A cybercoelhitude de Kac


Quando se trata de  arte, a gente muitas vezes ouve um papo sobre chocar, escandalizar, polemizar, incomodar. Artistas têm tipo uma obrigação de chegar com algo novo, nunca imaginado, jamais visto.

O Novo. Que pourra é essa de O Novo?

coelhoglifos

coelhoglifos

Quando eu e minha irmã entramos na sala do Oi Futuro, onde tem o painel grandão branco, verde e preto, tive a sensação do Novo e de um leve dejà-vu, ao mesmo tempo. Acho que é porque o novo sempre tem algo de “velho conhecido” da gente. Nem que seja lá no fundo do baú do inconsciente coletivo, onde a minha tataravó lá na Paraíba viu um corte de pano estampado, branco, verde e preto e se maravilhou por completo.

O Novo é manipular o DNA?

Mixar material genético de uma flor com um artista e gerar uma flor-poema?

É programar o algoritmo que combina aleatoriamente o movimento dos coelhoglifos verdes e pretos se aglutinando e se expelindo na projeção sobre a parede branca?

coelhatoriamente

coelhatoriamente

Mas da onde vem a emoção dO Novo? Seria O Novo o veículo mágico e quântico que transporta através do tempo-espaço os  sentimentos ancestrais?

Eduardo Kac dispara veloz como um cybercoelho contra as fronteiras da imaginação, e, às vezes, do bizarro, ao juntar as pontas da arte com a ciência & tecnologia. Tipo: a florEdunia (um híbrido de petúnia que traz o material genético do artista) ou o kit transgênico (instrumentos e materiais de laboratório com a devida aura de mistério de uma sala escura…). Kac ficou muito conhecido com a obra-coelha Alba, que, como produto de manipulação genética, emite luz verde. Coelhos se multiplicam louca e indiscriminadamente. Assim como as idéias do artista. O que me inquietou foi pensar nessa combinação misteriosa do aspecto aleatório com o manipulador da criação artística. Sob esse ponto de vista, a ciência e a arte caminham pela mesma estrada que atravessa a imaginação e a familiaridade .

lagoglifos, logo existo

lagoglifos, logo existo

Lá pelas tantas quando olhávamos os lagoglifos, um senhor se aproximou perguntando como tínhamos interpretado aquelas imagens. E emendou logo afirmando que não entendia aquilo tudo, mas achava que o barato era pensar sobre o que estava diante dele. Que apreciar arte é se fazer pensar…

Caraca! Foi uma das melhores coisas que já ouvi numa galeria de arte… Se não há propósito em definir o que é a arte ou porque a apreciamos, pelo menos esse atributo é definitivo: fazer pensar. Afinal, como disse bem a Lia Luft, pensar é transgredir.

Mais imagens da exposição Eduardo Kac: Lagoglifos, Biotopos e Obras Transgênicas.

Um pensamento sobre “A cybercoelhitude de Kac

  1. “A Arte é um denominador comum. Quando fazemos uma pausa por um momento e apreciamos algo que nos conecta a todos nós… a beleza de estarmos vivos… isto é arte.”

    “O mestre da vida”, já viu? Passei a reparar ainda mais nas nuvens depois de assisti-lo.

    E ninguém me tira da cabeça que Seroff é um nome perfeito pra vodka.

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