Speed Racer, o filme-animado

Speed Racer, o filme-desenho "animado" pelos irmãos Wachowski     Speed Racer, o filme-desenho

Depois de assistir ao Speed Racer dos irmãos Wachowski (Matrix, V de Vingança), fiquei pensando na noção de que filme e animação são a mesma coisa. Afinal, o que é o cinema (em seu conceito técnico original) se não uma animação de fotogramas na velocidade de 24 por segundo? 

Ok. Essa abordagem é velha e batida, né? Então vou me aventurar pela diversão e originalidade do filme. Speed Racer é um desenho animado com algumas pessoas de verdade coladas em cima e algumas cenas de live action pura. De Dick Tracy a Sin City e 300, o cinema evoluiu na forma de transpor o barato visual dos quadrinhos para as telas. E esse Speed Racer consegue reproduzir incrivelmente a estética visual do desenho animado.  Até o efeito de borrado da imagem quando os carros derrapam é igual ao original. E quando Speed sai do carro e a câmera dá aquela voltinha que nem a abertura do desenho? É muito igual, cara. Só falta ele fazer a pose com os braços (confere no vídeo abaixo).
  
  
Melhores momentos “igual ao desenho”
1) Gorducho e Zequinha (o moleque e o macaquinho são os melhores atores). Quando eles saem da mala do carro do Speed nas situações mais difíceis.. Saudades daquelas tardes com os desenhos apresentados pelo Capitão Asa….
2) O barulhiho do Mach 5 quando salta e rodopia pelos ares.
3) Speed saindo do carro.
E tem a cena fofa do Speed ainda moleque na escola desenhando a lápis carros de corrida no rodapé das folhas do caderno. Ele fica fazendo ruídos de motor de carro, enquanto pisa num acelerador imaginário e os desenhos no caderno ganham vida num pequeno filme de animação dentro do filme. Os Wachowski criaram uma peça de diversão familiar, mas o longa é ousado visualmente e transborda de afeição por um símbolo pop tão querido por diversas gerações.
 
 
filme reproduz fielmente a emoção das pistas da animação

Speed Racer: filme reproduz fielmente a emoção das pistas da animação

 
Por isso… vamos cantar.
 
Here he comes 
Here comes Speed Racer 
He’s a demon on wheels 
He’s a demon and he’s gonna be chasin’ after someone. 

He’s gainin’ on you so you better look alive. 
He’s busy revvin’ up a powerful Mach 5. 

And when the odds are against him 
And there’s dangerous work to do 
You bet your life Speed Racer 
Will see it through. 

Go Speed Racer 
Go Speed Racer 
Go Speed Racer, Go! 

He’s off and flyin’ as he guns the car around the track 
He’s jammin’ down the pedal like he’s never comin’ back 
Adventure’s waitin’ just ahead. 

Go Speed Racer 
Go Speed Racer 
Go Speed Racer, Go! 
 
 

* LINKS PARA SABER MAIS

Site oficial do filme Speed Racer

Site oficial do desenho animado Speed Racer

Mais coisas legais sobre Speed Racer

 

 

* RECOMENDAÇÕES TOP3

1 – Série animada Speed Racer (no Cartoon Network e em DVD)

2 – Filme Speed Racer (em DVD)

3 – Filmes dos irmãos Wachowski: Matrix (primeiro filme) e V de Vingança.

 


 

EVA YERBABUENA. O arrebatamento em gestos mínimos

Eva Yerbabuena

Eva Yerbabuena

 

Dança flamenca pode ser uma parada extremamente cafona. Aqueles vestidos cheios de babados estampados de preto com bolinhas vermelhas ou branco com bolinhas laranjas… Minha viagem à Espanha em 98 teve uma baita frustração com a apresentação de um suposto espetáculo de flamenco numa casa de shows no Parque del Retiro, em Madri. O que assisti foi um horrendo show tipo “Plataforma”, com dançarinos atuando sobre um palco com linóleo e música pré-gravada. Enfim… falta uma viagem a Sevilha para ver flamenco de verdade. 

O fato é que se estabeleceu um clichê sobre o gênero no imaginário da humanidade. Tem um balé do grupo francês Montalvo-Hervieu que apresenta um quadro muito engraçado com uma bailarina de flamenco e um outro carinha tentando acompanhá-la. Ela sapateia com raiva gritando “- Baila, hombre! Baila Baila!” Como se no universo da dança, as bailarinas de flamenco representassem a mulher temperamental, sempre com a sombrancelha erguida, a testa franzida, esperneando de raiva.

Mas eu acho uma das formas de arte mais refinadas que uma civilização pode produzir. Para começar, é resultado de manifestações culturais de diversas etnias. E ainda aglutina outras modalidades artísticas, pois conta com o som dos cantantes, guitarristas, palmas… Aliás os bailarinos flamencos também são músicos. Não só dançam como também “fazem” a música com o próprio corpo. Uma amiga bailarina me disse uma vez que dançar é “ser” música. E no flamenco, isso é mais extremo que no balé clássico. O sujeito dança ao sabor da música (assim como nos silêncios também…) e ainda usa as palmas, estala os dedos, bate as castanholas e os pés para produzir música.

E ainda tem a arte da confecção do vestuário. Os vestidos (nem sempre com babados…), acessórios de cabeça, sapatos, tudo compõe a cultura flamenca.

“Lo mejor de la noche es el silencio, porque en él se descubre, o que la luz no tiene la importancia que creemos, o que en la oscuridad la vida es más intensa. ”

Essa frase, retirada do site de Eva Yerbabuena, é parte do texto que sumariza o espetáculo Santo y Seña, que sua companhia de dança apresentou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em maio deste ano. Eva é uma artista arrebatadora. Com movimentos mínimos e sob um feixe suave de luz, despeja toda uma tradição de séculos da rica cultura espanhola. Uma linhagem ancestral de grandes bailarinos, coreógrafos e músicos “fala” através de cada gesto de Eva. Ela dança nos sons e nos silêncios. Como se ouvisse algo vindo de um outro mundo ou um outro tempo. Seu corpo é o veículo mágico que nos transporta, através de sombras elegantes e misteriosas, à totalidade, à profundidade de uma cultura.

 

Eva Yerbabuena. Mistério dos gestos no silêncio.

Eva Yerbabuena. Mistério dos gestos no silêncio.

 

No programa do espetáculo, há um texto que ressalta o mistério da origem do flamenco. De fato, é uma prática misteriosa. Um dia desses, vou tomar coragem e me matricular numa aula para aprender um pouco dessa arte. É que tenho um certo medo… Tenho a impressão de que, quando ouvir a guitarra e as palmas tomando conta do ambiente, algum antepassado vai querer baixar por aqui… sei lá… É uma dança que compactua com os batimentos cardíacos e com o ritmo da respiração, e, ao mesmo tempo, subverte a ordem interna e externa do corpo. 

 

 

 

*LINKS PARA SABER MAIS 

Site Oficial de Eva Yerbabuena 

Site da companhia de dança Montalvo-Hervieu

Sobre a arte flamenca

 

 

*RECOMENDAÇÕES TOP3

1 – Dança – Companhia de Ballet Flamenco Eva Yerbabuena (vamos torcer para ela voltar sempre ao Brasil)

2 – Filmes – Trilogia Flamenca do diretor Carlos Saura (Amor Brujo, Bodas de Sangue e Carmen) com dois ícones da arte: Antonio Gades e Cristina Hoyos

3 – Dança – Falta assistir à Sara Baras. Essa é outra poderosa que aguardo ansiosamente! Veja no Youtube e no site oficial.

The Brave One – Jody Foster é a justiceira que mata, grava e saboreia o som da vingança

 

The Brave One

The Brave One

Mais um daqueles filmes que ficam 2 minutos em cartaz nos cinemas do Rio…   Valente (The Brave One) é o filme mais recente do irlandês Neil Jordan, que fez Na Companhia dos Lobos, Crying Game, Entrevista com o Vampiro etc. Com Jody Foster, Terrence Howard e Naveen Andrews (não é com o Stephen Rea!). A história se passa em Nova York. Foster é Erika Bain, uma produtora-apresentadora de um programa de rádio em que explora os sons da cidade e interage com ouvintes.

 

Um feio dia, passeando no Central Park com o namorado (Naveen Andrews, o Sayid, do Lost) e o cachorro, o casal sofre um ataque de bandidos que espancam barbaramente os dois. O namorado não sobrevive, mas Foster desperta do coma dias depois para descobrir a desgraça toda. Ela passa dias em depressão sem conseguir trabalhar ou mesmo sair de casa. Aos poucos retoma a vida, mas uma idéia de justiça com as próprias mãos começa a se formar no coração da moça, que compra uma arma e começa a atuar como uma justiceira anônima. Sempre que via um maluco barbarizando no metrô, num beco ou qualquer situação de covardia, a valente manda bala.
O detalhe interessante e “mó viagem” do filme é que ela carrega sempre o gravador que costuma usar para captar os sons de NY. E mais tarde, no meio da noite, deita no sofá com os fones e ouve as gravações, a voz ameaçadora dos bandidos, os tiros de sua pistola certeira. Vezes seguidas. Ela mal acredita no que fez. 
Bem que ela se esforça para parar, mas as saídas à noite se tornam um vício. Acaba iniciando uma amizade tensa com um policial (Terrence Howard,  ótimo ator e uma espécie de Benicio del Toro afro-americano), com quem colabora na busca dos criminosos que mataram seu namorado. Mas esconde o tempo todo que é o já famoso e misterioso vigilante que anda assassinando criminosos.
Há uns anos atrás (bem… deve ter uns 15 anos ou mais…), veio para o Rio uma exposição dos trabalhos de um pesquisador e produtor de rádio europeu que captava sons das cidades em todo o mundo. Sirenes, buzinas e apitos de guardas misturam-se aos passos de pedestres, cantos de pássaros e barulhos e chuva e de chafarizes em Paris, Nova York, Bombaim ou Colônia. Já trabalhei em rádio e sempre me impressiono com o poder da música, da voz humana, dos sons. É uma experiência de decodificação de signos muito diferente da leitura. Vai mais direto ao córtex cerebral. O som é um fenômeno físico. Partículas se deslocam e colidem conosco. Qualquer fonte sonora age como um instrumento de percussão, por assim dizer. Por isso, a experiência é mais intensa do que a imagem ou texto. Quando estamos em gestação num ventre, exercitamos a audição, que é o primeiro contato com a mãe. Sem a experiência ou memória dos sons, perde-se boa parte do barato de ler ou de assistir a um filme ou novela. 
Enfim, dei uma volta na roda gigante e encerro para dizer que The Brave One é bonzão, pode ser visto em DVD, e acho que já saiu no pay-per view da Net.
 

 

* LINK PAR SABER MAIS

 
* RECOMENDAÇÕES TOP3

1 – Filme Valente (The Brave One)

2 – Rádio: programa da Lilian Zaremba na Rádio MEC FM (um dia escrevo um post a respeito)

3 – Youtube: Orson Welles narrando War of the Worlds