Into The Wild: devorando toda possibilidade de vida


Into The Wild (Na Natureza Selvagem), filme de Sean Penn

Into The Wild (Na Natureza Selvagem), filme de Sean Penn

“There is a pleasure in the pathless woods;

There is a rapture on the lonely shore;

There is a society, where none intrudes;

By the deep sea, and music in its roar:

I love not man the less, but Nature more…

 

Há um tal prazer nos bosques inexplorados;

Há uma tal beleza na solitária praia;

Há uma sociedade que ninguém invade;

Perto do mar profundo e da música do seu bramir:

Não que ame menos o homem, mas amo mais a Natureza…”

 

      Childe Harold’s Pilgrimage

      Canto IV Stanza 178

      – Lord Byron

 

“Se admitirmos que a vida humana pode ser regida pela razão… está destruída a possibilidade de vida.”

(Leon Tolstói: Guerra e Paz)

 

Terminei de ver Into The Wild (Na Natureza Selvagem) com o coração esmagado. O filme, com roteiro e direção do Sean Penn, ficou pouco tempo em cartaz no Rio. Acabei só podendo ver em DVD. É baseado no livro com mesmo nome de Jon Krakauer sobre a vida do maluco Chris McCandless, que literalmente largou tudo e se meteu no meio do mato. Até de rasgar e queimar dinheiro ele foi capaz (conheço gente que choraria vendo uma cena assim). O sujeito acaba de se formar na universidade e larga a família, abandona o carro na estrada, queima o dinheiro junto com os documentos, fotos, lembranças e os laços com o passado. Isso vindo de um cidadão da civilizaçao do consumo, onde tudo é business já é um feito e tanto. Uma futucada num tremendo tabu.

Fico pensando naquele Burning Man Festival, onde, por um de seus princípios básicos, o comércio é proibido. Vários malucos se reúnem uma vez por ano no meio do deserto de Nevada para se expressar, fazer música, arte, amor, manifestos e tal. E todos levam tudo o que forem consumir, pois no local não rola comércio ou negócios. Trata-se precisamente de um evento do não-consumo. É um encontro para se doar.

Entre citações de Boris Pasternak, H. D. Thoreau e outros autores, nosso louco herói Chris (que adotou o nome de Alexander Supertramp, o super-vagabundo) viaja por desertos, corredeiras, estradas, montanhas e florestas, colecionando pedaços preciosos de vidas. O encontro dele com o homem idoso que mora perto do deserto é a parte mais tocante para mim. Num espaço de alguns meses, transformou outras vidas que encontrou no caminho, não só a dele.

Há algum anos, li um comentário no painel de críticos do JB sobre o filme “Closer” (aquele muito bom, por sinal, com o Jude Law, Natalie Portman etc.). Era uma frase curta do Tárik de Souza que formulou um termo perfeito para sintetizar o filme: um “sinceriocídio”. Um despejo brutal de sinceridade entre os casais. No caso de Into The Wild o que ocorre  (perdoe o meu abuso neologístico) é um lucidocídio. Uma overdose de lucidez. Chamo ele de maluquinho, mas na verdade buscava uma lucidez intensa. Uma conexão de alta velocidade e ininterrupta com a vida, a natureza, as pessoas.

McCandless desejou a vida com fervor. E bem… seu cálice transbordou.

E tem a música do Eddie Veder que por si só é uma experiência única. Ganhou o Globo de Ouro. Assista ao filme com o volume alto. É uma das trilhas sonoras mais bonitas que já ouvi.

 

 

Links para saber mais…

AN AESTHETIC VOYAGER WHOSE HOME IS THE ROAD

O site oficial do filme é excelente. Tem o roteiro da viagem do maluquinho, ilustrado por imagens e citações literárias que são a cara do personagem. Como essa: “We are, finally, all wanders in search of knowledge. Most of us hold the dream of becoming something better than we are, something larger, richer, in some way more important to the world and ourselves. Too often, the way taken is the wrong way, with too much emphais on what we want to have, rather than what we wish to become.” – Louis L’Amour, Education of a Wandering Man

 

Sobre o maluquinho beleza

Nesse vídeo no Youtube  uma reportagem do canal ABC conta a história do maluquinho Chris Mccandless. É só um trecho, na verdade, pois quem postou o vídeo vende o negócio inteiro em DVD.

 

Site oficial do Burning Man Festival

A próxima edição do evento é agora em agosto.

 

 

* Recomendações Top3

1 – Filme: Into The Wild (Na Natureza Selvagem), de Sean Penn. Com Emille Hirsch (o Speed Racer), William Hurt e outros.

2 – Música:Trilha Sonora do filme Into The Wild, de Eddie Veder

3 – Destino: Ibitipoca/MG (a 1 hora de Juiz de Fora) – para respirar um pouco de natureza selvagem antes que ela acabe

7 pensamentos sobre “Into The Wild: devorando toda possibilidade de vida

  1. Acabei de ver o filme e vim pesquisar sobre ele.. Encontrei esse site com uma linda explicação..

    Realmente o filme retrata a loucura (?) de um cara que apenas queria estar perto da natureza, viver com paz, harmonia e muita liberdade…

    Com certeza me ajudou a refletir muito, e com mais certeza ainda será responsável por mais uma fase da minha vida!

    Obrigada pela oportunidade de escrever o que estou sentindo, nem conheço nguém aqui..

    Valeu,
    Thamara Machado

  2. harris, talvez esse filme seja mais urgente pra vc do q o mestrado ou qualquer outra coisa.

    qndo eu assisti eu pensei “meu deus, como eu vivi tanto tempo sem ter assistido isso?”.

    é um tapa na cara.
    fiquei em êxtase 1 semana

  3. O filme é com certeza um dos melhores que ja assisti.

    Sem falar da trilha sonora que dialoga perfeitamente com o filme…

  4. Pingback: Os números de 2010 « Webdebee

  5. estamos em 2017, esse rapaz ainda ecoa sobre algumas mentes absurdamente sedentas por VIDA. Ter, tornou-se um adjetivo e qualidade de viver, o cerne da vida correu rio abaixo gritando por socorro mas o barulho das águas ensurdeceu a humanidade.

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