O novo Indiana Jones ou eram os deuses arqueólogos?

 

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Tenho dois amigos com opiniões opostas sobre esse novo filme do bom e velho Indy (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal).

Não detestei como um deles e concordo em parte com o parecer do outro. Segundo este outro, é sempre bom não alimentar expectativas. Por isso, me limitei a esperar somente uma leve diversão. E foi assim. Meu medo era acabar achando que o filme não precisava ser feito. Sabe como? Tipo o Jurassic Park 2. Não precisava não moço, obrigada. Mas não achei uma perda de tempo, não. É bem divertido e com idéias ótimas. O roteiro é que é medíocre. O mais fraco dos filmes do personagem, sem dúvida. Sei lá… Depois de tudo o que os 3 primeiros filmes representaram. Depois de tudo o que contribuíram para o cinema, esse novo filme pode ser colocado no mesmo nível de A Múmia ou A Lenda do Tesouro Perdido. É só mais um do gênero.

 

 
OK. Agora, depois de vários bla-bla-blas vem um spoiler gigante…
 
As melhores participações são do John Hurt e da Cate Blanchett. Porque são atores monstruosos de bons e podem brincar a vontade na tela que já garantem qualidade. O Harrison Ford e a Karen Allen não convencem, embora a situação dos personagens, mesmo sendo um clichê pra lá de batido, é engraçada. O clichê está na coisa do moleque ser filho do IJ.  Todo mundo saca logo no início, mas what the hell! A cena da cobra na areia movediça é a mais engraçada e achei ótima a onda totalmente “Arquivo X” do filme.
 
É nisso que vou me deter e divagar um pouco, porque achei a idéia muito legal. Seria a humanidade descendente de extraterrestres colecionadores de artefatos multigalaxiais? Ou seja, seriam nossos ancestrais arqueólogos como o velho Indy, porém extraterrestres? Sabe aquela história da série Battlestar Gallactica (não a nova, a velha do final dos anos 70 mesmo, em que o Starbuck é homem)? Cada episódio abria com a voz do comandante Adama especulando que povos avançados como os egípcios, gregos, maias e astecas seriam descendentes de humanos extraterrestres (os passageiros da Gallactica). Por isso, alcançaram níveis tecnológicos superiores a outros povos contemporâneos. Será que os deuses eram ETs arqueólogos que formaram um panteão perdido em alguma floresta? 
E tem essa lenda das caveiras de cristal que são assunto de alguns documentários da NatGeo, Discovery etc. É muito maneira a concepção toda da sala dos tronos dos deuses-reis ETs virar uma nave espacial. Achei duca. Pena que, sob a perspectiva atual, fique só como mais uma idéia de ficção-fantasia semelhante às outras.
 
Não acho que a dupla George Lucas / Steven Spielberg esteja enferrujada para criar idéias. Mas para realizá-las, acho que sim. Aquela cara do ET no final… Um ET bem ET mesmo tipo o do “telefone-casa” de 1983. No, no, no… cut! cut! cut!
 
Vamos ver se a nova série de TV do Indiana Jones sai mais ao gosto dos fregueses.
 
 
 
 
Links para saber mais
 
Site oficial
 
Canal oficial no Youtube
 
 
 
* Recomendações Top3

 

1 – Os três primeiros filmes da série Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida (1981), Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984) e Indiana Jones e a Última Cruzada (1989). Não sei eleger qual é o melhor. Acho os três perfeitos. Tem uma caixa com os 3 filmes + extras em DVD à venda por aí.
 
2 – Galactica – Astronave de Combate. A velha série de TV do final dos anos 70. No canal TCM Classics passa. É bem a cara da época, quando Star Wars quebrou todos os paradigmas do gênero ficção científica. Quando foi lançada, exibiram o episódio piloto e um segundo longa-metragem nos cinemas. Assisti no falecido cine Condor Copacabana com som sensurround. Era uma assombro! (heehehehe). Achei essa página com ótimas informações sobre a série: http://www.infantv.com.br/galactica.htm
 
3 – Eram os Deuses Astronautas – livro de Erick Von Daniken que inspirou a série Galactica e também teve a idéia aproveitada no novo Indiana Jones. Li faz muitos anos, mas lembro que achei legal.

Titus Andronicus

Violência, ódio, racismo, horror, vingança, escatologia, incesto, antropofagia, corpos dilacerados, sangue, tripas…

Não. Não é um filme de Quentin Tarantino, nem do David Cronenberg. Não é peça do Nelson Rodrigues, nem episódio do CSI. Que nada! É o velho William Shakespeare. Tudo isso já estava misturado em sua tragédia mais sangrenta, Titus Andronicus.

Titus. Filme é a adaptação da obra Titus Andronicus, com direção de Julie Taymor, estrelando Anthony Hopkins e Jessica Lange

Titus. Filme é a adaptação da obra Titus Andronicus, de Shakespeare, com direção de Julie Taymor, estrelando Anthony Hopkins e Jessica Lange

Há muitos anos queria ver o filme da Julie Taymor, baseado na peça do Shakespeare. Acho que nunca chegou aos cinemas por aqui. Nunca soube, pelo menos. O filme com roteiro adaptado e direção de Taymor, tem um elenco excelente: Anthony Hopkins (Titus), Jessica Lange, Jonathan Rhys Myers, Alan Cumming, Colm Feore, James Frain, Angus MAcFadyen e ótimos atores da montagem teatral realizada pela mesma diretora em 1994. Taymor é famosa pela montagem do Rei Leão, na Broadway. Dirigiu também “Frida” (sobre a vida de Frida Kahlo) e, recentemente, “Across The Universe”, sobre a música dos Beatles (detalhes em outro post futuro). Sempre achei que a Julie fosse inglesa, mas na verdade é de Massachussets, estado americano onde as bruxas eram perseguidas e queimadas (mas essa é outra história…). Titus é sua estréia como diretora de cinema, foi filmado na Itália e na Croácia, e conta ainda com um time de primeira na direção de arte (Dante Ferretti) e figurino (Milena Canonero, indicada ao Oscar). 
 
 
Suscessivos banhos de sangue
 
Não conheço o texto original. Só li alguns trechos para relembrar alguns diálogos do filme. Mas vou te contar… Shakespeare é uma pílula concentradíssima de cultura popular universal, violência, escatologia, incesto, antropofagia, non-sense, infâmia, barbaridade. You name it! Shakespeare tem tudo. Está tudo lá. Senhores Tarantino, François Ozon, Lars Von Trier, Nelson Rodrigues, John Waters e Peter Greenway agradeçam ao bardo de Stratford.
No complicado enredo (como ocorre naturalmente em grandes tragédias), o vitorioso general Titus Andronicus retorna a Roma depois de derrotar povos inimigos do Império. Traz como prisioneira Tamora (Jessica Lange), rainha dos Godos, e seus filhos. Titus ordena a morte do filho mais velho de Tamora como meio de compensar as mortes de romanos na guerra. Com isso, ganha o ódio eterno da rainha bárbara. Após a morte do Imperador, o general Titus declina a oferta de subir ao trono e favorece a ascenção de Saturnino, filho mais velho do soberano de Roma. Este decide se casar com Lavínia, filha de Titus. Mas os outros filhos do general se rebelam e fogem com Lavínia. Titus sofre o dilema de obedecer ao Imperador e punir seus filhos. E assim a tragédia caminha para uma série frenética de vinganças, chacinas, estupros e outras desgraças em suscessivos banhos de sangue.
 
 
O notável Aaron, the moor
 
Harry J. Lennix e Aaron, the Moor, no filme Titus

Harry J. Lennix e Aaron, the Moor, no filme Titus

O melhor personagem de Titus para mim é Aaron, o Mouro (vivido no filme pelo ótimo Harry J. Lennix). Aaron carrega a inteligência e amargura de um Iago, sob a pele negra de um Othelo. Brilhantemente inteligente e malvado ao ponto de roubar todas cenas em que aparece.

 
Algumas citações do malvado Aaron:

“Vou já, Andrônico. Em troca de tua mão, dentro de pouco receberás teus filhos.

(A parte.) A cabeça deles, quero dizer. Oh! como a idéia, tão-só, dessa partida me deleita! Os tolos que achem na bondade gosto; a alma Aarão tem tão negra como o rosto.”

“Assassinos, parai! Quereis a vida tirar do próprio irmão? Pelos ardentes fachos do firmamento, que brilhavam quando foi concebida esta criança, na ponta desta minha cimitarra morrerá quem tocar no meu herdeiro, no meu primeiro filho. Jovens, digo-vos que nem o próprio Encélado com todos os filhos de Tifão, bando espantoso, nem Alcides glorioso e o deus da guerra. das mãos paternas tirarão a presa.

Vamos, vamos, meninos coradinhos, de coração vazio, variegados escudos de taberna, muros brancos de caiadura: a cor mais firme é a preta como carvão, pois não suporta as outras, pois toda a água do oceano as negras pernas do cisne não consegue deixar brancas, embora sempre as lave na corrente.”


“Oh! por que é muda a raiva e surda a cólera? Não sou criança medrosa, para às baixas orações recorrer e, muito menos, para me arrepender dos crimes feitos. Cometera outros, dez mil vezes piores, se possível me fosse realizá-los. Se em toda a vida fiz uma ação boa, no fundo da alma, agora me arrependo.”

 

 

 

 

Links para saber mais

 

O trailer oficial da Fox Searchlight

http://www.foxsearchlight.com/titus/trailer.mov

 

Para baixar a peça no site Domínio Público:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=2359&co_midia=2 

 

Titus – I Tell My Sorrows to the Stones

 

Titus


 

 

Confession of Aaron the Moor


 

 

* Recomendações Top3

 

1 – Titus (1999) – filme de Julie Taymor (em DVD).
 
2 – Ricardo III – filme de 1995, com Sir Ian McKellen no papel-título. Ambientado na 2ª Guerra Mundial, é uma adaptação excelente da peça de Shakespeare, com outro grande personagem terrivelmente cruel e inteligente.
 
3 – Looking for Richard – filme de Al Pacino. Meio documentário, meio ficção, o longa acompanha a produção de uma montagem de Ricardo III, com cenas de ensaios, discussões e leituras da peça. No elenco, Kevin Spacey, Winona Ryder e o próprio Pacino. Destaque para a cena em que Richard (Pacino) seduz Lady Anne (Wynona). Pacino é um assombro como o feioso, deformado e ambicioso príncipe que leva a cunhada no bico. É de cortar a respiração.

Alatriste: sangue e ouro na Espanha do século 17

Alatriste

Alatriste

Aragorn vira herói espanhol. Capitão Alatriste é tipo um mosqueteiro do Alexandre Dumas, porém mais sujo e sangrento. Pois esse é um filme bem sangrento… sobre paixões sangrentas. Muitas gargantas cortadas.

 
Com direção e roteiro de Agustín Díaz Yanes, Alatriste é baseado no livro de Arturo Pérez-Reverte “Las Aventuras del Capitán Alatriste”. A produção espanhola de 2006 é o filme mais caro da história do cinema no país e ganhou o prêmio Goya, que é o Oscar do reino de Juan Carlos e Sofia. E é mais um caso de filme lançado direto em DVD no Brasil. Porém já é exibido pelos canais Telecine. Viggo Mortensen (o Aragorn de O Senhor dos Anéis) é o capitão Diego Alatriste. O ator fala fluentemente espanhol, porque morou na América do Sul quando mais jovem (na Argentina ou Chile, sei lá).
 
O capitão Alatriste retorna a Madri, após lutar na guerra da Espanha contra Flandres, para enfrentar novas disputas sangrentas intimamente ligadas a intrigas palacianas da nobreza, do clero e até do próprio Rey. A história se passa na Espanha do século XVII – o meu favorito! Mesma época de “Os Três Mosqueteiros” e “Cirano de Bergerac”. O tempo de Vermeer, Rembrandt, René Descartes, Blaise Pascal, Isaac Newton, Luiz XIV (O Rei Sol), Racine e Molière, o “Siglo de Oro” da Espanha, a Restauração britânica, a guerra para expulsar os holandeses do Nordeste do Brasil. O período áureo da Europa. Literalmente, pois estava cheia do ouro roubado das Américas. A riqueza do ouro circulou ao custo incalculável de sangue, mas propiciou riquezas artísticas e intelectuais inestimáveis. 
 
Viggo Mortensen em Alatriste (bruto com a espada, mas sabe ler!)

Viggo Mortensen em Alatriste (bruto com a espada, mas sabe ler!)

Uma cartilha visual do século 17

A direção de arte (Benjamin Fernández) de Alatriste é espetacular. Parece querer reproduzir quadros de Velazquez e El Greco. Destaque para a caracterização do rei espanhol (Filipe IV, se não me engano). Impressionante. Parece que estamos no Museu del Prado e ele veio caminhando calmamente de dentro da tela. Figurino e adereços (Francesca Sartori) super detalhados. Tem uma cena do personagem título abotoando a bota. Uma tarefa complicadíssima que a câmera mostra numa longa sequência em close. E as roupas e espadas são um detalhe a parte. Cada levantada de capa revela um bordado no gibão, incrustrações da empunhadura ou bainha da espada. Um luxo de fazer a Rosa Magalhães se arrepiar.
A fotografia (Paco Femenia) tem cores bem austeras, coerentes com a Espanha da época, que reagia severamente aos avanços da Reforma Protestante na Europa. As sequências de duelos são totalmente teatrais. Parecem mesmo encenadas num palco.
 
(Melhores) momentos de sangue + facadas
O suicídio do português. A facada da bela fidalga na perna do amante. O cara que morre esfaqueado zilhões de vezes por Alatriste, pois queria roubar parte do tesouro que os dois vieram proteger.
 
(Melhores) bizarrices
A tia maconheira do filme Volver, do Almodóvar, que faz papel do Inquisidor Emilio Bocanegra… Sinistra.
Mas não tenho palavras para o bigodão do Viggo…
 
Amor
E olha… tem muita porrada e sangue mas tem amor também, tá?
Tem vestidos, jóias e homens lindos, graças a deus.
Angélica de Alquézar é Elena Anaya, atriz e amante de Alatriste

Angélica de Alquézar é Elena Anaya, atriz e amante de Alatriste

Links para saber mais

 
Site oficial do filme
Obs. na última vez em que visitei, em 23/08/2008, estava indisponivel (!!) 😦 
Pena, porque o site era bem bonito. E a calda longa, irmão… e a calda longa?
 
Sendo assim… vamos de Wikipedia
 
Site oficial dos livros/autor

 

TRAILER NO YOUTUBE 

 

 

 

 
 * Recomendações Top5  filmes sobre o século 17

 1 – Restauration (O Outro Lado da Nobreza), com o maravilhoso Robert Downey Jr. e Sam Neill (excelente como o rei Charles II). O DVD está fora de catálogo (!!) 😦

2 – Cirano de Bergerac, com Gerard Depardier (perfeito!)
3 – Alatriste
4 – Moça do Brinco de Pérola, com Scarlett Johanssen e Colin Firth. Uma fantasia belíssima em torno da obra de Vermeer.
5 – Tous le matin du monde (Todas as manhãs do mundo), de Alain Corneau (1991), com Gerard Depardieu. Esse é difícil de achar. Nunca encontrei em DVD e nem na TV por assinatura. É um maravilhoso retrato da cena musical francesa no final do século 17. Baseado no também belíssimo livro de Pascal Quignard (autor da frase “escrever é ouvir a palavra perdida”), o filme gira em torno dos compositores Sainte Colombe e Marin Marais (Depardieu), que criaram peças lindas para viola da gamba (tipo um ancestral do violoncelo).