Up – Desenho alto astral

Sonhos de aventuras

Sonhos de aventuras

Olha… Tudo pode ir mal, mas a Pixar, graças a deus, sempre faz um filme bom. Aguardei ansiosamente por 4 meses, que foi o atraso de lançamento no Brasil em relação ao mundo. Enfim…

Up é bom como um sonho bom. Como sonhar com um vôo com balões coloridos. Para variar chorei com a história inicial do velho Carl Fredricksen, dublado brilhantemente pelo Chico Anysio! É. Eu vi dublado, porque quis ver em 3D e só tem cópia dublada nesse formato. Mas foi ótimo. A Disney nunca decepcionou com as dublagens.

Up é tudo de bom na vida. Tem o velho rabugento, mas simpático, que resolve realizar o sonho de viajar pelas florestas e cachoeiras da América do Sul. Ele junta balões de gás presos na chaminé para fazer sua velha casa voar e acaba levando sem querer um moleque escoteiro muito figura que estava escondido na varanda. Na viagem, encontram um pássaro exótico e cães que falam através de uma coleira decodificadora. Os bichos são, é claro, uma atração à parte e responsáveis pelas cenas mais engraçadas do filme.

Sniper, o moleque, o cachorro e o velho Carl

O pássaro, o moleque, o cachorro e o velho Carl

Mesmo não aproveitando muito o recurso do 3D, a história é tão boa e a qualidade artística é tão grande, que a gente até esquece. Fiquei perdida e feliz nas nuvens, florestas, cores e texturas mágicas do desenho. O diretor é o mesmo do Monstros S/A.

carregando a casa pela floresta

carregando a casa pela floresta

yiiihoooo!

yiiihoooo!

Tenho a impressão de que o Up é o longa mais longo feito pela Pixar. Mas é tão bom, que nem percebi. Só senti falta dos curtas que costumam ser exibidos antes, como o Presto, aquele do coelhinho faminto e o mágico que não dá a cenoura pra ele, exibido antes do Wall-E. Ou aquele que passou antes do Ratatouille , do ETzinho atrapalhado que presta exame de habilitação para abduzir terráqueos, sob a supervisão de um ETzão frio que parece um sapo. Muito bons!

Ano que vem tem Toy Story 3, em 3D. Já estou impaciente.

A velocidade do rosa e a velhice do moderno

O rosa é mais rápido, disse minha irmã. Estávamos olhando para essa tela da exposição Virada Russa, no CCBB do Rio.

Movimento no espaço, de Mikhail Matiushin

Movimento no espaço, de Mikhail Matiushin

Cor, forma, volume, movimento, velocidade, tempo, espaço. Futurismo, Abstracionismo, Cubismo.

Já se disse muito que o modernismo é velho. E é mesmo. Lá pela época da piração dos dadaístas, teve um tal de  Malievitch. E assim, como Elvis fez tudo antes de todo mundo da música pop, Kazimir Malievitch já fazia tudo de mais maluco na arte no início do século XX. Todos os ismos se esgotaram no século passado e numa velocidade difícil de acompanhar.

A mostra agora está em São Paulo, depois de passar por Brasília e Rio. O nome completo é Virada russa – A vanguarda na coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo. Reúne 123 obras do movimento artístico e cultural ocorrido na primeira fase da Revolução Russa, entre 1890 e 1930.

Além de Malievitch, a exposição traz obras de Vassili Kandinsky,  Marc Chagall (representado pelo quadro  “Promenade”), Alexander Rodchenko, Vladimir Tatlin, Pavel Filonov, entre outros.

Fiquei muito impressionada com o Malievitch. Tem um vídeo super interessante, exibido na exposição, que conta a história desse artista e pensador, que é um dos inventores do mundo moderno. E viveu lá naquela Rússia da Revolução, da derrubada de valores para o surgimento de um novo cidadão. Esses movimentos modernistas são meio que um novo Renascimento. Os Impressionistas antecederam Picasso, Kandinsky e Malevitch, assim como Giotto veio antes de Leonardo, Michelangelo e Rafael. Malevitch fez pinturas, esculturas, cenários (como o da opera futurista Vitória sobre o sol, que tem um libreto muuito louco) e explorou muitas outras formas de expressão. Fundou o Suprematismo, que esquadrinhava a simplicidade do abstracionismo geométrico.

Malievitch: Suprematismo

Malievitch: Suprematismo

Malievitch: Figura Feminina

Malievitch: Figura Feminina

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Malievitch: Auto-retrato, de 1933. Figuraça! Parece o Dante Alighieri.

Malievitch: Quadro Negro, de 1915

Malievitch: Quadro Negro, de 1915

E ainda tinha o Kandinsky…

Kandinsky: Igreja Vermelha

Kandinsky: Igreja Vermelha

Kandinsky: São Jorge

Kandinsky: São Jorge

Kandinsky: Pente azul escuro

Kandinsky: Pente azul escuro

… e Pavel Filonov. Esse último, então… podia ficar horas parada olhando para as telas dele. As minúcias e as cores. As múltiplas texturas e volumes. As expressões escondidas.

Palvel Filonov: Rostos

Palvel Filonov: Rostos

Pavel Filonov: Fórmula da Primavera

Pavel Filonov: Fórmula da Primavera

E antes de deixar seu queixo cair diante de obras do século 21, veja essa criação de 1914: o Contrarelevo de esquina, do Vladimir Tatlin.

Vladimir Tatlin: Contrarelevo de esquina

Vladimir Tatlin: Contrarelevo de esquina

Só não gosto muito da parte dos cartazes… É uma expressão genuína do século 20, claro. Mas encosta na sombra do totalitarismo. E isso é o que eu acho que estragou a brincadeira do modernismo. Principalmente da arquitetura. Mas esse é um outro assunto.

Season’s Finale – Parte 5: Grey’s Anatomy

dez em anatomia :)

sex and medicine

Bem.. eu disse que demorava a escrever. e essa série vai recomeçar amanhã. então.. to cut a long story short…

Fiquei muito tempo com a impressão de que o Grey’s Anatomy era um seriado mais pra comédia que drama. Meio que o um E.R. mais levinho. De certa forma, é isso mesmo. Tem uma aura meio cor de rosa bebê. O hospital de Seattle parece mais limpinho e ter mais verba que o Chicago County. E, por mais que as histórias carreguem dor e morte, há alguma coisa na receita que desloca o espectador da situação.

Até que essa última temporada teve vários momentos terríveis, difíceis de ver de novo. Como aquele episódio da mulher grávida que atropela sem querer o marido, tudo até meio engraçado, mas depois vira uma tragédia horrorosa. Ou aqueles com o Eric Stoltz, em que ele faz um condenado à pena de morte, que tem esperança de morrer no hospital. Tenta manipular a Grey e o Shephard. Consegue afetar a Grey. E isso confere um dos melhores momentos da personagem. E olha que acho ela uma chata.

Gosto mais da ácida Christina. E ela ganhou um presente. O Dr. Hunt… A série já era bem florida com o Dr. Mark e o Dr. Shepard. Mas com a chegada do Dr. Hunt… bem… o Dr. Hunt… Ai, meu Deus, o Dr. Hunt… Ele é o Lucius Vorenus da série Roma. Ele trouxe tudo. Não deixou nada em casa. Hehehehe. Só que aos poucos virou um presente de grego para a Christina. Pirado de guera, o coitado. É… é muito mulézinha a série.

Até algumas horas atrás, estava 100% bolada com o final da 5ª temporada. Que idéia… Porque precisam desses massacres finais?? Mas hoje li no TV.com como começa a nova temporada…

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dez em anatomia 🙂

Próximos capítulos…

  • Life
  • The Mentalist


Season’s Finale – Parte 4: Bones

ossos do ofício

ossos do ofício

No momento em que escrevo esse post tem um novo episódio (primeiro da 5ª temporada) esperando para ser visto na minha pasta de downloads. Estou deixando para ver à noite junto com o novo episódio do Fringe e uma garrafa de Bohemia Oaken, que está gelando. Ai, quem bom.

Mas, sabe… Essas séries têm clichês a rodo, né?  Um deles é o de duplas formadas por um homem e uma mulher, policiais na maior parte, onde rola uma leve tensão sexual, ou ambiguidade amorosa.

Apesar do Bones se encaixar nesse clichê, as tramas, os outros personagens e as personalidades da Dra. Brennan e do agente Booth superam a expectativa. Acho boa a interação entre a cientista antropóloga do Jeffersonian Institute (uma referência direta ao Smithsonian Institution), toda super gênio e racionalzinha e o agente do FBI, ex-fuzileiro naval, que combateu no Iraque e que tem uma paixão enrustida mas óbvia pela parceira.   Além deles, tem a Angela (a artista da reconstituição de corpos, que é filha de um ZZ Top),  o Hodgins (químico, biólogo, nerd, meio terrorista e maluco, que namorava a Angela), a Dra. Saroyan (legista e chefe da equipe, que já pegou o Booth), os estagiários que, nessa temporada, depois que o Zack vai preso, mudam o tempo todo, todos nerds e figuraças, o Sweets (que é o novo terapeuta da galera). E tinha também o antigo chefe da equipe, que só ficou na primeira temporada. Era maneiro o cara. Acho que era historiador, sacava tudo de período arturiano e tal.

Entonces… Me chamou a atenção um dia, zapeando pelos canais de séries,  o Stephen Fry num episódio do Bones. O que é que aquele inglês esquisitão e adorável fazia num seriado americano? Ele interpretava o psicanalista do FBI que atendia a Brennan e o Booth. Alias, ele volta nessa última temporada, numa história de assassinato de  um músico de banda de rock. Bem legal esse episódio. Daí, parei pra ver a tal série com o bonitão que fazia o Angel da Buffy sendo analisado pelo Stephen Fry. E foi boa a descoberta. Havia agora um atração interessante para as quartas à noite. Histórias bizarras nomeadas muitas vezes pela situação em que encontram os esqueletos das vítimas (The Man in the wall, The girl in the fridge etc.).

O chato é que a Fox exibe tudo “dubrado” né? Chatão. As vozes da dublagem são absolutamente ridículas. Só os Simpsons funcionam melhor com dublagem. Mas… essa quarta temporada eu vi toda no “torrent entertainment channel” (hehehehe). E ela acaba com mais um super clichê de séries. Um personagem que tem alucinações por causa de um tumor. E ainda por cima, perde a memória após a cirurgia de remoção. Ohhh! Tô sacaneando mas essa e outras temporadas de séries terminaram partindo o meu coração.

ratos de laboratório

é o baile do esqueleto

Trívias:

Sabia que o David Duchovny (Arquivo X, Californication) dirigiu um episódio do Bones? Foi o The Headless Witch in The Woods, da segunda temporada.

Depois me dei conta de que vários atores ingleses estão bombando na TV americana. O Hugh Laurie, que é o House (outra série muuuito boa), o ruivo lá que faz o Charlie do Life, o outro ruivão espetacular que faz o Dr. Hunt do Grey’s Anatomy. E a ótima Brenda Blethyn é a mãe da old Christine!!!

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Próximos capítulos…

  • Grey’s Anatomy
  • Life
  • The Mentalist

Season’s Finale – Parte 6: Life

Life

Justiça Zen Lei

Não deseje. Simplesmente, não deseje.

Esse tem sido meu mantra.  Aproveitando minha própria crise global financeira, fico motivada, pra não dizer forçada, a virar a cara para as vitrines e anúncios. O negócio é não desejar. What you don’t have you don’t need it now.

Charlie Crews sobreviveu a 12 anos de prisão. Foi condenado injustamente à prisão perpétua. Seu caso foi revisto e novas evidências o inocentaram. Mas o cara penou por 12 anos. E foi o contato com o budismo que ajudou Charlie a sobreviver, ter paciência e se preparar para a vida fora da prisão. Se preparar para entender o que aconteceu com ele e com os amigos, cujas mortes foram atribuídas a ele. A primeira medida de Charlie para descobrir a verdade é construir um mapa mental com fotos, nomes e evidências que vai colecionando a cada episódio e espetando no painel que mantém escondido em casa. O crime de que foi acusado envolvia a morte de um casal de amigos e um assalto a banco.

Em 12 anos, o mundo passou a se comunicar pela Internet e de celulares integrados com o painel do automóvel via bluetooth. Charlie volta para esse mundo diferente, mas, como indenização pelos anos perdidos atrás das grades, ganha uma bolada da justiça. Volta para o velho emprego na polícia de Los Angeles, mas agora é um detetive milionário. Compra uma mansão gigantesca com uma plantação de laranja no quintal. Dirige carros da categoria Maserati pra cima. E se desfaz deles sem hesitar porque é podre de rico e budista.

Charlie Crews é cercado por um monte de gente nada inocente. Sua nova parceira, a agente Reese, acabou de sair do programa de reabilitação por uso de álcool e drogas. O pai dela, ex-policial que estava na ativa quando Charlie foi preso, também é suspeito de envolvimento com a trama que o colocou na prisão. Assim como a chefe do departamento, que detesta o Crews e teve que engolir ele na equipe. O ex-parceiro de Charlie também não parece inocente nessa história. Seu amigo pessoal e contador, que ele conheceu na prisão,  foi parar lá por crimes financeiros.

Em meio às cenas dos episódios, aparecem imagens de um documentário sobre o Crews, onde os personagens dão depoimentos sobre ele. A advogada, a ex-mulher, colegas que apóiam Charlie e outros que acham que ele é culpado. Todo o barato da série era a busca de Charlie pela verdade.

Mas o chato é que essa série foi cancelada. E, embora termine revelando tudo ou quase tudo sobre a conspiração que levou Charlie para a cadeia no último episódio da segunda temporada , infelizmente, não vai continuar. Gostava de ver a briga de Reese e Crews para ver quem ia dirigir o carro. Das lições de budismo que ele ouvia em audiobooks. Das metáforas zen que ele aplicava nas investigações. O amanhã e o ontem não existem. Só existe o hoje. Tudo é uma ilusão. Charlie já estava quase conseguindo a ex-mulher de volta… Tinha uma relação meio ambígua com a advogada que o ajudou a sair da prisão. A Reese tinha um caso com o chefe, um novaiorquino malandro, mas que morria de medo dos menores abalos sísmicos de LA. A filha do casal assassinado, que foi testemunha do crime e ficou escondida pela justiça, é reencontrada por Charlie no final da 1ª temporada. Ela teve que fugir no final da 2ª temporada, mas que fim levou a garota? E o contador tinha uma paixão reprimida pela quase madrasta do Crews. Mas, acabou o milho, acabou a pipoca. Que pena que acabou.  Mas como eu já disse, não deseje.

ninguém é inocente

ninguém é inocente: o contador, crews, reese, o chefe e o ex-parceiro. cabou milho, cabou pipoca....

Próximo capítulo…

  • The Mentalist

Season’s Finale – Parte 7: The Mentalist

mentalize o azul

mentalize o azul

Essa série é badalada pela figura do Patrick Jane. O louro bonitão vivido pelo ator australiano Simon Baker. Sem dúvida, ele tem charme e carisma. É um personagem trágico, que me lembra a figura do palhaço: a maquiagem risonha, com o detalhe de uma lágrima pintada no canto do olho. A tragédia e a comédia juntas e embaralhadas.

A tragédia marcou a vida de Patrick Jane. Ele perdeu mulher e filha assassinadas brutalmente por um serial killer conhecido como Red John por causa da carinha pintada com sangue que ele deixa na parede dos locais onde ele mata. Uma figurinha singela que representa um psicopata. Jane era um famoso psychic que aparecia em programas de TV e desafiou Red John ao vivo. Este deu o troco matando a família de Jane com requintes de crueldade.

A série acompanha a vida de Jane, que agora trabalha como consultor de um tal de CBI ou Californian Bureau of Investigation (a California é tão rica que tem seu próprio FBI!!!). Ele contribui com uma visão diferente e métodos nada convencionais de investigação. E aproveita para descobrir mais pistas do Red John. A cada história, conhecemos um pouco mais sobre Jane, que condena seu passado de charlatão e reforça que é sua capacidade afiada de observação que ajuda a resolver os casos. Mas… nunca se sabe.

Jane atua junto com uma equipe liderada pela séria e durona agente Lisbon, que conta com Cho (o bonitão oriental super boladão), Van Pelt (a ruiva bonitona ligada em yoga e comida vegetariana) e o Rigsby (fenômeno da natureza, grandalhão e completamente caído pela Van Pelt). Uma família de personagens muito interessantes, com muito potencial a explorar nas próximas temporadas. Jane funciona como um agente catalizador, provocando os membros da equipe a sair da inércia e tomar atitudes impensáveis. Ficamos torcendo para pegarem o Red John e para a Van Pelt passar logo o Rigsby na cara. Aliás, a segunda temporada estréia hoje nos EUA. Eba! Eba! EBa!

equipe precisa relaxar

patrick jane agita a equipe do CBI

A alma animada de Michel Ocelot

Abriu uma sacola e de lá retirou suas criaturas. Silhuetas e figuras pretas e brancas. Coisas pequenas e delicadas que o sujeito manipula com um amor indisfarçável.

Michel Ocelot: mestre francês da animação

Michel Ocelot: mestre francês da animação

Sabe uma daquelas ocasiões em que você não teve um dia muito bom e é inesperadamente salvo por um filme, um livro ou qualquer outra experiência? Pois é. Tinha programado de assistir ao bate-papo animado (evento do Anima Mundi) com o Michel Ocelot e, depois de um dia chatão, fui salva por sua obra mágica e delicada.

Ocelot me faz acreditar, com alívio, que o trabalho artístico zeloso e sincero é possível. Mesmo num planeta do espetáculo em que o horror virou regra. A exceção é essa rara delicadeza. Chega dói…

Conhecia, até então, apenas dois longas dele: “Kiriku e a Feiticeira” e “Azur e Asmar“. No evento, foram exibidos trechos de várias obras, percorrendo um longo período desde o início da carreira. Técnicas diversas de animação. E sempre as histórias de maravilhas, princesas, príncipes, crianças, magia, transformações.

Les Trois Inventeurs: pequena obra-prima de papel

Les Trois Inventeurs: pequena obra-prima de papel

Em “Os Inventores” (Les Trois Inventeurs), pai, mãe e filha passam os dias em casa inventando coisas. Máquinas, veículos e engenhocas variadas. Mas a mania de invenção não agrada à comunidade a sua volta.

A capacidade de imaginação assusta mesmo as pessoas. É uma excentricidade desagradável pensar e ser de um jeito diferente…

Ocelot criou um conto alegórico sobre isso, com personagens, cenários e objetos de papel recortados como renda sobre um fundo azul. Não é lindo. É esplêndido e singelo. Uma jóia de invenção. O próprio criador considera, sem modéstia, sua obra-prima e, durante o bate-papo, retirou da sacola os pequenos personagens de papel, suas criaturas tão queridas. Feitos daquele papel rendado de forrar bolo, disse ele.

Assista um trechinho de Les Trois Inventeurs.

Lembrei imediatamente da minha infância em frente à TV assistindo o programa Globinho, com a Paula Saldanha, que apresentava séries de animação com massinha, papel etc. Alguns que lembro são “A Linha“, “Mio e Mao” e “O Patinho Quá Quá” (originalmente QuaqQuao), que era feito de papel tipo origami. Me recuso a esquecer essas coisas…

La Legende du Pauvre Bossu
Icare
La Belle Fille et le Sorcier
Bergère qui Danse
Le Prince des Joyaux

La Legende du Pauvre Bossu

lalegendedupauvrebossu

O pobre corcunda: animação sem animar

A história do pobre corcunda. O desenho tem um estilo que lembra o das cartas do tarô de Marselha. Ocelot descreve como uma animação que não é animada. O negócio é que os desenhos são enquadrados em zoom ins,  zoom outs e travellings. A câmera é que se anima para contar a história catártica de um corcunda que se revela um anjo. O áudio também ajuda a animar as imagens.

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Os quatro desejos. Raridade.

Les quatre voeux du vilain et de sa femme

Saint Martin, me dá um cérebro! Esse é difícil de achar nos youtubes da vida. “Les quatre voeux du vilain e de sa femme” é um dos mais antigos trabalhos de Ocelot e a cópia recuperada e exibida por ele no festival está bem precária. Mas é genial a história dos quatro desejos concedidos por Saint Martin a um camponês e sua esposa. O santo aparece para seu fervoroso devoto que chama por ele todos os dias. Este e sua mulher têm direito a quatro pedidos. Ela pede muitos muitos paus e o santo distribui inúmeros pelo corpo do marido. Para se vingar, ele pede muitas muitas xotas, que então, salpicam pelo corpo da mulher. De tão violentamente bizarro e inesperado, não chega a ser pornográfico. A obscenidade é sobrepujada pelo absurdo. Mas a piada é boa. No final, o santo desfaz os pedidos e recomenda: que peçam cérebros na próxima oportunidade.  Será exibido num festival de animação em Zagreb, em junho de 2010, onde haverá uma programação especial dedicada ao realizador francês.


Ocelot também exibiu outros curtas que eram apresentados numa série da TV francesa. São contos de fadas e histórias mitológicas, como Icare (sobre a lenda de Ícaro e o labirinto), La Belle Fille et le Sorcier, Bergère qui Danse e  Le Prince des Joyaux. Todos exploram a estética das silhuetas pretas e são preciosos.

Icare

Icare

Bergère qui danse

Bergère qui danse

La Belle Fille et le Sorcier

La Belle Fille et le Sorcier

Le Prince des Joyaux

Le Prince des Joyaux

“Earth Intruders”, da Bjork. É uma concessão, um arriscado ato de redenção à divindade artística. Ocelot conta que nem gostava da música, mas como era a Bjork…. Ele criou um presente para a cantora islandesa. Com prazo apertado que a gravadora impôs e tudo. Aproveitou para se propor um desafio de técnica e concepção artística. No evento, contou como foi aplicado o efeito dos líquidos móveis sobre o rosto da Bjork. É a velha técnica usada para estampar capas de livros, que mistura tinta óleo de diversas cores numa bacia com água.

Detalhe bacana no início do bate-papo foi quando Ocelot recebeu o prêmio especial do Anima Mundi. Ficou encantado com troféu animado. “Il marche!”, exclamou, ao descobrir que a uma manivela na base do boneco fazia ele andar. Lembro que o John Lesseter, da Pixar, também ficou amarradão quando ganhou o dele, e guarda numa estante ao lado dos Oscar. Trés chic!

Ocelot fala sobre seus filmes ao lado do prêmio especial do Anima Mundi

Ocelot fala sobre seus filmes ao lado do prêmio especial do Anima Mundi

Hiperpalavras!

Ocelot no Anima Mudi

Ocelot na Croácia

Anima Mundi

Michel Ocelot

Ocelot, a jaguatirica