras coisas como biografias e obras de ficção digamos, realistas, e para poder incluir no bolo coisas como O Senhor dos Anéis (que não é lá muito científico). Portanto, robôs, hobbits, feiticeiros, vampiros, naves espaciais, viagens no tempo, elfos, super-heróis e extra-terrestres estão, para minha alegria, num mesmo caldeirão da ficção.

Assim como os fãs de vampiros, que se interessam por tudo o que se relaciona a Dráculas e Lestats da vida, tenho uma natural curiosidade por tudo o que cheira a ficção fantástica. E como outros fãs do gênero, levo isso a sério. Até um certo ponto, claro, porque a idéia é também se divertir. Jornada nas Estrelas, por exemplo. Me incomoda um pouco certos adereços de personagens de outras civilizações, que parecem ter cabeça de peixe ou a cara igual à do Ralph Finnes tostado em O Paciente Inglês. É muito exagerado. Só que os roteiros são tão livres e criativos, que compensam de longe a palhaçada visual. Deep Space Nine e Voyager tem várias histórias sensacionais. Enfim, é pura fantasia e diversão. Mas como toda diversão, tem uma dose de seriedade. Quando jogamos, seja cartas ou videogame, faz parte do barato seguir regras, talvez manipulá-las a seu favor também, mas sempre tem uma combinação entre os jogadores.

Esse FlashForward tem muitos elementos que tornam o seriado interessante. Um black-out ocorre em 2009. Nesse evento, toda população mundial fica inconsciente por 2 minutos e 17 segundos. Muitos morrem nessa ocasião, porque estavam dirigindo, sendo operados num hospital ou nadando na praia. Muitos outros sobrevivem e podem testemunhar que, durante o tal apagão, tiveram uma visão de suas vidas 6 meses no futuro. E a motivação principal da série é o que as pessoas farão a respeito de suas visões. Se um vai morrer, será que consegue impedir os acontecimentos que o levarão à morte? Quais as implicações de tentar impedir ou afetar hoje os acontecimentos de amanhã? É o velho tema da viagem no tempo. Presente em H.G. Wells, Jornada nas Estrelas e O Efeito Borboleta.

OK. E tem a face científica da parada. Quem ou o que provocou o black-out? Na trama complicada, ficamos sabendo de uma conspiração envolvendo cientistas que realizam experiências secretas, em que sujeitos não viajam no tempo, mas têm visões do futuro. E essa descoberta pode, claro, conferir um super poder para quem controla os processos de ligar e desligar os flashforwards, ou utilizar as informações do futuro a seu favor. Já tem, portanto, as bases para a criação de uma nova ordem mundial e de uma sociedade totalitarista tipo 1984, Farenheit 451 ou Minority Report. Mas, o FBI, a CIA, a Segurança Nacional, o Pentágono e o próprio presidente americano também estão de olho nesse poder secreto, então tudo pode acontecer.

Mosaico de visões do futuro

Mosaico de visões do futuro

A série tem uma correspondência com Lost. Cada personagem tem suas histórias particulares contadas nos episódios, e todos têm que lidar com suas visões do futuro. Há muitos mistérios que vão se revelando aos poucos, num pouco mais rápido que Lost, na verdade. Teve até um easter egg no primeiro episódio. Os agentes do FBI Mark Benford (Joseph Finnes, mais um inglês na TV americana) e Demetri Noh (John Cho) estão num carro parado num sinal em Los Angeles, e nessa cena podemos ver ao fundo um outdoor da Oceanic Airlines (aquela do avião do Lost).  Participei até de uma brincadeira com uma amiga que criou o conceito FROST, que mistura Fringe + Lost, por causa das viagens no tempo, conspirações etc. E porque são seriados do J.J.Abrams. Daí contribuí com a evolução do conceito para FROSTFORWARD, acrescentando as visões de futuro e mais conspirações no balaio. Foi uma outra amiga fã de Lost que me recomendou o FlashFoward. Só que ela descurtiu e parou de ver logo nos primeiros episódios. Eu segui em frente, porque, apesar de não ter uma trama em forma de quebra-cabeças tão bem escrita como o Lost, e ter algumas idiotices aqui e ali, mantive o interesse pela ficção fantástica.

A idiotice é o seguinte. Lembra que falei de levarmos a sério a diversão com a ficção científica ou fantástica? Pois é… Vou citar só um exemplo de esculhambação da série. Talvez seja falta de humor da minha parte,  mas inventaram uma organização humanitária chamada Red Panda! Uma organização fake, que serviria de disfarce aos agentes do FBI para abordarem um grupo terrorista africano. Mixaram Red Cross com WWF? É isso mesmo? E tanto o FBI quanto os terroristas deveriam ser tão zé ruelas para engolir isso? Tá. Era para ser uma pequena graçola em meio à ficção séria? Não saber jogar, tudo bem. Mas não precisa cagar no tabuleiro.

PS: Pior é que existe uma organização Red Panda(!) Mas é uma ong que promove a preservação da espécie (nunca tinha ouvido falar).

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O poeta, as cartas, as estrelas, as borboletas e as flores

Palavras de Amor

Palavras de Amor

O amor romântico é um transtorno de simples coisas melosas como as palavras do título acima. Uma renúncia à ordem e à convenção na forma de se expressar. Como pode o amor ser objeto da arte? Não pode. Não é.

Esse é um post tolo sobre o amor, sobre as palavras  e sobre um filme.

Um filme que já me hipnotizou com suas imagens iniciais. Uma mão empunhando uma agulha,  singra os mares de um pano de algodão bem branco, fazendo um pesponto na roupa. Ao fundo, o Adágio da Serenata para 13 instrumentos de Sopro, de Mozart, numa versão para vozes. Sublime.

Dirigido pela notável Jane Campion (O Piano), Bright Star viaja à Inglaterra do início do século 19 para retratar o romance de Fanny Brawne e John Keats. Uma história de amor que permaneceu em segredo por muitos anos.

Devo confessar que não conheço praticamente nada de poesia romântica inglesa. Com isso, quero dizer precisamente que nunca li os autores dessa época. Mas consigo situar o momento histórico vivido por Byron, Shelley e Keats. Gênios da poesia de seu tempo, nem sempre compreendidos. Só depois de morrer que John Keats obteve o reconhecimento como um dos grandes poetas da língua inglesa.

Fanny Brawne fazia suas próprias roupas e chapéus. Dizem que era um pouco excêntrica em suas criações, mas o design de moda era sua paixão. Até conhecer John Keats.

Num verão em Hampstead, subúrbio de Londres, em 1814, Fanny é apresentada ao solitário e triste John Keats, que tinha largado os estudos de medicina para seguir a trilha de sua poesia. Ele se vê atraído pelo jeito inesperadamente pouco convencional de Fanny (Abby Cornish, de Um Bom Ano e Elizabeth: The Golden Age). Enquanto ela fica intrigada com a figura meio distante de Keats (Ben Wishaw, de O Perfume e I’m Not There). Os dois vivem muito próximos, pois a família de Fanny ocupa a mesma casa que o Sr. Brown (amigo de Keats),divida em residências separadas. Essa proximidade satisfaz a curiosidade dos namorados, que, discretamente, depois de encontros e trocas de cartas apaixonadas, tornam-se noivos.

segredos de amor

segredos de amor

A mãe de Fanny (seu pai já havia morrido), a princípio, não concorda com a ligação da filha com o poeta, que não tem recursos nem para se manter. Mas a família Brawne acaba igualmente arrastada pelo amor por Keats. O noivado permaneceu vários anos longe do conhecimento público. Como outros poetas românticos, a estrela Keats brilhou intensamente, mas por pouco tempo. Fanny mergulhou num dolorido luto por um longo período e depois seguiu com a vida, se casou e teve filhos. Somente muitos anos depois, após a morte do pai, os filhos de Fanny revelaram o segredo das cartas-poemas deixadas pela mãe.

o amor através das flores e cartas

o amor através das flores e cartas

Ah! dearest love, sweet home of all my fears,
And hopes, and joys, and panting miseries, –
To-night, if I may guess, thy beauty wears
A smile of such delight,
As brillinat and as bright,
As when with reavished, aching, vassal eyes,
Lost in soft amaze,
I gaze, I gaze!

Trecho de Ode to Fanny, poema póstumo de John Keats (http://www.john-keats.com/)

Fanny Brawne & John Keats

Fanny Brawne & John Keats

John e Fanny pelo olhar amoroso de Campion

John e Fanny pelo olhar amoroso de Campion

Da diretora Jane Campion, adoro O Piano e esse Bright Star. Gostei menos de outros, como A Portrait of a Lady. Enquanto a americana Katherine Bigelow foi a primeira mulher a ganhar o Oscar de direção, a neozelandeza Campion foi a primeira a ganhar a Palma de Ouro em Cannes pela mesma categoria, com O Piano. Jane transforma o que vê em poesia. Todo bom cineasta é um pouco poeta. Os filmes nascem como uma fantasia na cabeça do criador e terminam como outra fantasia na imaginação de quem vê.

letras e borboletas

letras e borboletas

A filmografia de Jane Campion explora muito o universo multi-facetado feminino. Em Bright Star, a vida de John Keats encontra um porto de calor e afetividade no lar da família Brawne, quase toda de mulheres, com exceção do irmão mais novo de Fanny. Esse mundo entre bordados, suspiros e cartas de amor, inspirou algumas das imagens mais delirantemente belas do cinema. Como a cena das irmãs no quarto cheio de borboletas azuis. Tão real e onírico. Ou quando elas caminham e brincam num campo de bluebells (aquelas flores que parecem sininhos azuis). A singeleza voa alto quando Keats se deita como num sonho sobre a copa florida de uma árvore. E quando ele pergunta à pequena Toots (Margareth, irmã de Fanny): o que andou comendo, Toots? Botões de rosa? Como explica essas bochechas tão rosadas?

o poeta e o sonho

o poeta e o sonho

Tem dois sites oficiais do filme. Um mais convencional e outro que é o scrap book da diretora. Esse é um barato. Tem story boards, desenhos de produção, fotos das locações  e um monte de outras coisas belas e curiosas.

Bright Star

Bright Star

Bright star, would I were stedfast as thou art–
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature’s patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors–
No–yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever–or else swoon to death.

(Bright Star, de John Keats)

Kalinda é sinistra

The Good Wife: personagens inteligentes

Personagens inteligentes

Embora tenha um motivo central de pouco interesse para mim (sobre uma esposa de político envolvido em escândalo), acabei sendo conquistada pela série. Acompanho avidamente os episódios de The Good Wife como se fosse uma novela. A coisa toda sobre o escândalo sexual envolvendo o promotor público Peter Florick (Chris Noth, o bonitão Big, de Sex and The City), que vai para a cadeia e arrasa com a vida da “boa esposa” Alicia (Julianna Margulies, a enfermeira Carol, do E.R.), acaba servindo de cenário para a construção de personagens e de roteiros bem inteligentes e empolgantes.

Mas a melhor coisa da série  é a Kalinda (Archie Panjabi). Cada cena com ela é garantia de surpresa e diversão. Além da trama em torno dos esforços para inocentar o ex-promotor, a série gira também em torno do escritório de advogados em que Alicia trabalha. Ela havia parado de trabalhar para cuidar da família, mas com a prisão do marido, tem que voltar a exercer a advocacia para sustentar os filhos.

Kalinda e Alicia

A sinistra Kalinda toma um drink com Alicia

Muito bem. E a tal Kalinda Sharma é uma detetive particular contratada para investigar os casos defendidos pela empresa. Ela tem métodos pouco ortodoxos de negociar e obter o que precisa, mas é sinistramente eficiente. Virei fã dela. É um ícone do mistério da feminilidade. No episódio mais recente (dos que são exibidos no Universal Chanel), ela é testemunha no caso do Peter e faz um depoimento de arrepiar qualquer juiz.

A misteriosa Kalinda

A misteriosa Kalinda

Alguns dos melhores “momentos Kalinda”.

  • Quando a loura que é pivô do escândalo liga para Alicia no escritório e ela se recusa a atender, Kalinda pergunta: “Quer que eu fale com ela?” Falar o que, pergunta Alicia. “Só vou ter uma conversa com ela…” Fico só imaginando o que ela não diria…
  • Quando  o Cary (um dos advogados da empresa) fica de cantada pra cima dela. Cary : “Você é um enigma.” Kalinda:  “Eu sou mais simples do que você imagina…”
  • Quando ela, Alicia e Cary chegam numa dessas escolas americanas de elite com alunos uniformizados e tudo, e o Cary diz “me lembra das escolas onde estudei”. E ela: “pois me lembra das escolas que eu costumava vandalizar…”.
  • Sempre que ela engana os policiais para conseguir informação na cena do crime antes deles.
  • Sempre que ela sai triunfante de um ambiente sem jamais fechar a porta.

O outro é sempre normal, por mais estranho que pareça


Ficção Esquisitóide

Ficção Esquisitóide

Li várias recomendações e resolvi conferir.

Distrito 9 é bom.

De um jeito que era e não era como eu imaginava.

De certa forma, é um filme de inclusão. Não no aspecto panfletário da coisa, mas por incluir a África do Sul no contexto da produção cinematográfica mundial e pela visão dos seres alienígenas como uma alegoria do outro ou do estranho entre nós.

Sim, os ETs vivem na Terra com os humanos. Mais especificamente, numa favela em Joanesburgo, abaixo da enorme nave mãe que está aparentemente quebrada, ou seja, eles estão reféns na Terra. Então tem uma coisa meio surreal e ao mesmo tempo ultra-realista, onde as pessoas toleram a convivência com a geringonça pairando no céu e com os ETs que parecem insetos gigantes. Cabe, é claro, uma ironia óbvia ao situar um gueto de alienígenas na África do Sul. Isso poderia ser um tiro no pé em termos de, digamos, conceito histórico do filme. Mas o que fica é uma impressão de pesadelo que sempre volta para as sociedades, sejam elas no sul da África ou em qualquer parte do planeta. O tabu do totalitarismo-fascismo  que pode estar desperto ou adormecido, mas é parte inerente da maioria das culturas. Pois o MEDO é um valor universal. E na ficção do Distrito 9, ele é interplanetário.

Tudo é estranho e desconfortável no filme. Desde o idioma inglês falado com sotaque sul-africano, até a nojeira da transformação de humano em ET. Blergh! Inevitavelmente, me lembrou A Mosca, do David CronenBLERG. Mas o mais esquisito é que, nem assim,  é exatamente um filme de terror. É um policial-suspense-sci-fi-nojeira, que me fisgou do início ao fim. Teve horas que quase levantei do sofá de ansiedade. Porque me deu um asco insuportável da idiotice humana. E um desejo insuportável de ir embora com os ETs cara de barata. Que nem o filme do Klaatu.

Distrito 9 foi produzido pelo Peter Jackson, que colocou a Nova Zelândia definitivamente no mapa mundial do cinema. Acho bacana a opção por situar o filme na África do Sul e pela direção de um sul-africano, Neill Blomkamp. São sempre bem-vindas as formas diferentes de fazer coisas boas, inclusive as esquisitas.

A nave alienígena paira sobre o Distrito 9

A nave alienígena paira sobre o Distrito 9

Alienígenas no gueto

Distrito 9: Filme de inclusão

Distrito 9: Filme de inclusão?

Alienígenas no gueto

O livro dos segredos

Tesouro da cultura irlandesa

Jóia da animação

Outro dia assisti à coisa mais linda do mundo.

Nada do que escrevo aqui faz jus ao filme.

Fiquei indefesa diante da beleza esmagadora de The Secret of Kells.

Mesmo se você não se ligar em arte céltica, Irlanda e afins, pouco importa. O filme vai muito além disso.

O desenho, que concorreu ao Oscar este ano, ainda não estreou nos cinemas nem em DVD por aqui. Teve apenas exibições em festivais como o do Filme Infantil (Rio e SP). O desenho narra quase que um conto de fadas em torno da criação do Livro de Kells, um verdadeiro tesouro nacional irlandês.

A viagem delirante pela caligrafia, vinhetas e padrões espiralados celtas, que decoram o livro, e pela natureza exuberante da Irlanda, faz lembrar o esplendor místico de mandalas tibetanas, as pinturas de Klimt e os motivos da arte persa.

Podia ser uma história sobre qualquer livro, mas é sobre um livro indissociável de sua história. Da lendária época dos monges que salvaram obras clássicas e religiosas dos invasores vikings. Luz num tempo de trevas.

Em Os Príncipes da Irlanda, de Edward Rutherfurd (comentado em outro post), há um personagem que é monge e aprende os segredos da criação das delicadas iluminuras que decoram os evangelhos. O autor descreve um pouco do rigor e dedicação que os monges irlandeses empregavam nessa arte.

Em The Secret of Kells, Brendan é um menino que habita o mosteiro de Kells, comandado por seu tio, o severo Abade Cellach. Com a chegada do simpático irmão Aidan, e o misterioso gato (ou gata) Pangur Ban (que tem um olho azul e outro verde), Brendan começa a aprender os segredos das iluminuras. Com a missão de encontrar material para confeccionar tinta, Brendan se aventura pela floresta próxima ao mosteiro e conhece Aisling (pronuncia-se ásh-lin), uma criatura meio menina meio loba, muito fofa.

Uma das sequências mais lindas é da canção de Aisling, na voz da menina Christen Mooney. O elenco que deu vozes aos personagens, por sinal, é excelente.

Fiquei curiosa em relação ao tal Chi-Ro mencionado no filme. Ele abre um dos evangelhos do livro de Kells e está reproduzido mais abaixo. O Livro de Kells pode ser visto no Trinity College, em Dublin.

A produção de The Secret of Kells envolve produtoras de vários países, além da própria Irlanda (Cartoon Saloon Studios que fez o excelente As Bicicletas de Belleville). E o Brasil colaborou com a participação da Light Star Studios. Tomara que seja logo exibido por aqui.

O único problema do filme é que ele acaba e muito rápido. Deve ter tipo 1h20. E acaba ficando meio aceleradinho. Mas é para rever muitas vezes.

Fique com essas imagens que falam por si.

jóia da animação

cores e espirais

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Aisling e o gato Pangur Ban

Aisling e o gato Pangur Ban

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A floresta de Aisling

A floresta de Aisling

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A cela do Abade Cellach (The Secret of Kells)

A cela do Abade Cellach (The Secret of Kells)

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A misteriosa Aisling

A misteriosa Aisling

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O bem humorado irmão Aidan

O bem humorado irmão Aidan

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A loba branca

A loba branca

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Aisling e Brendan

Aisling e Brendan

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Chi-Rho, do livro de Kells (o próprio)

Chi-Rho, do livro de Kells (o próprio)

Elementar, meu caro Downey

Holmes will kick you ass

Charles Watson e Sherlock Holmes bem menos convencionais

Redondo!

Categoria filme redondo!

Receita do filme redondo: bom roteiro, Robert Downey Jr., Jude Law, trilha sonora, fotografia e edição muito espertas.

Me diverti do início ao fim. Acho que foi o segundo filme que vi do Guy Ritchie. O outro foi Snatch. Desconfiei um pouco de uma versão  mudernosa de Sherlock Holmes, mas não aconteceu nada que eu temia. Uma bobeira ou outra aqui e ali, mas no final das contas o filme é duca! E o Robert Downey Jr. nasceu para fazer as audiências felizes 🙂 🙂 🙂 É um luxo.

Provavelmente os diálogos inteligentes  e rápidos deixam muita gente tipo comendo poeira de neurônio perdido. Isso é irônico… Não faltam ação e  uma boa história, mas falta esperteza de quem assiste…

Ouvi uma fã dos livros do Sir Arthur Conan Doyle se queixar do filme pois ficou chocada com a visão abusada do Guy Ritchie sobre o Sherlock Holmes. Do personagem, nunca li os romances (ou contos, sei lá). Só li uma história em quadrinho em inglês chamada The Dancing Men. Mas nem lembro direito. Era parte da literatura didática da  Cultura Inglesa (quando o curso era muito bom, exigente e verdadeiramente tão britânico quanto Sherlock, e todos os funcionários, não só os professores, falavam somente em inglês com os alunos, inclusive o ascensorista, mas isso foi lá nos anos 19** e não vem ao caso…).

Watson e Holmes pouco convencionais

Mas o bigodão do Watson e o cachimbo e violino do Holmes seguem firmes e fortes

Realmente tenho uma imagem consistente do Sherlock Holmes com cachimbo, algumas manias e um quê de misoginia. E o Watson definitivamente sempre me foi gordoto, bigodudo e bobo. O novo filme deve mesmo deixar os fãs mais conservadores um tanto ressentidos. Por outro lado, pode-se ganhar com um enfoque totalmente divertido, que aproveita elementos autênticos do personagem injetando um pouco mais de adrenalina. Tem um barato faroeste-rock’n’roll em “Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos”, do Tom Stoppard, que não ofende shakespeareanos convictos. Assim como o Mercucio traveco do “Romeu+Julieta”, do Baz Lurman, é totalmente coerente com a subversão alucinada do personagem.

Sherlock Holmes will kick your ass

Sherlock Holmes will kick your ass

Enfim, o Holmes do Downey luta box e chuta traseiros como em nenhum outro filme sobre o detetive inglês. O fato de ele ser meio porcalhão também deve incomodar. Mas a característica mais simbólica e marcante do personagem, que o tornou folclórico, é a capacidade infalível de dedução pela obervação atenta aos detalhes. Isso é muito bem explorado no filme. E além disso, me desculpe, mas o Robert Downey Jr. é que nem aquele lema do Cartoon Network, “a gente faz o que quer”. Ele pode. Ele faz. Tá tudo certo.

Voando com dragões em 3D

Vikings e dragões em 3D

Vikings e dragões em 3D

Continuando na onda das animações 3D, mais um divertidão. Dizem que Como treinar seu dragão foi meio que um mico nas bilheterias. A Dreamworks queria criar uma nova franquia para compensar o  fim da série Shrek. Pena. É legalzinho esse do dragão. Talvez seja porque os cinemas estejam um tanto saturados de desenhos 3D. Mas como eu sou fã de animação com poucas exigências ou expectativas, sempre me dou bem. Hehe!

Soluço é um moleque viking fracote que tenta provar seu valor para a aldeia de guerreiros matadores de dragões em que vive. Ele acaba encontrando o temido Fúria da Noite e descobre uma outra forma de lidar com esses bichos. Truques com grama, cafuné e enguias ajudaram bastante.

O uso do 3 D em todo o filme é muito bacana. Parece ter sido totalmente pensado para esse formato. A exemplo do Avatar (falta escrever sobre ele, caramba…) onde o recurso 3D possibilitou viajarmos naqueles bichos voadores, nesse Como treinar seu dragão podemos sobrevoar as frias terras e mares vikings nas costas de um dragão.

O desenho não tem o menor compromisso com realismo, mas é cheio de detalhes primorosos. Merecem atenção especial os cenários da aldeia viking e da casa do Soluço com os objetos e detalhes em madeira entalhada, e também os armamentos e roupas. É um passeio virtual alucinante pelo mundo viking.

meu melhor amigo é um dragão

meu melhor amigo é um dragão

Mas a coisa mais legal de Como treinar seu dragão é o braço do Stoico, pai do Soluço. É tão impressionantemente real a textura da pele e dos pelos, parece de verdade. A barba vermelha dele também é uma atração a parte. Na versão legendada, a voz dele é feita pelo Gerard ‘ Rei Leônidas’ Butler.

Stoico, o matador de dragões

Stoico, o Imenso. Super matador de dragões