Alatriste: sangue e ouro na Espanha do século 17


Alatriste

Alatriste

Aragorn vira herói espanhol. Capitão Alatriste é tipo um mosqueteiro do Alexandre Dumas, porém mais sujo e sangrento. Pois esse é um filme bem sangrento… sobre paixões sangrentas. Muitas gargantas cortadas.

 
Com direção e roteiro de Agustín Díaz Yanes, Alatriste é baseado no livro de Arturo Pérez-Reverte “Las Aventuras del Capitán Alatriste”. A produção espanhola de 2006 é o filme mais caro da história do cinema no país e ganhou o prêmio Goya, que é o Oscar do reino de Juan Carlos e Sofia. E é mais um caso de filme lançado direto em DVD no Brasil. Porém já é exibido pelos canais Telecine. Viggo Mortensen (o Aragorn de O Senhor dos Anéis) é o capitão Diego Alatriste. O ator fala fluentemente espanhol, porque morou na América do Sul quando mais jovem (na Argentina ou Chile, sei lá).
 
O capitão Alatriste retorna a Madri, após lutar na guerra da Espanha contra Flandres, para enfrentar novas disputas sangrentas intimamente ligadas a intrigas palacianas da nobreza, do clero e até do próprio Rey. A história se passa na Espanha do século XVII – o meu favorito! Mesma época de “Os Três Mosqueteiros” e “Cirano de Bergerac”. O tempo de Vermeer, Rembrandt, René Descartes, Blaise Pascal, Isaac Newton, Luiz XIV (O Rei Sol), Racine e Molière, o “Siglo de Oro” da Espanha, a Restauração britânica, a guerra para expulsar os holandeses do Nordeste do Brasil. O período áureo da Europa. Literalmente, pois estava cheia do ouro roubado das Américas. A riqueza do ouro circulou ao custo incalculável de sangue, mas propiciou riquezas artísticas e intelectuais inestimáveis. 
 
Viggo Mortensen em Alatriste (bruto com a espada, mas sabe ler!)

Viggo Mortensen em Alatriste (bruto com a espada, mas sabe ler!)

Uma cartilha visual do século 17

A direção de arte (Benjamin Fernández) de Alatriste é espetacular. Parece querer reproduzir quadros de Velazquez e El Greco. Destaque para a caracterização do rei espanhol (Filipe IV, se não me engano). Impressionante. Parece que estamos no Museu del Prado e ele veio caminhando calmamente de dentro da tela. Figurino e adereços (Francesca Sartori) super detalhados. Tem uma cena do personagem título abotoando a bota. Uma tarefa complicadíssima que a câmera mostra numa longa sequência em close. E as roupas e espadas são um detalhe a parte. Cada levantada de capa revela um bordado no gibão, incrustrações da empunhadura ou bainha da espada. Um luxo de fazer a Rosa Magalhães se arrepiar.
A fotografia (Paco Femenia) tem cores bem austeras, coerentes com a Espanha da época, que reagia severamente aos avanços da Reforma Protestante na Europa. As sequências de duelos são totalmente teatrais. Parecem mesmo encenadas num palco.
 
(Melhores) momentos de sangue + facadas
O suicídio do português. A facada da bela fidalga na perna do amante. O cara que morre esfaqueado zilhões de vezes por Alatriste, pois queria roubar parte do tesouro que os dois vieram proteger.
 
(Melhores) bizarrices
A tia maconheira do filme Volver, do Almodóvar, que faz papel do Inquisidor Emilio Bocanegra… Sinistra.
Mas não tenho palavras para o bigodão do Viggo…
 
Amor
E olha… tem muita porrada e sangue mas tem amor também, tá?
Tem vestidos, jóias e homens lindos, graças a deus.
Angélica de Alquézar é Elena Anaya, atriz e amante de Alatriste

Angélica de Alquézar é Elena Anaya, atriz e amante de Alatriste

Links para saber mais

 
Site oficial do filme
Obs. na última vez em que visitei, em 23/08/2008, estava indisponivel (!!) 😦 
Pena, porque o site era bem bonito. E a calda longa, irmão… e a calda longa?
 
Sendo assim… vamos de Wikipedia
 
Site oficial dos livros/autor

 

TRAILER NO YOUTUBE 

 

 

 

 
 * Recomendações Top5  filmes sobre o século 17

 1 – Restauration (O Outro Lado da Nobreza), com o maravilhoso Robert Downey Jr. e Sam Neill (excelente como o rei Charles II). O DVD está fora de catálogo (!!) 😦

2 – Cirano de Bergerac, com Gerard Depardier (perfeito!)
3 – Alatriste
4 – Moça do Brinco de Pérola, com Scarlett Johanssen e Colin Firth. Uma fantasia belíssima em torno da obra de Vermeer.
5 – Tous le matin du monde (Todas as manhãs do mundo), de Alain Corneau (1991), com Gerard Depardieu. Esse é difícil de achar. Nunca encontrei em DVD e nem na TV por assinatura. É um maravilhoso retrato da cena musical francesa no final do século 17. Baseado no também belíssimo livro de Pascal Quignard (autor da frase “escrever é ouvir a palavra perdida”), o filme gira em torno dos compositores Sainte Colombe e Marin Marais (Depardieu), que criaram peças lindas para viola da gamba (tipo um ancestral do violoncelo).
 

Um pensamento sobre “Alatriste: sangue e ouro na Espanha do século 17

  1. Pesquisadoira Bee!
    Um filme bacana mesmo. A fotografia segue direitinho a paleta terra e carne do Barroco. Cada frame um quadro. Lembrei daquela série da RAI sobre o Caravaggio. Trabalho também com um acabamento primoroso. Alatriste e Caravaggio, sem espaço para o ócio ou o tédio!
    Bjs Renata

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