Feed on
Artigos
Comentários

Lugar Nenhum (Neverwhere), de Neil Gaiman“Era sexta-feira à tarde. Richard havia percebido que os acontecimentos são seres covardes. Eles nunca acontecem sozinhos: vêm numa matilha, pulando juntos sobre alguém ao mesmo tempo.” -Neil Gaiman em Neverwhere (cap. 1).

 

Londres-de-baixo. Ratos. Nobres. Portas. Imagino que já exista um roteiro turístico tipo Neverwhere London Tour, passando pelas estações de metrô e outros locais que o personagem, Richard Mayhew, percorre, como Black Friars, Earls Court, Harrods, British Museum etc. Acho que até existe um roteiro pelos subterrâneos mesmo. A Londres subterrânea de Neil Gaiman em “Lugar Nenhum” (editado no Brasil pela Conrad) é bastante bizarra e assustadora. Mas antes de descer ao submundo da cidade, a vida de Richard Meyhew era um pouco assustadora também, se formos considerar o tédio, mesmice e até caretice das pessoas à sua volta. Na chamada Londres-de-Baixo ele encontra a emoção que faltava na vida, embora ao preço de muitas privações e perigos. É inevitável pensar nas jornadas clássicas de heróis, na Odisséia e em Alice no País das Maravilhas.

 

Conforme descrito na citação acima, Richard é atacado pelos acontecimentos que transformam inteiramente sua vida. Ele é um tanto medroso e crianção, mas não consigo evitar uma afeição pelo personagem. A perplexidade diante do mundo estranho e ameaçador onde ele vai parar pode ser comparada a alguns momentos da vida em que percebemos o quanto somos solitários. Quando nossas decisões têm de ser tomadas sem a ajuda de ninguém, pois temos que crescer ou amadurecer com uma dor que é individual e intransferível. Tem uma passagem (não vou detalhar para não virar um spoiler) em que Richard está sozinho numa plataforma de metrô e recebe a visita de um amigo. Fica aquela dúvida se é um delírio ou não, mas é um momento crucial da trama em que o confronto com a honestidade violenta do outro impulsiona o anti-herói a seguir com sua missão.

 

Minha irmã leu e contou que nunca mais olharia para um rato de rua do mesmo jeito.  Quando terminei de ler, pensei: bom… é melhor respeitar as criaturas do submundo. Sei lá se não existe mesmo um outro universo nos subterrâneos das grandes cidades.  Na dúvida, respeite os ratos (se puder). Respeite também a sombra de medo e solidão do outro. Pode ser um momento de transformação.

Na minha rua vive um cara que passa o tempo deitado na esquina escrevendo e lendo em voz alta as coisas que escreve. Gosto de pensar que ele é um anjo. Mas essa é uma outra história…

 

“Lugar Nenhum” é o primeiro romance do Neil Gaiman. Ele adaptou a história de uma série de TV que escreveu para a BBC nos anos 90. A série não foi muito bem recebida. Parece que tem problemas de qualidade na captura das imagens. Mas está em andamento a pré-produção de uma versão cinematográfica para 2009. Tem também uma versão em quadrinhos que a Conrad deve lançar este ano no Brasil. 

 

 

Links para saber mais:

 

No site oficial do autor:

http://www.neilgaiman.com/works/Books/Neverwhere/

 

No Youtube (episódios da série de TV):

http://br.youtube.com/results?search_query=neverwhere&search_type=&aq=3&oq=neverw

 

E entrevista com NG sobre a série e o filme de “Neverwhere” e outros novos projetos.

http://br.youtube.com/watch?v=mXIKQfQRV3g

 

 

* Recomendações Top3

 

1 - Neil Gaiman: Sandman (série de HQs)

2 - Neil Gaiman: American Gods

3 - Neil Gaiman: Os Filhos de Anansi

Harry Potter and The Deathly Hallows, de J.K. RowlingForam jornadas noites a dentro bebendo a cachaça harry potter até acabarem as 7 garrafas.

OK. não fiz isso em 7 noites seguidas… levei 4 meses para ler os 7 livros, mas isso só fez o prazer e a agonia do vício se prolongarem.

Engraçado, porque sempre gostei muito dos filmes, mas tinha uma percepção dos livros do Harry Potter como o tipo de literatura própria para um público formado por adolescentes e pré-adolescentes. E que a exceção seria adultos com hábitos medíocres de leitura. Marmanjos que não têm coragem para encarar um Machado, Clarice ou Dostoievsky.

Besteira. Preconceito. Intolerência.

Vai ler, cara, pra ver do que estou falando!

Não tenho muito como justificar ou explicar. Simplesmente é muito bom ler Harry Potter.  

Soube que a autora ganhou um prêmio na Espanha (concedido pelo Príncipe de Astúrias), que reconhece os escritores que contribuem para que crianças e adolescentes tomem gosto pela leitura. Acho que ela merece mesmo.

 

Não dá para comparar com Monteiro Lobato, mas com o HP senti uma emoção semelhante à da leitura de Reinações de Narizinho ou Viagem ao Céu. Só que com umas pitadas de Dickens, A Feiticeira, Agatha Christie e um clima bem mais sombrio. Alguns compararam com Tolkien. Acho que por causa da apropriação de elementos míticos e folclóricos da cultura nórdica-germânica (elfos, goblins, trolls…). E também por criar um universo próprio de ficção fantástica.  Mas eu acho que a semelhança para por aí. Tolkien é outro assunto.

 

Li os 7 livros em inglês (paperback da Scholastic), mas uma amiga, que conhece a tradutora da edição brasileira e leu a maior parte da série em Português, me garantiu que a tradução é ótima. Nesse papo com minha amiga Juls, fiquei sabendo que a JKRowling (autora do HP) e a tradutora brasileira sempre mantiveram contato no processo de tradução. Li que a JK morou no Porto, e como é formada em literatura, filologia e conhece francês e outras línguas, suponho que tenha aprendido um pouco de Português. (Damn… Será que tenho que reler tudo em português?)

 

E acho um barato as brincadeiras filológicas da escritora, como chamar o personagem lobisomem de Prof. Lupin. E as diversas referências às mitologias nos nomes, como o da professora Minerva (deusa greco-romana identificada com a Sabedoria). Enfim… tem um monte de referências e fico me perguntando se não é uma isca sutil e divertida para despertar os nerds em estágio de embrionário.

 

E os filmes? Gosto de brincar de fazer a lista dos atores ingleses-escoceses-irlandeses que deviam participar, mas que ainda não apareceram tipo: Peter O’Toole, Sir Ian Mckellen, Hugh Laurie, Tim Roth.  Mas que papéis eles fariam? A JK impôs a condição para os filmes só contarem com atores ingleses nos papéis principais. Meu filme preferido é o terceiro: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Dirigido pelo Alfonso Quarón. É o mais divertido e original do ponto de vista estético. Aquela sequência do ônibus noturno com a cabeça encolhida rastafari é sensacional. Sempre volto no DVD para assistir de novo. E me amarro na volta no tempo da Hermione, na fuga do Sirius Black (Gary Oldman que eu adóoooro) voando com o hipogrifo.

 

Ok. É só isso que queria escrever. No fim do ano tem mais. Em novembro, tem filme novo: Half Blood Prince. Aliás, esse para mim é o volume mais emocionante dos livros.

 

 

* Recomendações Top3

 

1 - Livro - J.K. Rowling: Harry Potter and The Half Blood Prince

2 - Filme - Alfonso Quarón: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

3 - Livro - Monteiro Lobato: Viagem ao Céu

 

 

Stardust

Stardust, de Neil Gaiman e Charles VessStardustSTARDUST - O Desejo do Coração

 Outubro 2007

 Você leitor verá que não tenho como disfarçar que o Neil Gaiman é meu autor favorito do momento.

Mas vamos ao filme.

 

Bom.. prefiro o livro. Mas o filme é divertido. Já até assisti de novo em DVD. Embora mantenha a atmosfera de conto de fadas, o ritmo do filme perde muito da qualidade meio poética, meio onírica do livro do Gaiman. É o tempo do escritor que não teve como ser representado em filme. Mesmo com a voz poderosa do Ian Mckellen como narrador. “Certa vez, existiu um jovem que queria conquistar o Desejo de Seu Coração.”  Essa é a frase que inicia o livro. E, em si, ela carrega um mistério, uma idéia que intriga, mas que ao mesmo tempo não precisa de explicação. Desejo, Coração… O subtítulo do filme no Brasil é O Mistério da Estrela. Porém o mistério, a sutileza, a poesia, as filigranas delicadas de beleza do livro não tiveram chance alguma. Mas é como se diz por aí: livro e cinema são experiências muito diferentes.

 

Achei meio feia aquela sequência do encontro do Dunstan, pai do Tristan (ou seria Tristran), com a moça misteriosa, prisioneira de uma bruxa, na feira do mundo das fadas. No livro é tão bonito, mas no filme ficou um clima meio de “sacanagem” muito estranho. A necessidade do cinema de passar uma idéia condensada em segundos, às vezes é um saco. Acaba escorregando pro lado do mau gosto e vulgaridade.

 

Essa foi a única nota realmente triste na transcrição para o cinema.  No mais, é divertido, tem ótimos atores, a direção de arte é belíssima. É um belo filme de aventura, romance e fantasia. No DVD tem um making-of (eu e minha mania com extras de DVDs) muito legal. O vestido da Yvaine era para ter um efeito de fluidez, como se fosse líquido. E não é que conseguiram! E tem o Neil Gaiman visitando o set de filmagem com o cenário do barco voador do capitão Shakespeare (aliás é a grande supresa do filme, a visão totalmente inesperada que deram ao personagem do de Niro… só vendo.). Gaiman passeia pelo set e pede desculpas pelo trabalho que estava dando para equipe construir um barco, que foi imaginado e descrito por ele no livro em poucos segundos. Ele tem umas idéias engraçadas em qualquer situação. Mas é verdade, né? O que um escritor ou roteirista descreve em uma linha pode custar o trabalho de uma equipe enorme, muitos recursos materiais e incontáveis terabytes de memória de computadores para a realização em um filme.

 

PS: Tinha uma dúvida até hoje, desde quando li o livro. O nome do cara é Tristan ou TristRan? No livro editado pela Conrad, é Tristran (com o R na segunda sílaba). Fiquei achando que era um erro de revisão da edição brasileira. E no filme, o nome é Tristan. Mas pelo que vi hoje na Amazon, é Tristran mesmo. (31/05/2008).

 

 

* Recomendações Top3

1) Livro Neil Gaiman - Stardust

2) Filme Stardust

3) HQ série Neil Gaiman - Sandman

 

 

The Police

Sting e Andy SummersTHE POLICE

Show no Maracanã, Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2007

Eu fui! Fiquei feliz com a realização de um sonho, mesmo sentindo falta de alguma coisa que não sei explicar. Sei lá… Meus amigos da mesma geração são unânimes em afirmar que o show foi burocrático e sem emoção. Será que foi só isso? Fiquei pensando, será que eles deviam ter trazido uma banda de apoio, com backing volcals e tal? Mas aí tiraria a chance de provar a força de um clássico power trio. Por um momento, me pareceu que o show era com fins de arrecadação para algm fundo de combate à pobreza, aquecimento global, algo assim. Mas ao mesmo tempo, considerando os exemplos que têm proliferado pelo showbiz, é difícil não pensar que eles queriam era dar uma jeito de voltar a aparecer e ganhar mais dinheiro. Vários artistas se reinventaram. Um exemplo é o Rod Stewart cantando os standards da canção americana. E o Santana, quem diria? Supernatural de 1999 foi o maior sucesso da carreira do guitarrista. Vendeu mais do que Black Magic Woman de 68, que era seu maior hit.

 

Pois é… Em 1981 os “Polices” vieram ao Brasil para a turnê do Ghost in The Machine. Meu pai não me deixou ir ao show no Maracanãzinho. Fiquei frustada num nível que só adolescentes de 12 anos sabem. Enfim… Naquele época tinha uma campanha de TV dos cigarros Hollywood em que tocava Every little thing she does is magic. A música virou um daqueles clássicos de comercial hollywood o sucesso! Tocava direto na rádio Cidade (sim, pq praticamente só tinha a rádio Cidade naquele tempo). E é isso, fiquei na vontade.

 

Depois veio Synchronicity. Que eu acho o melhor álbum deles. Infelizmente foi o último.O Synchronicity é um dos álbuns da minha vida. Está ao lado de Joshua Tree, do U2, The Wall e Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, Houses of The Holly, do Led Zeppelin, Legião Urbana I e II, Ideologia, do Cazuza, Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Piece of Mind, do Iron Maiden, Live in Central Park, do Simon & Garfunkel. Aquelas substâncias extraordinárias que se instalam no cérebro e no coração para sempre. Havia uma reflexão sobre Jung e a teoria da sincronicidade, que era uma inquietação pessoal do Sting e se aplicava a vários conceitos do álbum, envolvendo a vida dos integrantes da banda que já não se davam lá muito bem e os grilos de uma geração. Música e psicanálise.

 

O Sting solo eu acompanhei no início. Gosto muito dos discos Dream of the blue turtles e Bring on the night. Ouço até hoje. Mas o que veio depois, não sustentou meu interesse. Há cerca de 10 anos fui apresentada pessoalmente ao Andy Summers. E, como sempre digo, é melhor não conhecer pessoalmente os artistas. Trabalhava numa gravadora e tive que contatá-lo para coordenar algumas entrevistas com jornais do Brasil. No dia dos phoners, simplesmente o U2 estava no Rio para aquele abominável show no Autódromo. E todas as redações se esvaziaram depois das 14h. Foi um péssimo dia. E o guitarrista do Police é um inglês chatinho. Ele veio ao Brasil alguns meses depois para uma turnê e fomos apresentados pessoalmente. Tipo da situação que me deixa querendo sair correndo. Todos devem ter percebido. Mas, enfim… troquei 3 palavras e bati em retirada com uma desculpa qualquer. Que fique claro: não estou desmerecendo o talento do cara. Mas os artistas que amamos podem como qualquer sujeito banal que conhecemos. Aquele síndico chato, a garota mala da caixa registradora na padaria, seu chefe, sua tia que sempre diz que vc tá muito gorda e mal vestida. Só que essas “malas”, num exemplo da suprema misericordia divina, cantam, compoem, escrevem, tocam guitarra, enfim, criam uma obra que e muito maior do que eles mesmos. Um dia eu vou escreve um post só sobre isso. Eu mereço.

 

OK. Toda essa viagem no tempo e na memória musical afetiva serviu para me situar entre 1981 e 2007. Mas ainda não sei explicar porque o show no Maracanã foi morno. Creio que, para usar um chavão, o momento se foi. Mas realizei um sonho velho. Risquei da lista de outros shows-sonhos em que constam Rush (devidamente riscado da lista após um show glorioso em 2002 no Maracanã),  Iron Maden (realizado em 2000 na Cidade do Rock), Pink Floyd, Led Zeppelin, Genesis (com o Phil Collins), U2, Marillion (com o Fish) e outros.

 

 * Recomendações Top3

1 - The Police - Synchronicity

2 - The Police - Ghost in the Machine

3 - Sting - Dream of The Blue Turtles 

 

 

A Dança do Salmão

Um dos melhores grudes dos últimos tempos é essa música do novo álbum do The Chemical Brothers. The Salmon Dance. O vídeo é tudo!

(Uma idéia de post roubada da minha irmã)

Demorou mas chegou mais um volume da reedição especial do Sandman, O Fim dos Mundos. Para quem não conhece, Sandman é uma série de graphic novels (ou quadrinhos adultos e chiques) lançados nos anos 80/90 pela DC. A coleção reúne diversos cliclos de histórias escritas por um de meus autores favoritos, o inglês Neil Gaiman.

Sandman, ou Sonho, é um dos irmão Perpétuos. Os outros são Destino, Desejo, Delírio, Desespero, Destruição e Morte. (só uma piadinha para o pessoal da turma de Mkt Digital da Facha: eles formam o mix de marketing das forças de pulsão de vida e morte, com os 7 Ds em inglês Desteny, Desire, Delirium, Despair, Destruction, Dream and Death. Hehehehe).

Para mais detalhes sobre a série, recomendo o site do autor em www.neilgaiman.com

Sandman - Fim dos Mundos

Que acha de parar numa taberna, beber canecas gigantes de cerveja, bater um papo infinito com estranhos e não se preocupar com as horas nem com mais nada, pois quando você se encher e for embora, o tempo lá fora não passou? Você poderá voltar à vidinha boba quando quiser e encontrar tudo como antes.

Ou ainda: imagine-se aceitando um emprego na Taberna e ficar lá nesse espaço-tempo congelado, abandonando a vidinha boba pelo tempo que quiser. Servir bebidas a criaturas até bem bizarras, mas que contam histórias irresistíveis. Na taberna do Fim dos Mundos, personagens contam histórias para passar o tempo, como os peregrinos dos Contos de Canterbury, de Geoffrey Chaucer (quem souber de uma edição em português, me fale, pois nunca encontrei), nessa Taberna em que presente, passado e futuro não existem.

Estava sem idéias para este post, mas nos minutos preciosos do café da manhã, minha irmã lembrou desse volume do Sandman que lemos este mês. Ficamos imaginando como seria bom se esconder de vez em quando na Taberna do Fim dos Mundos.

Bom pra burro

Criei este blog para aprender a blogar. Então, espero que poucos estejam lendo isso…

Além de aprender o ofício, quero falar um pouco sobre livros, música, cinema, HQ, mas prometo que não sou muito nerd não. Só um pouco.

Outro objetivo é dar um “empurraozinho” para que alguns amigos criem seus blogs e assim, a gente forme um blogring.

Bom… Webdebee é meu apelido desde que comecei a trabalhar com Internet. O duplo “e” no final se deve ao significado do meu nome, Débora, abelha em hebraico (bee = abelha em inglês).  Viu? Só um pouco nerd…

Ah! O título do post é do próximo blog que vou criar. Breve mais detalhes.

Volto daqui a pouco.

Não olhe ainda….

Welcome to WordPress.com. This is your first post. Edit or delete it and start blogging!