A velocidade do rosa e a velhice do moderno


O rosa é mais rápido, disse minha irmã. Estávamos olhando para essa tela da exposição Virada Russa, no CCBB do Rio.

Movimento no espaço, de Mikhail Matiushin

Movimento no espaço, de Mikhail Matiushin

Cor, forma, volume, movimento, velocidade, tempo, espaço. Futurismo, Abstracionismo, Cubismo.

Já se disse muito que o modernismo é velho. E é mesmo. Lá pela época da piração dos dadaístas, teve um tal de  Malievitch. E assim, como Elvis fez tudo antes de todo mundo da música pop, Kazimir Malievitch já fazia tudo de mais maluco na arte no início do século XX. Todos os ismos se esgotaram no século passado e numa velocidade difícil de acompanhar.

A mostra agora está em São Paulo, depois de passar por Brasília e Rio. O nome completo é Virada russa – A vanguarda na coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo. Reúne 123 obras do movimento artístico e cultural ocorrido na primeira fase da Revolução Russa, entre 1890 e 1930.

Além de Malievitch, a exposição traz obras de Vassili Kandinsky,  Marc Chagall (representado pelo quadro  “Promenade”), Alexander Rodchenko, Vladimir Tatlin, Pavel Filonov, entre outros.

Fiquei muito impressionada com o Malievitch. Tem um vídeo super interessante, exibido na exposição, que conta a história desse artista e pensador, que é um dos inventores do mundo moderno. E viveu lá naquela Rússia da Revolução, da derrubada de valores para o surgimento de um novo cidadão. Esses movimentos modernistas são meio que um novo Renascimento. Os Impressionistas antecederam Picasso, Kandinsky e Malevitch, assim como Giotto veio antes de Leonardo, Michelangelo e Rafael. Malevitch fez pinturas, esculturas, cenários (como o da opera futurista Vitória sobre o sol, que tem um libreto muuito louco) e explorou muitas outras formas de expressão. Fundou o Suprematismo, que esquadrinhava a simplicidade do abstracionismo geométrico.

Malievitch: Suprematismo

Malievitch: Suprematismo

Malievitch: Figura Feminina

Malievitch: Figura Feminina

malevich.self-portrait

Malievitch: Auto-retrato, de 1933. Figuraça! Parece o Dante Alighieri.

Malievitch: Quadro Negro, de 1915

Malievitch: Quadro Negro, de 1915

E ainda tinha o Kandinsky…

Kandinsky: Igreja Vermelha

Kandinsky: Igreja Vermelha

Kandinsky: São Jorge

Kandinsky: São Jorge

Kandinsky: Pente azul escuro

Kandinsky: Pente azul escuro

… e Pavel Filonov. Esse último, então… podia ficar horas parada olhando para as telas dele. As minúcias e as cores. As múltiplas texturas e volumes. As expressões escondidas.

Palvel Filonov: Rostos

Palvel Filonov: Rostos

Pavel Filonov: Fórmula da Primavera

Pavel Filonov: Fórmula da Primavera

E antes de deixar seu queixo cair diante de obras do século 21, veja essa criação de 1914: o Contrarelevo de esquina, do Vladimir Tatlin.

Vladimir Tatlin: Contrarelevo de esquina

Vladimir Tatlin: Contrarelevo de esquina

Só não gosto muito da parte dos cartazes… É uma expressão genuína do século 20, claro. Mas encosta na sombra do totalitarismo. E isso é o que eu acho que estragou a brincadeira do modernismo. Principalmente da arquitetura. Mas esse é um outro assunto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s