Sobre a Cegueira – parte 2

O chato de manter um blog é não ter tempo. Quer dizer… sempre há tempo. Mas um tempo limitado. Com prazo para entregar o trabalho de conclusão da pós, correria de fim de ano no trabalho para poder ter férias e, então, poder escrever mais no blog, enfim, o tempo vai ficando mais limitado.

E o chato também é que a gente esquece. Perde o fio da meada. Eu sei lá o que eram as outras duas idéias que complementavam o filme Ensaio sobre a cegueira. Não lembro direito, mas vou tentar achar um caminho alternativo.

Duro de Matar 4.0. O filme esteve em cartaz, acho que no ano passado (2007), mas eu só vi na TV em outubro deste ano.

OK, vamos lá. O que tem a ver com a cegueira do outro filme/livro? Bom, eu me coloco a seguinte pergunta: como viver sem informações e/ou  sem conexões? Digo, e se as invasões bárbaras, que estão detonando Roma, agirem para valer como no filme do Bruce Willis e cortarem nossas conexões de informação, energia, telefonia, transporte e tudo mais que uma boa parte da humanidad não consegue se imaginar sem? Os que podem respirar aliviados por possuir seus cinco sentidos em perfeito funcionamento poderiam pensar: o que adianta ver, ouvir etc. e viver isolado? Recuar alguns milhares de anos de conquistas tecnológicas e viver privado de luz elétrica, automóveis, telefone, televisão, rádio… Internet.

Bom, o cara aqui da esquina da minha rua, vive quase sem essas coisas todas. Ele passa o dia sentado na calçada, debaixo de uma marquise, escrevendo coisas com caneta e papel. Sei lá como ele arruma o material. Mas ele vive ali, dependendo da luz natural ou dos postes da rua, filando cigarros, comida e banheiro dos botecos ao redor. Ele escreve um monte de coisas e fica lendo em voz alta. Não entendo nada do que ele diz. Às vezes, me parece que fala inglês. De vez em quando ele some e reaparece de banho tomado e roupa nova. Com tudo isso, acho que ele está mais adaptado a viver na “cegueira”. Mais do que eu, por exemplo.

E em muitas localidades das Américas, África e Ásia, muita gente vive sem essas coisas. Dependem da maravilha proporcionada, com alguma sorte, pelo fogo, para se aquecer, cozinhar e iluminar ambientes. Se informam através do contato pessoal uns com os outros, pois mesmo livros, jornais e revistas são raros. 

Penso que a cegueira pode representar simbolicamente a privação. Privação de toda e qualquer coisa. Privação imposta ou opcional. Ignorância, alienação, burrice, preconceito, loucura, cegueira, surdez, insensibilidade, preguiça, intolerância.

E você, está preparado para viver à margem da visão?

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